Economia e Negócios

Guerra faz países olharem para petróleo do Brasil, diz presidente do IBP

Roberto Ardenghy relata que países asiáticos estão em busca de alternativas à dependência do óleo da região, buscando segurança energética e diversificação das fontes de suprimento

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 11/04/2026
Guerra faz países olharem para petróleo do Brasil, diz presidente do IBP
Países estão olhando para o Brasil com essa perspectiva de médio prazo, segundo presidente do IBP | Ilustração gerada por IA

choque de energia causado pela guerra no Oriente Médio tem feito feito os países do mundo todo a considerarem alternativas ao petróleo da região.

O que as nações buscam é "segurança energética e diversificação das fontes de suprimento", indicou à reportagem Roberto Ardenghy, presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

Após viagem recente à Ásia, Ardenghy relatou ao CNN Money ter sentido "os países asiáticos em busca de alternativas a essa dependência que tinham" do óleo do Oriente Médio.

Cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente passa pelo Estreito de Ormuz, segundo a EIA (Administração de Informação Energética dos Estados Unidos).

Desde o dia 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, a Guarda Revolucionária tem restringido o trânsito pela via marítima, que é banhada por águas iranianas.

Os dados da EIA apontam para grande dependência dos asiáticos deste petróleo. A agência norte-americana indica que, de todo o petróleo que sai de Ormuz, os principais consumidores são:

  • China: 33%;
  • Índia: 13%;
  • Japão: 11%;
  • Coreia do Sul: 11%;
  • Demais países asiáticos: 15%.

Os EUA, a Europa e outras nações consomem menos de 20% do petróleo que sai dali.

Durante a passagem pela Ásia, onde esteve com executivos da Malásia e do Japão, por exemplo, Ardenghy afirmou que o Brasil está "ocupando a cabeça dos dirigentes que fazem planejamento energético no mundo inteiro".

Contudo, os projetos petrolíferos não maturam do dia para noite no país. Licenciamento ambiental burocrático e perfuração em águas profundas são processos mais demorados característicos da produção brasileira.

O presidente do IBP compara: nos EUA, a estrutura para extrair petróleo em terra firme fica pronta em torno de seis meses. No Brasil, a operação off shore leva de três a quatro anos para produzir o primeiro óleo.

"Alguns projetos podem aumentar, mas a grande flexibilidade se dá em três a quatro anos", pontua Ardenghy.

Ainda assim, os "países estão olhando para o Brasil com essa perspectiva de médio prazo", conta o executivo, ressaltando que somos vistos como um "país estável por estar distante de conflitos e tensões geopolíticas e com reservas significativas, podendo ser considerado como fornecedor".

"Agora a gente tem que ter foco, continuar fazendo os investimentos e buscar um regime regulatório estável para fazer prosperar no longo prazo. Vamos ter concorrentes", conclui o presidente do IBP.