Cotidiano
Reeducandos encontram oportunidade de recomeço com a equoterapia
Projeto começou em 2020 e conta com a parceria da Sesp, da Cavalaria da Polícia Militar e outras entidades
05/12/2021
O instrutor de equitação e reeducando do CRC, Jovanil Salvaterra Carvalho, mais conhecido como 'Jacaré', também compartilhou da mesma opinião de que participar do projeto é uma oportunidade de recomeço e de ressocialização.
Há oito meses no projeto, ele é responsável pela preparação dos animais antes e pós atendimento, alimentação e higienização. Além disso, auxilia como guia, acompanhando o paciente que está montando no cavalo e os outros profissionais da saúde.
"Tem sido muito gratificante participar desse projeto por que você acompanha a melhora dos pacientes, que chegaram com alguma dificuldade e depois você vê a transformação deles. Quando retorno para cela, deito com a consciência tranquila e o dever de papel cumprido, pois estamos fazendo uma coisa de coração aberto para o bem de outras pessoas. Então essa troca é uma oportunidade de recomeço", afirmou.
Relatos
A aposentada Aparecida Fátima de Carvalho relatou que contraiu a Covid-19 e precisou ficar intubada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por dois meses. Assim que recebeu alta médica, foi recomendada a iniciar o tratamento com a equoterapia.
Ela procurou o CRC e só tem a comemorar pela recuperação. "Tem sido maravilhosa cada sessão. A equoterapia me ajudou também a passar pelo luto do meu marido que não resistiu a Covid-19. Eu só tenho a agradecer toda equipe do projeto", disse.
Já o autônomo, Francis Francisco de Souza, faz o acompanhamento do filho, de 6 anos, que é hiperativo, há pouco mais de cinco meses. "Recebemos o encaminhamento por parte da psicóloga para ajudar no tratamento. Nesse curto período, já notamos uma melhora muito grande no comportamento dele, tanto em casa, na escola e aqui mesmo no espaço. Sempre que ele vem é uma diversão, pois ele fica bastante à vontade com a equipe e os instrutores".
A pedagoga Jaqueline Aparecida de França, que é voluntária no projeto, explica que para cada paciente, especialmente crianças, é desenvolvido uma atividade que busca uma melhor interação com o animal.
"Todo mundo é acostumado a ver o pedagogo em sala de aula e na equoterapia, ele ajuda com uma equipe multidisciplinar e para isso não tem lugar melhor lugar que ao ar livre e em contato com a natureza. É uma equipe que visa o bem estar tanto dos pacientes, como dos animais e é fundamental o esforço de cada um aqui para esse projeto dar certo".
Sobre o projeto
O diretor do CRC, Winkler de Freitas Teles, destaca que a ideia do projeto surgiu em 2020, a partir do filme "Rédeas da Redenção", que relata a história de um detento que começa a fazer parte de um programa de terapia reabilitacional com cavalos. Atualmente, há uma fila de espera de 120 pessoas para novos atendimentos.
Ele relembrou que a estrutura da equoterapia do CRC foi toda montada com auxílio dos reeducandos, demais servidores e entidades da sociedade civil organizada.
"Nós vimos uma necessidade de ter este lado social em prol da sociedade cuiabana, de forma gratuita e que pudesse ajudar as pessoas que mais precisam. Os atendimentos da equoterapia são realizados de segunda a sexta-feira, das 17h às 20h", disse o diretor da unidade.
Ainda segundo Winkler, o projeto conta com a parceria da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), da Cavalaria da Polícia Militar, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) e do Poder Judiciário de Mato Grosso.
"Todos contribuíram de alguma forma para fazer esse projeto dar certo. Os reeducandos participaram de cursos com o pessoal da UFMT e do Senar. Toda a estrutura de madeira foi cedida pela Juizado Volante Ambiental (Juvam), enfim, são uma série de esforços que somados, acabaram dando muito certo", finalizou Winkler.
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