Cotidiano

Psicóloga é cassada após escândalo de supostos laudos falsos em caso de abuso sexual em Cuiabá

O caso teve ampla repercussão em Mato Grosso e chegou a ganhar projeção nacional diante da gravidade das acusações e dos desdobramentos judiciais envolvendo a disputa familiar

DA REPORTAGEM/COM CRP-MT/COM GAZETA DIGITAL 15/05/2026
Psicóloga é cassada após escândalo de supostos laudos falsos em caso de abuso sexual em Cuiabá
A decisão administrativa do CRP/MT ainda pode ser objeto de recurso nas instâncias competentes do sistema conselhista | Gazeta Digital

A psicóloga Geise Ramos Machado teve o registro profissional cassado pelo Conselho Regional de Psicologia da 18ª Região (CRP/MT), após processo administrativo que apurou a elaboração de relatórios psicológicos utilizados em um caso de suposta falsa acusação de abuso sexual envolvendo o advogado Alex Sandro Rodrigues Cardoso, em Cuiabá.

Segundo informações constantes no procedimento administrativo do conselho profissional, a penalidade máxima foi aplicada após análise técnica realizada por comissões compostas por cerca de 15 psicólogos, que concluíram pela existência de graves irregularidades na atuação profissional da investigada.

O caso teve ampla repercussão em Mato Grosso e chegou a ganhar projeção nacional diante da gravidade das acusações e dos desdobramentos judiciais envolvendo a disputa familiar.

As investigações conduzidas pela Delegacia da Infância e Juventude de Cuiabá resultaram no arquivamento da acusação criminal inicialmente apresentada. Posteriormente, decisões judiciais e perícias produzidas no curso do processo também reconheceram inconsistências nas acusações formuladas.

Em sentença proferida pela Vara da Infância e Juventude de Cuiabá, a mãe da criança, Jéssica Aparecida Scheremeta Guedes de Castro, servidora pública, foi condenada por prática de alienação parental, em decisão que apontou a utilização indevida das acusações no contexto da disputa familiar.

De acordo com informações divulgadas sobre o caso, o Conselho Regional de Psicologia identificou indícios de atuação dolosa na elaboração dos documentos psicológicos apresentados durante os processos judiciais.

Além da esfera administrativa, os fatos também seguem sob investigação da Polícia Judiciária Civil, que apura eventuais responsabilidades criminais relacionadas às acusações, à produção dos relatórios psicológicos e à atuação de outros profissionais ligados ao caso.

A decisão administrativa do CRP/MT ainda pode ser objeto de recurso nas instâncias competentes do sistema conselhista.

O caso reacende o debate sobre a responsabilidade técnica de profissionais envolvidos em disputas familiares judicializadas, especialmente em situações que envolvem acusações graves, como violência sexual e abuso infantil, temas que exigem rigor técnico, cautela institucional e observância estrita dos protocolos profissionais.