Política

Lula ganha 30 dias, mas EUA não descartam tarifas, diz fonte

Apesar da extensão do prazo para discussões técnicas, fonte afirmou que governo Trump não descarta novas taxas

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 07/05/2026
Lula ganha 30 dias, mas EUA não descartam tarifas, diz fonte
Os Presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva sorridentes durante encontro na Casa Branca | CNN

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7) que propôs ao presidente Donald Trump um prazo de 30 dias para que as equipes técnicas do Brasil e dos Estados Unidos avancem nas discussões sobre tarifas, durante a reunião na Casa Branca.

“Como a gente não podia ficar debatendo o dia inteiro sobre isso, eu propus ao Trump: ‘Vamos dar 30 dias para esses companheiros resolverem o problema’”, disse Lula durante coletiva de imprensa, após o encontro com Donald Trump em Washington.

Apesar do aceno, uma fonte do governo brasileiro que acompanhou de perto a discussão afirmou que o prazo não deve ser interpretado como um recuo definitivo dos Estados Unidos.

O interlocutor afirmou que o prazo de 30 dias obtido nas conversas pode ser ampliado por outros 30 dias se as negociações fluírem, mas ressaltou que novas taxas medidas podem ser anunciadas a qualquer momento.

"Poderia acontecer amanhã? Poderia. Mas eles poderiam concluir as investigações sobre o Brasil dizendo também 'não tem tarifa'.  Mas não é da lógica, os caras sempre querem extrair uma concessão.Ter razão ou não ter razão, não é parte da equação", afirmou o integrante do governo Lula.

A fonte afirmou que Jamieson Greer, o representante de Comércio dos Estados Unidos no governo Donald Trump e um dos principais formuladores da política tarifária americana, fez o papel de "bad cop" durante a reunião, evocando práticas supostamente desleais no comércio do Brasil com os Estados Unidos.

Depois de a Suprema Corte americana derrubar parte das tarifas impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977, o governo Trump passou a estudar alternativas para aplicar novas taxas usando outros mecanismos da legislação dos Estados Unidos.

Em meados de abril, o USTR sinalizou que o Brasil pode se tornar alvo de tarifas no âmbito da Seção 301 da Lei do Comércio de 1974, usada por Washington para investigar práticas consideradas desleais.