Polícia

Justiça decreta prisão preventiva de servidor comissionado acusado de homicídio ligado a facção em MT

A decisão foi proferida pela 1ª Vara Criminal da comarca após denúncia apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça Criminal. Rodrigo foi preso na última terça-feira, dia 24

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 25/02/2026
Justiça decreta prisão preventiva de servidor comissionado acusado de homicídio ligado a facção em MT
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso, o servidor teria atuado como motorista do veículo utilizado na execução, transportando Lucas da Silva de Jesus | PC-MT

A Justiça de Mato Grosso decretou a prisão preventiva do servidor público comissionado municipal Rodrigo Nascimento Castro, acusado de integrar organização criminosa e participar diretamente do homicídio qualificado de Euler Ramon Bastos dos Santos, de 25 anos, ocorrido em dezembro de 2025, no município de Sorriso, a 420 quilômetros de Cuiabá.

A decisão foi proferida pela 1ª Vara Criminal da comarca após denúncia apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça Criminal. Rodrigo foi preso na última terça-feira, dia 24.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso, o servidor teria atuado como motorista do veículo utilizado na execução, transportando Lucas da Silva de Jesus, apontado como autor dos disparos, além de uma adolescente também envolvida na ação criminosa.

De acordo com o promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, o homicídio foi executado com elevado grau de planejamento e divisão de tarefas, características comuns de organizações criminosas estruturadas.

O representante do Ministério Público afirmou que a ação foi previamente organizada, com estratégia voltada à ocultação do crime, o que demonstra frieza, coordenação e inserção consciente em dinâmica criminosa estruturada.

As investigações indicam que Rodrigo estacionou o veículo em local estratégico para evitar o registro por câmeras de segurança e garantir a fuga após o assassinato.

Na sequência, o executor desceu do carro, aproximou-se da vítima sob o pretexto de pedir informações e efetuou disparos de arma de fogo de forma repentina, atingindo Euler Ramon fatalmente.

Ao analisar o pedido, o Judiciário concluiu que estavam presentes os requisitos legais para a prisão preventiva, especialmente diante da gravidade concreta do crime e do risco à ordem pública.

O Ministério Público destacou que o crime ocorreu em contexto de disputa entre organizações criminosas, o que reforça o grau de periculosidade dos envolvidos e o risco de continuidade das atividades criminosas.

Também foi ressaltado que permitir que o acusado responda ao processo em liberdade poderia comprometer a tranquilidade social e a credibilidade da Justiça.

Outro ponto considerado grave foi a tentativa do acusado de interferir nas investigações.

Segundo o Ministério Público, Rodrigo indicou deliberadamente uma pessoa inocente como participante do crime, com o objetivo de desviar o foco das autoridades e proteger a adolescente envolvida.

Essa falsa acusação levou à prisão temporária de uma mulher que posteriormente foi inocentada após a Polícia Civil esclarecer os fatos e identificar a verdadeira participante.

Para o Ministério Público, essa conduta reforça o risco de interferência na instrução criminal e demonstra tentativa de manipulação da persecução penal.

Após a prisão, a Secretaria Municipal de Saúde informou que Rodrigo foi afastado do cargo e que foi instaurado procedimento administrativo disciplinar para apuração dos fatos.

A defesa do acusado não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.

O caso ganhou ainda mais repercussão após vir à tona que a mulher inicialmente presa como suspeita denunciou ter sido vítima de violência sexual enquanto estava custodiada na delegacia.

Exames periciais confirmaram a compatibilidade genética do material coletado com um investigador, que foi preso preventivamente no início de fevereiro.

As investigações seguem em andamento.