Polícia

Operação contra suspeita de lavagem bilionária chega a Várzea Grande e faz buscas em distribuidora de combustíveis

Ação do Gaeco e da Receita Federal cumpre mandados em 29 endereços pelo país. Em MT, agentes estiveram na sede da Tobras, conhecida como Terrana; ainda não há informação sobre o papel da empresa na investigação

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM MP-SP/COM MP-MT 24/09/2026
Operação contra suspeita de lavagem bilionária chega a Várzea Grande e faz buscas em distribuidora de combustíveis
A busca em Várzea Grande integra a Operação Crédito Oculto, desdobramento da Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Receita Federal | Divulgação

Uma operação que investiga a suspeita de lavagem de dinheiro na compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país chegou a Várzea Grande na manhã desta quinta-feira (24). Com apoio do Gaeco de Mato Grosso, agentes cumpriram uma ordem de busca e apreensão na sede da Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana, em um prédio comercial na avenida Júlio Domingos de Campos.

A busca em Várzea Grande integra a Operação Crédito Oculto, desdobramento da Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Receita Federal. Ao todo, são cumpridos mandados em 29 endereços ligados a 13 pessoas físicas e 24 empresas. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o que foi apreendido na cidade nem sobre a eventual participação da Tobras nos fatos investigados.

No centro da apuração está uma pergunta: quem forneceu o dinheiro e quem assumiu, de fato, o controle da distribuidora? Segundo o MPSP, os investigadores encontraram indícios de que uma rede formada por fintechs, fundos de investimento, holdings e empresas de fachada teria sido usada para esconder a origem dos recursos e a identidade dos beneficiários do negócio.

A investigação aponta que uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo teria servido de peça nessa estrutura. Embora fundos e empresas aparecessem formalmente como seus proprietários, o controle econômico, segundo os investigadores, permaneceria com pessoas que não figuravam diretamente na operação.

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R$ 100 milhões em poucos minutos

De acordo com o MPSP, a usina teria recebido R$ 100 milhões destinados a financiar a aquisição da distribuidora. Antes de chegar à conta da empresa, o dinheiro teria passado, em poucos minutos, por contas de outras companhias e por estruturas mantidas em fintechs. A suspeita é de que esse percurso tenha dificultado o rastreamento da origem dos valores.

Outro ponto sob análise é uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. Para os investigadores, as transações podem ter criado um fluxo circular de recursos, com aparência de negócio regular, enquanto os beneficiários reais permaneciam ocultos.

A dimensão financeira da apuração vai além dessas operações. Conforme o MPSP, uma empresa empregada na suposta aquisição simulada da usina movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Esse valor representa movimentação financeira no período; não é o montante apontado como desviado ou lavado.

A Operação Crédito Oculto busca reunir documentos e outros elementos para esclarecer a origem do dinheiro, a participação de cada investigado e a estrutura usada na compra da distribuidora. As suspeitas ainda estão sob investigação.