Cotidiano

Apoiado pelo MPT em Mato Grosso, Projeto Ação Integrada qualifica 14 trabalhadores resgatados do trabalho escravo

O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) sediou, na última sexta-feira (18), a formatura de 14 trabalhadores que concluíram o curso de Construção Civil 2026/1 do Projeto Ação Integrada (PAI/MT)

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM MPT-MT 22/09/2026
Apoiado pelo MPT em Mato Grosso, Projeto Ação Integrada qualifica 14 trabalhadores resgatados do trabalho escravo
Além da formação profissional, os trabalhadores participaram de atividades de inclusão digital e escolarização, em uma ação realizada em parceria com o SENAI/MT e a Secretaria de Estado de Educação | MPT-MT

O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) sediou, na última sexta-feira (18), a formatura de 14 trabalhadores que concluíram o curso de Construção Civil 2026/1 do Projeto Ação Integrada (PAI/MT), iniciativa desenvolvida em parceria com o órgão. A cerimônia ocorreu no Auditório João Bosco Penido Burnier, da Procuradoria Regional do Trabalho da 23ª Região (PRT23), em Cuiabá, e marcou o encerramento de uma formação iniciada em junho. 

Em 3 pontos:

  • O MPT-MT sediou a formatura de 14 trabalhadores que concluíram o curso de Construção Civil 2026/1 do Projeto Ação Integrada
  • A formação combinou qualificação profissional, educação e inclusão digital
  • Atuação integrada já resultou em mais de 4,5 mil iniciativas, 3 mil atendimentos e mil trabalhadores qualificados

A mesa foi composta pela procuradora-chefe do MPT-MT, Thaylise Campos Coleta de Souza Zaffani; pelo auditor-fiscal do Trabalho (AFT) Pedro Ricardo Silva Ribeiro; pelas professoras da Universidade Fderal de Mato Grosso (UFMT) Carla Reita Faria Leal e Kelly Pellizari; pelo diretor da Faculdade de Agronomia e Zootecnia da UFMT, professor Marcio Aquio Hoshiba; pela coordenadora de gestão de processos educacionais do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial em Mato Grosso (SENAI/MT), Lediany Laura Araujo de Siqueira Brito; por representantes do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT); e pelos agentes de ação social do PAI/MT Pablo Friedrich Dias Pereira de Oliveira e Carlos Alexandre Maia.A cerimôniaO curso de Construção Civil foi realizado entre junho e setembro deste ano, na Fazenda Experimental da UFMT, em Santo Antônio de Leverger, a 35 km de Cuiabá.

Além da formação profissional, os trabalhadores participaram de atividades de inclusão digital e escolarização, em uma ação realizada em parceria com o SENAI/MT e a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc).

Durante a entrega dos certificados, Zaffani enfatizou que a qualificação representa uma oportunidade de recomeço para os participantes.“Vejo que, aqui entre os formandos, temos pessoas muito jovens, pessoas que já caminharam um pouco mais, mas todos estão na mesma situação: buscando melhorar. Há oportunidades que passam na vida e a gente tem que se agarrar a elas. Essa é uma dessas oportunidades. Para todos vocês, não importa a idade, se jovens, se já estão caminhando ali há mais tempo, que seja apenas um começo. Isso é o mais importante”, afirmou.

Pellizari, por sua vez, destacou a importância da experiência de formação e da convivência entre os participantes.“Foram 90 dias conhecendo pessoas diferentes, convivendo com pessoas diferentes, aprendendo coisas que, às vezes, vocês não sabiam e aprimorando aquilo que, muitas vezes, vocês já traziam na bagagem como profissionais. Que vocês levem desse curso o respeito e a valorização por aprender. É um diferencial que nós vamos levar, é estar sempre aberto a aprender, a tolerar, a respeitar o outro e suas diferenças, naquilo que a gente gosta e, sobretudo, naquilo que a gente não gosta”, afirmou.

Ribeiro ressaltou o significado simbólico da formação.“Vocês, a partir do chão, com os materiais fornecidos, com o conhecimento passado pelo professor e as demais estruturas, conseguiram construir uma edificação. Que vocês conservem esse dia não como o marco de um fim, e sim como o marco de um começo, de um novo começo. E que vocês consigam sempre se projetar e conquistar o lugar de vocês na sociedade”, afirmou.

Friedrich, por fim, destacou que a conclusão do curso representa não apenas o encerramento de uma etapa de formação, mas também a abertura de novas possibilidades para os trabalhadores:“Ver vocês concluindo essa formação mostra que, quando diferentes instituições se unem, é possível transformar oportunidades em novas perspectivas de vida e trabalho."Do resgate à construção de novas trajetóriasCriado em Mato Grosso em 2009 a partir da articulação entre o MPT-MT, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a UFMT, o PAI/MT nasceu com uma proposta que vai além do resgate de trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão.

A iniciativa atua, também, sobre as vulnerabilidades sociais e econômicas que podem favorecer a exploração, combinando qualificação profissional, formação cidadã, acesso a direitos, escolarização e oportunidades de trabalho e renda.

Ao longo de mais de 15 anos, esse trabalho alcançou diferentes regiões de Mato Grosso. Em levantamento divulgado pelo MPT-MT em 2022, o projeto já havia realizado ações em 91 dos 141 municípios do estado, com 64 cursos e 2.817 trabalhadores abordados desde 2009.

Os dados mais recentes apresentados pelo PAI/MT mostram a ampliação dessa trajetória: são mais de 4,5 mil iniciativas, 3 mil atendimentos e mais de mil trabalhadores qualificados. As formações incluem áreas como operação de máquinas e implementos agrícolas, escavadeira hidráulica, mecânica e manutenção de motores a diesel e construção civil.