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DA OSTENTAÇÃO À APREENSÃO: POLÍCIA LEVA CARRÕES DE CASAL DE VG E INVESTIGA R$ 102 MILHÕES EM APOSTAS ILEGAIS

Operação Aposta Final atinge influenciadora Fernanda Matos e marido, Diego Matos, conhecido como “O Gatto”; veículos de luxo, viagens internacionais e movimentações financeiras milionárias estão no centro das investigações

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 14/10/2026
DA OSTENTAÇÃO À APREENSÃO: POLÍCIA LEVA CARRÕES DE CASAL DE VG E INVESTIGA R$ 102 MILHÕES EM APOSTAS ILEGAIS
Ao longo da manhã, imagens de veículos sendo retirados da residência do casal ganharam repercussão. A Polícia Civil apreendeu automóveis de alto valor e ampliou o cerco patrimonial | PC-MT

O que antes era exibido nas redes sociais como uma rotina de sucesso, viagens internacionais, veículos de luxo e conquistas empresariais tornou-se alvo de uma investigação milionária da Polícia Civil de Mato Grosso. A influenciadora digital Fernanda Matos, de Várzea Grande, e seu marido, o empresário Diego Matos, conhecido como “O Gatto”, foram surpreendidos na manhã desta quarta-feira (14) pela Operação Aposta Final, que investiga a divulgação de plataformas ilegais de jogos de azar e suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo movimentações superiores a R$ 102,4 milhões.

Ao longo da manhã, imagens de veículos sendo retirados da residência do casal ganharam repercussão. A Polícia Civil apreendeu automóveis de alto valor e ampliou o cerco patrimonial contra os investigados. Entre os bens atingidos pelas medidas judiciais estão duas caminhonetes Toyota Hilux, uma Volkswagen Saveiro e um Volkswagen Nivus GTS.

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Um dos detalhes revelados após a deflagração da operação chamou ainda mais a atenção: segundo o delegado Igor Sassaki, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), um dos veículos apreendidos possuía equipamentos de som automotivo avaliados em mais de R$ 150 mil, utilizados também nas atividades de divulgação realizadas pelo casal.

Mas o principal foco da investigação está muito além dos carros e da ostentação nas redes sociais. O que a Polícia Civil tenta esclarecer é como uma empresa relacionada às plataformas de apostas divulgadas pela influenciadora conseguiu movimentar mais de R$ 102,4 milhões em aproximadamente 60 dias, entre 14 de maio e 12 de julho deste ano.

Segundo os investigadores, a movimentação envolvia entradas e saídas sucessivas de dinheiro, transferências bancárias e pagamentos via Pix relacionados a plataformas de jogos on-line. As operações financeiras levantaram suspeitas de que estruturas empresariais poderiam estar sendo utilizadas para receber e redistribuir recursos provenientes das apostas.

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A investigação teve início em agosto, após uma denúncia anônima apontar a possível atuação de uma facção criminosa em atividades envolvendo apostas digitais e lavagem de dinheiro. Entretanto, o delegado Igor Sassaki esclareceu que a Polícia Civil ainda não possui comprovação de ligação do casal com organização criminosa, sendo essa uma das hipóteses que serão aprofundadas com os elementos recolhidos durante a operação.

Com mais de 50 mil seguidores no Instagram, Fernanda Matos construiu uma presença digital marcada por publicações sobre viagens internacionais, festas, eventos, momentos familiares e atividades empresariais. Apresentando-se como jornalista, pós-graduada em Marketing e proprietária de um salão de beleza, a influenciadora também compartilhava mensagens motivacionais e registros de suas participações em eventos de rodeio.

O marido, Diego Matos, conhecido como “O Gatto”, também mantém presença nas redes sociais, nas quais divulga a rotina familiar e suas atividades empresariais. Proprietário de um açougue, ele chegou a receber um reconhecimento como empresário de destaque em Mato Grosso.

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A exposição pública de um estilo de vida confortável passou a integrar o contexto da investigação depois que os policiais identificaram veículos de alto valor, imóvel residencial e gastos com viagens internacionais considerados incompatíveis com os rendimentos lícitos declarados pelos envolvidos.

A Polícia Civil busca agora identificar a origem dos recursos utilizados na formação desse patrimônio e verificar se existe relação entre os bens e as movimentações financeiras suspeitas.

O fato de possuir veículos caros, realizar viagens ou ostentar patrimônio, isoladamente, não configura crime. A suspeita policial está relacionada à possível incompatibilidade patrimonial e às transações financeiras investigadas.

A ofensiva da Polícia Civil foi autorizada pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias, Polo Cuiabá, e envolveu 19 ordens judiciais, incluindo três mandados de busca e apreensão domiciliar, medidas sobre quatro veículos, bloqueio de ativos financeiros e restrições ao funcionamento de empresas investigadas.

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A Justiça autorizou o bloqueio de valores até o limite global de R$ 102,4 milhões em contas dos investigados. Isso não significa, entretanto, que toda essa quantia tenha sido efetivamente encontrada ou bloqueada, mas representa o teto judicial estabelecido para a indisponibilidade de recursos.

As determinações também atingiram duas empresas suspeitas de funcionar como canais de recebimento e movimentação de valores vinculados às apostas. Conforme a investigação, os pagamentos efetuados pelos usuários eram direcionados, via Pix, a empresas que não constavam na lista de operadoras autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

Os mandados foram cumpridos em endereços vinculados aos investigados em Várzea Grande e Cuiabá, incluindo a residência do casal, um salão de beleza e um açougue.

A Justiça ainda determinou medidas para interromper a divulgação das apostas, incluindo o bloqueio de um site, a exclusão de perfis em redes sociais e a proibição de Fernanda criar ou utilizar contas digitais para promover jogos e apostas relacionados às atividades investigadas.

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Apesar da repercussão da operação, a investigação está longe de ser considerada encerrada. O trabalho da GCCO e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) pretende reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro, identificar os responsáveis pelas plataformas de apostas e verificar se houve utilização de empresas para ocultar ou dissimular recursos de origem ilícita.

A análise de aparelhos eletrônicos, documentos, registros financeiros e dados telemáticos poderá ajudar a esclarecer se existem outros participantes na estrutura investigada.

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Outro ponto que ainda exige apuração é a eventual ligação entre as movimentações financeiras e integrantes de facções criminosas. A hipótese constava na denúncia que originou o procedimento policial, mas, conforme esclarecimento do delegado responsável, ainda não foi comprovada.

A Operação Aposta Final evidencia a crescente atenção das autoridades sobre a divulgação de plataformas clandestinas de apostas, especialmente quando influenciadores digitais utilizam sua popularidade para direcionar seguidores a sites que operam fora das exigências legais.

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No caso de Fernanda e Diego Matos, o contraste entre a exposição pública da vida de luxo e as suspeitas financeiras transformou a investigação em um dos assuntos policiais de maior repercussão desta quarta-feira em Várzea Grande.

Agora, o desafio dos investigadores será estabelecer a efetiva participação de cada envolvido, a origem dos recursos movimentados e a eventual ocorrência de crimes de lavagem de dinheiro e exploração ilegal de jogos de azar.

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A operação não representa condenação antecipada. Fernanda e Diego permanecem na condição de investigados, com direito à presunção de inocência, ao contraditório e à ampla defesa. O Página 12 mantém espaço aberto para manifestações dos investigados e de seus representantes legais.

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