Economia e Negócios
Ibovespa bate os 170 mil pontos pela 1ª vez na história, de olho em Davos e Will Bank; dólar cai
Na véspera, a moeda americana subiu 0,30%, cotada a R$ 5,3802. Já a bolsa encerrou em alta de 0,87%, aos 166.277 pontos
O Ibovespa bateu os 170 mil pontos pela primeira vez na história nesta quarta-feira (21), impulsionado pela entrada de investidores estrangeiros e pela valorização das ações de grandes empresas brasileiras.
Por volta das 14h550, o principal índice da bolsa subia cerca de 2,26%, aos 170.027 pontos, enquanto o dólar operava em queda de 0,96%, cotado a R$ 5,3287.
Sem grandes destaques na agenda econômica, o mercado voltou a atenção para o noticiário político e corporativo. No exterior, investidores acompanharam o discurso de Donald Trump, em Davos. No Brasil, pesou a decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controladora do Will Bank e instituição pertencente ao conglomerado do Banco Master.
▶️ No exterior, as atenções estavam voltadas para as novas falas do presidente americano, Donald Trump. Durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o republicano voltou a pressionar a Europa e os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para a aquisição da Groenlândia.
- A participação de Trump no Fórum acontece em um momento de tensões diplomáticas entre os EUA e líderes europeus. Na véspera, o republicano elevou o tom ao ameaçar tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franeses, após Emmanuel Macron rejeitar integrar o "Conselho de Paz" proposto para Gaza. Antes, o presidente americano também já havia anunciado uma taxa de 10% sobre os países contrários à anexação da ilha do Ártico pelos EUA.
▶️ Ainda nos EUA, a Suprema Corte realiza desde o meio‑dia uma audiência sobre a tentativa de Trump de demitir Lisa Cook da diretoria do Federal Reserve (Fed). O caso pode abrir precedente jurídico e colocar à prova a independência do banco central americano.
▶️ As crescentes tensões entre os EUA e a Europa também trouxe cautela para os mercados acionários e fez com que investidores passassem a olhar outros mercados, o que beneficiou o Brasil e ajuda a explicar parte da forte alta registrada no Ibovespa nesta quarta-feira.
“Parte desse fluxo veio para o Brasil, onde as maiores empresas — as chamadas blue chips, como Itaú, Vale, Bradesco, Eneva e Petrobras — são vistas como mais resilientes”, afirma Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, destacando que pesquisas eleitorais também ficam no radar.
▶️ No noticiário doméstico, o Banco Central decretou nesta quarta a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controladora do Will Bank, sediada em São Paulo e integrante do grupo Banco Master. Segundo o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a estimativa é que os pagamentos aos clientes da instituição alcancem os R$ 6,3 bilhões.
- Segundo o BC, a medida foi tomada por causa do comprometimento da situação econômica da instituição e da incapacidade de honrar dívidas, em razão do vínculo de interesse e da influência exercida pelo Banco Master, liquidado em novembro.
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Tensão EUA-Europa
A tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de incorporar a Groenlândia ao território americano abriu uma frente inédita de tensão entre Washington e a União Europeia.
A ilha, localizada no Ártico e pertencente à Dinamarca, tornou-se o centro de um embate político. Países europeus já planejam reações coordenadas, preocupados com possíveis desdobramentos diplomáticos e econômicos.
As tensões chegaram ao ápice após o presidente americano anunciar, no último sábado (17), uma tarifa de 10% sobre oito países europeus contrários ao plano de anexação da ilha pelos EUA.
- 👉 Com as ameaças feitas por Trump, a União Europeia passou a discutir respostas para diferentes cenários, incluindo medidas de retaliação. Autoridades do bloco classificaram a postura americana como inadequada, sobretudo pelo uso de tarifas comerciais como instrumento de pressão entre aliados.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que esse tipo de estratégia não contribui para resolver disputas dentro de uma aliança e ressaltou que uma guerra tarifária não atende aos interesses de nenhuma das partes.
As críticas se estenderam a outros governos europeus. Ministros das Finanças que participaram de reuniões em Bruxelas falaram em decisões “irresponsáveis” e defenderam uma reação firme e coordenada do bloco.
“A soberania e a integridade territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca são inegociáveis”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante discurso no Fórum Econômico Mundial nesta terça-feira.
"As tarifas propostas são um erro, especialmente entre parceiros de longa data", completou.
A Alemanha, por sua vez, indicou que não aceitará chantagens e lembrou que a União Europeia dispõe de diferentes instrumentos de resposta.
Além disso, o presidente francês, Emmanuel Macron, enviou uma mensagem direta a Trump demonstrando perplexidade com a ofensiva contra a Groenlândia.
"Não entendo o que você está fazendo em relação à Groenlândia", escreveu Macron.
A conversa, tornada pública pelo próprio presidente americano, antecedeu a convocação de uma reunião de emergência dos líderes europeus, marcada para quinta-feira (22), em Bruxelas. Macron também sugeriu um encontro do G7 em Paris, sinalizando a busca por uma saída diplomática para a crise.
Bolsas globais
Em Wall Street, as bolsas dos Estados Unidos operavam em leve alta nesta quarta-feira, depois de um forte dia de queda, o pior dos últimos três meses, segundo informações da Reuters.
Donald Trump tranquilizou o mercado após dizer, em Davos, que não pretende usar a força para tentar assumir o controle da Groenlândia, embora tenha defendido negociações para a compra do território.
Mesmo com essa recuperação, os investidores seguem cautelosos, já que o presidente dos EUA voltou a falar em impor tarifas a países aliados, o que pode reacender tensões comerciais.
No setor corporativo, algumas grandes empresas, como Nvidia e Tesla, se recuperaram após as perdas do dia anterior. Já ações de companhias aéreas subiram com previsões mais otimistas, enquanto papéis de outras empresas caíram por decisões estratégicas ou resultados financeiros.
Além da política, o mercado acompanha a divulgação de dados importantes da economia americana e balanços de grandes empresas, que ajudam a indicar o ritmo do crescimento e da inflação nos EUA.
Na abertura do mercado, S&P 500 subia 0,30%, o Nasdaq avançava 0,21% e o Dow Jones tinha alta de 0,33%.
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Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters