Brasil
Operação mata chefe do tráfico dos Prazeres e 6 suspeitos no Rio; morador feito refém é morto por bandidos, diz PM
Traficante Jiló dos Prazeres, do CV, era um dos mais antigos e procurados do Rio. Homem feito refém e 6 bandidos, segundo a PM, foram mortos em uma casa. Represália do tráfico levou terror ao Rio Comprido, com ônibus incendiado e várias vias interditadas
O chefe do tráfico do Morro dos Prazeres e mais seis homens apontados como traficantes do Comando Vermelho foram mortos nesta quarta-feira (18) pela Polícia Militar, durante uma operação contra a facção no Morro dos Prazeres – comunidade entre Rio Comprido e Santa Teresa, no Centro do Rio. Um morador também morreu.
Claudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló dos Prazeres, de 55 anos, e um dos traficantes mais procurados do Rio, está entre os mortos mortos pela PM. Ele acumulava 135 anotações criminais e tinha 8 mandados de prisão em aberto.
Em represália, criminosos incendiaram ônibus e bloquearam vias do Rio Comprido, causando terror na região (saiba mais abaixo).
Dois PMs ficaram feridos. Um levou um tiro de raspão, foi atendido e liberado, e o outro foi atingido por estilhaços. A mulher de Jiló também levou um tiro, na perna, e foi internada no Hospital Municipal Souza Aguiar. O quadro de saúde dela é estável, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
Sete mortos em uma casa
Durante a tentativa de fuga dos traficantes, Leandro Silva Souza e a mulher foram feitos reféns dentro de casa por seis bandidos. Segundo a polícia, durante a tentativa de negociação frustrada, o morador e todos os bandidos foram mortos, de acordo com a PM. A mulher foi resgatada.
A origem do tiro que matou Leandro ainda será investigada.
Imagens feitas por moradores mostram o rastro de sangue nas paredes e no chão do imóvel.
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Imagens mostram como ficou casa de morador feito refém em Santa Teresa — Foto: Reprodução
Vias fechadas
Um dos ônibus foi incendiado por volta das 11h na Avenida Paulo de Frontin, um dos principais acessos ao Túnel Rebouças, que liga o Centro à Zona Sul. Até a última atualização deste reportagem, a via permanecia interditada no sentido Lagoa.
Mais cedo, por volta das 10h, outros ônibus já haviam sido usados para bloquear ruas da região. No mesmo horário, o comércio no Rio Comprido funcionou parcialmente, após traficantes ordenarem o fechamento das lojas.
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Ônibus incendiado por criminosos na Av. Paulo de Frontin, no Rio Comprido — Foto: André Coelho/TV Globo
De acordo com o Centro de Operações Rio (COR), houve interdições intermitentes em vias da região. Os bloqueios atingiram a Rua Itapiru, no Catumbi, e as ruas Barão de Petrópolis, Estrela e a própria Avenida Paulo de Frontin.
Vários ônibus tiveram as chaves retiradas e foram utilizados como barricadas durante a ação. Em nota, o Rio Ônibus informou que algumas linhas tiveram os itinerários alterados.
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Local da operação nesta quarta-feira (18) — Foto: Arte/g1
Ônibus atravessados:
- A72088 - 410 Saens Peña x Gávea
- A72034 - 410 Saens Peña x Gávea
- A48062 - 202 Rio Comprido x Castelo
- A48046 - 202 Rio Comprido x Castelo
- A72061 - 111 Central x Leblon (incendiado)
- A72089 - 507 Silvestre x Largo do Machado
- A72058 - 007 Silvestre x Central
Linhas impactadas:
- 201 Santa Alexandrina x Castelo
- 202 Rio Comprido x Castelo
- 410 Saens Pena x Gávea
- 133 Largo do Machado x Terminal Gentileza
- 006 Silvestre x Castelo
- 007 Silvestre x Central
- 507 Silvestre x Largo do Machado
- 111 Central x Leblon
- 109 São Conrado x Terminal Gentileza
- 014 Paula Mato x Central
Operação
A ação foi realizada por agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que entraram nas comunidades nas primeiras horas do dia. Houve intensa troca de tiros na chegada das equipes.
Ao todo, 151 policiais participaram da operação, com o apoio de 14 viaturas e dois blindados.
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Criminosos atearam fogo em ônibus Avenida Paulo de Frontin, no Rio Comprido — Foto: Andre Coelho / GloboNews
Segundo a corporação, a operação tinha como objetivo cumprir mandados de busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho (CV) suspeitos de envolvimento em roubos de veículos e tráfico de drogas na região.
Na terça (17), policiais civis e militares estiveram nas comunidades para cumprir, no total, 28 mandados de prisão preventiva contra integrantes do CV que operam a venda de entorpecentes na região da Lapa — 3 dos alvos já estavam encarcerados.
Entre os procurados estava Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, um dos chefões da facção. Ele já era foragido por outros crimes.
Jiló dos Prazeres um dos chefes mais antigos do CV
Segundo a polícia, Claudio Augusto dos Santos, era o chefe da comunidade dos Prazeres, em Santa Teresa, e um dos criminosos mais antigos da facção.
Ainda de acordo com os investigadores, ele era o principal responsável da quadrilha que atua roubando na Zona Sul do Rio.
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Cláudio Augusto dos Santos, o Jiló dos Prazeres, tinha 55 anos e 135 passagens pela polícia; ele estava foragido — Foto: Divulgação
Jiló era um dos envolvidos na morte do turista italiano Roberto Bardella, de 52 anos, em dezembro de 2016, no Morro dos Prazeres, quando ele e o primo Rino Polato, de 59, estavam em duas motocicletas e entraram na comunidade por engano.
O turista morto era casado e tinha um filho. Bardella tinha uma empresa de administração condominial com a mulher. Os dois amigos viajavam em motos pela América do Sul e já tinham passado pelo Paraguai e Argentina, além de Curitiba e Foz do Iguaçu, onde visitaram as Cataratas.
Roberto Bardella foi baleado na cabeça e no braço e morreu na hora. Por sua vez, Polato foi capturado pelos bandidos, que forçaram a entrar num carro e deixaram o corpo de Roberto no porta-malas. O veículo circulou pela favela durante cerca de 2 horas, até vir a ordem do chefe do tráfico para liberar os dois. Rino foi deixado, junto com o corpo de Roberto, numa praça num bairro vizinho a Santa Teresa.
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Criminosos tomaram ônibus na Rua Campos da Paz — Foto: Reprodução