Cotidiano
FIM DA ESPERA EM CUIABÁ: PAPA LEÃO XIV ESCOLHE DOM WELLINGTON PARA COMANDAR ARQUIDIOCESE E INAUGURA NOVA ERA NA IGREJA CATÓLICA
Após mais de cinco meses sem arcebispo titular, Vaticano anuncia nomeação de religioso de 58 anos, com formação em Roma, experiência pastoral e atuação nacional na proteção de menores; escolhido sucede Dom Mário Antônio da Silva
Uma decisão tomada pelo Papa Leão XIV, diretamente do Vaticano, marca o início de um novo capítulo na história da Igreja Católica em Mato Grosso. Depois de mais de cinco meses de expectativa, a Arquidiocese de Cuiabá finalmente conheceu seu novo líder espiritual. O escolhido é Dom Wellington de Queiroz Vieira, de 58 anos, nomeado nesta quarta-feira (14) para assumir o posto deixado por Dom Mário Antônio da Silva, transferido para a Arquidiocese de Aparecida, no interior de São Paulo.
A nomeação põe fim a um período de vacância iniciado em maio deste ano e representa uma importante mudança na liderança da Igreja Católica na capital mato-grossense. Até então, a Arquidiocese estava sob administração temporária do padre Deusdédit Monge de Almeida, responsável pela condução das atividades eclesiásticas durante a ausência de um arcebispo titular.
A escolha de Dom Wellington, que deixa a Diocese de Cristalândia, no Tocantins, foi oficialmente anunciada pela Santa Sé e confirmada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O religioso assume a missão de conduzir uma das mais tradicionais instituições religiosas de Mato Grosso, com o desafio de fortalecer a evangelização, ampliar o diálogo com a sociedade e dar continuidade aos trabalhos pastorais desenvolvidos por seus antecessores.
Nascido em 11 de julho de 1968, em Tocantinópolis, no Tocantins, Dom Wellington construiu uma trajetória marcada pela dedicação à Igreja, pela formação intelectual e pelo exercício de importantes funções eclesiásticas. Estudou Filosofia no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, e Teologia no Seminário Arquidiocesano São José, no Rio de Janeiro. Foi ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 1996 e aprofundou seus estudos em Roma, onde obteve formação avançada em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense e em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana.
Antes de alcançar o episcopado, atuou como diretor da Escola São Miguel Arcanjo, em Xambioá, e exerceu o sacerdócio em diversas paróquias do Tocantins, especialmente em Araguaína. Também ocupou funções estratégicas na administração da Igreja, como ecônomo diocesano, juiz auditor da Câmara Eclesiástica, integrante do Colégio de Consultores e membro do Conselho Presbiteral.
Sua trajetória ganhou projeção em novembro de 2016, quando foi escolhido pelo Papa Francisco para ser o quinto bispo prelado de Cristalândia. A ordenação episcopal ocorreu em fevereiro de 2017. Dois anos depois, em julho de 2019, com a elevação da Prelazia de Cristalândia à condição de diocese, tornou-se seu primeiro bispo diocesano, consolidando uma caminhada de liderança religiosa no Tocantins.
Outro aspecto de destaque no currículo do novo arcebispo é sua atuação na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Dom Wellington preside a Comissão Especial para a Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis da CNBB, área que ganhou importância nos últimos anos diante da necessidade de fortalecer mecanismos de prevenção, acolhimento e enfrentamento de abusos no ambiente eclesiástico.
A experiência nessa área acrescenta uma dimensão relevante à sua chegada a Cuiabá, especialmente em um momento no qual a Igreja Católica busca reforçar sua atuação institucional, a proteção de pessoas vulneráveis e a confiança de suas comunidades.
A chegada de Dom Wellington representa mais do que uma simples substituição na estrutura hierárquica da Igreja. Sua nomeação abre uma nova etapa pastoral para a Arquidiocese de Cuiabá, que possui forte presença histórica, religiosa e social na capital e em municípios da região.
O novo arcebispo encontrará uma comunidade católica com tradições profundamente enraizadas na história mato-grossense, marcada pela devoção ao Senhor Bom Jesus de Cuiabá, padroeiro da Arquidiocese, e pela atuação de paróquias, pastorais, movimentos religiosos e instituições sociais.
Entre as expectativas que cercam sua missão estão o fortalecimento das vocações sacerdotais, o incentivo à participação dos fiéis, a valorização das ações sociais e a aproximação da Igreja com as realidades enfrentadas pelas famílias, jovens e comunidades mais vulneráveis.
Ao anunciar a escolha, a CNBB manifestou alegria pela nomeação e reafirmou sua comunhão com o novo arcebispo. A entidade também destacou a missão episcopal de anunciar o Evangelho e conduzir espiritualmente o povo católico, confiando o ministério de Dom Wellington à proteção do Senhor Bom Jesus de Cuiabá.
A nomeação ocorre, simbolicamente, no mesmo dia em que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil celebra 74 anos de sua criação.
O lema episcopal de Dom Wellington, “Misericors et justus” — “Misericordioso e justo”, inspirado no Salmo 112, sintetiza os princípios que orientam sua caminhada religiosa e poderá marcar sua atuação à frente da Arquidiocese de Cuiabá.
Com a decisão do Papa Leão XIV, a Igreja Católica mato-grossense encerra um período de espera e inicia a preparação para receber seu novo pastor. A nomeação já está oficializada, mas a posse canônica e o início formal de seu governo pastoral dependem dos procedimentos e da programação a serem anunciados pela Arquidiocese.
Agora, os olhares dos católicos de Cuiabá se voltam para a chegada de Dom Wellington, que terá pela frente a responsabilidade de conduzir uma instituição de enorme importância para a fé, a história e a vida social de Mato Grosso.
Depois de cinco meses sem arcebispo titular, uma nova página começa a ser escrita na história da Igreja de Cuiabá.