Polícia

Médica recebia milhões e centralizava dinheiro do tráfico em MT, diz polícia

Investigação aponta que profissional teria movimentado mais de R$ 10,9 milhões em 29 meses dentro de esquema que alcançou R$ 500 milhões

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 26/02/2026
Médica recebia milhões e centralizava dinheiro do tráfico em MT, diz polícia
A médica Naiara Batistelo, de 38 anos, foi presa na manhã desta quinta-feira (26), em Nova Santa Helena, a 622 km de Cuiabá, | PC-MT

A médica Naiara Batistelo, de 38 anos, foi presa na manhã desta quinta-feira (26), em Nova Santa Helena, a 622 km de Cuiabá, suspeita de integrar um esquema interestadual de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro investigado na Operação Argos.

A ação foi realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso em apoio à Polícia Civil da Paraíba, responsável pela investigação principal.

Segundo os investigadores, a médica teria desempenhado papel estratégico dentro da organização criminosa, funcionando como uma espécie de “caixa central” do grupo na região de fronteira.

Conforme a Polícia Civil da Paraíba, Naiara teria recebido mais de R$ 10,9 milhões em um período de 29 meses.

De acordo com a apuração, ela seria responsável por: centralizar valores obtidos com a venda de drogas em diferentes estados, redistribuir recursos dentro da estrutura criminosa e dar aparência de legalidade às movimentações financeiras.

A polícia afirma que a médica é formada na Bolívia e exercia atividade profissional em Mato Grosso.

As investigações apontam ainda que Naiara atuaria em parceria com a ex-bancária Giovanna Parafatti, apontada como responsável por operações financeiras mais complexas do grupo.

Segundo a polícia: Giovanna teria movimentado cerca de R$ 15 milhões por meio de empresas e veículos esportivos e bens de alto padrão teriam sido adquiridos para ocultar patrimônio. A organização funcionava como uma verdadeira “holding criminosa”, com divisão profissional de tarefas.

A Operação Argos cumpre simultaneamente 44 mandados de prisão preventiva e 45 de busca e apreensão em 13 cidades dos estados da Paraíba, São Paulo, Bahia e Mato Grosso.

Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava: carretas de empresas formalmente constituídas para transporte de entorpecentes, núcleo financeiro especializado em lavagem de dinheiro e estrutura interestadual articulada.

Desde 2023, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 500 milhões, segundo as investigações.

A Justiça determinou: bloqueio de R$ 104,8 milhões em ativos financeiros; sequestro de 13 imóveis de alto padrão e apreensão de 40 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões.

Em Mato Grosso, foram apreendidos um veículo de luxo, celular, notebook e joias.

Até o momento, a defesa da médica não se manifestou. A investigação segue em andamento.