Polícia

“Delegacia virou cena do crime” Justiça mantém preso investigador acusado de estuprar detenta em Sorriso, MT

Perícia apontou compatibilidade genética; Ministério Público fala em “abuso do aparato estatal” e diz que o caso atinge o coração da credibilidade institucional

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 02/02/2026
“Delegacia virou cena do crime” Justiça mantém preso investigador acusado de estuprar detenta em Sorriso, MT
A Justiça manteve a prisão preventiva do investigador Manoel Batista da Silva, 52, acusado de estuprar uma mulher de 25 anos que estava sob custódia | Divulgação

A Justiça manteve a prisão preventiva do investigador Manoel Batista da Silva, 52, acusado de estuprar uma mulher de 25 anos que estava sob custódia dentro da delegacia da Polícia Civil de Mato Grosso em Sorriso. A decisão foi confirmada na audiência de custódia. O caso corre em segredo de Justiça.

A investigação é conduzida pela delegada Laísa Crisóstomo de Paula Leal, que confirmou a manutenção da prisão, sem detalhar os autos por força do sigilo.

Exames periciais com coleta de material genético apontaram compatibilidade com o material do servidor, o que embasou o pedido de prisão preventiva. O mandado foi cumprido na residência do investigado, no bairro Jardim Aurora, com recolhimento de arma e munições funcionais. A Corregedoria acompanha o caso para as providências administrativas.

Em manifestação ao Judiciário, o promotor Luiz Fernando Rossi Pipino, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, afirmou:

“A Delegacia de Polícia, que deveria ser espaço de proteção institucional, foi transformada em cenário de violência sexual.”
“Não foi apenas estupro. Foi estupro cometido com abuso do aparato estatal.”

Para o MP, o fato de a vítima estar sob custódia do Estado — sem possibilidade de fuga ou pedido de socorro — agrava o quadro e compromete a confiança nas instituições, razão pela qual defendeu que o acusado não responda em liberdade.

A Polícia Civil de Mato Grosso informou que não tolera desvios de conduta e que todas as denúncias envolvendo servidores são apuradas com rigor e transparência. Outras detentas foram ouvidas e, até o momento, não há novas denúncias relacionadas ao caso.

A defesa do investigado não foi localizada. O espaço permanece aberto para manifestação.

O servidor atua na corporação desde 2001. A manutenção da prisão na custódia reforça a gravidade atribuída aos indícios reunidos até aqui, enquanto o inquérito segue sob sigilo.