Mundo
Usina nuclear de Zaporizhzhia é desconectada pela primeira vez na história
Desconexão levantou preocupações de a Rússia está tentando desviar a eletricidade para partes da Ucrânia ocupadas pelos russos
26/08/2022
Uma “situação perigosa”
Mas a desconexão de quinta-feira levantou preocupações de que Moscou está tentando desviar a eletricidade produzida em Zaporizhzhia para partes da Ucrânia ocupadas pelos russos. Essa opinião foi apresentada na segunda-feira (22) pelo chefe da Energoatom, Petro Kotin, que acusou a Rússia de tentar desconectar a usina da rede ucraniana “e depois tentar reconectá-la ao sistema russo”, em entrevista à CNN. Ele disse que a única maneira de fazer isso exigiria um desligamento total da planta “e um corte completo de todas as linhas que estão conectadas ao sistema ucraniano”. Como as frequências agora são diferentes, a frequência russa e a frequência ucraniana – estamos sincronizados com o sistema europeu, e eles estão sincronizados com a Rússia.” Ele, no entanto, aponta que, uma vez danificada a quarta linha, “teremos mais apagões em toda a usina”, disse ele, descrevendo como uma “situação perigosa” porque a usina dependeria apenas de geradores movidos a diesel, que são não confiáveis ”porque precisam de combustível para seu trabalho e também … têm capacidade limitada para estar constantemente em modo de trabalho”. As usinas nucleares usam vários sistemas de segurança auxiliares, como geradores a diesel e conexões de rede externa, para manter os reatores resfriados. Se esses sistemas falharem, o reator nuclear poderia aquecer rapidamente, provocando um colapso nuclear. Citando a Ucrânia, a AIEA disse, na quinta-feira, que a usina “permaneceu conectada a uma linha de 330 kV da usina termelétrica próxima que pode fornecer eletricidade de reserva, caso necessário”. O porta-voz principal do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Vedant Patel, pontuou que “qualquer tentativa de desconectar” a usina nuclear de Zaporizhzhia “da rede elétrica ucraniana e redirecionar para áreas ocupadas é inaceitável”. “Está claro que o bombardeio da Rússia e a apreensão de usinas de energia e infraestrutura da Ucrânia são parte de sua estratégia para criar crises de energia na Europa”. alegou durante uma entrevista coletiva com os repórteres nesta quinta. A principal autoridade do Departamento de Estado dos EUA, Bonnie Jenkins, também apontou na quinta-feira que as ações da Rússia na usina “criaram um sério risco de um incidente nuclear, uma liberação de radiação perigosa que pode ameaçar não apenas as pessoas e o meio ambiente da Ucrânia, mas também afetar países vizinhos e toda a comunidade internacional”. Jenkins, que é subsecretário de Estado para Controle de Armas e Segurança Internacional, pediu que a Rússia cesse suas atividades militares em torno da usina, enfatizando a importância de uma visita da AIEA.Mais lidas
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