Polícia
PF aponta deputado estadual como operador financeiro de desembargador em esquema investigado de venda de decisões judiciais
As informações constam da Operação Gemini, deflagrada nesta segunda-feira (8), por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e que teve como alvos o magistrado, o parlamentar e outros investigados
A Polícia Federal apontou o deputado estadual Faissal Calil (PL) como responsável por operacionalizar movimentações financeiras e patrimoniais atribuídas ao desembargador afastado Dirceu dos Santos, investigado por suposto envolvimento em um esquema de venda de decisões judiciais em Mato Grosso.
As informações constam da Operação Gemini, deflagrada nesta segunda-feira (8), por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e que teve como alvos o magistrado, o parlamentar e outros investigados.
Segundo a PF, Dirceu dos Santos teria utilizado uma complexa estrutura financeira e patrimonial para ocultar o recebimento de supostas vantagens indevidas. No centro dessa engrenagem, de acordo com os investigadores, estaria Faissal Calil, apontado como pessoa de confiança do desembargador e responsável por auxiliar na operacionalização de negócios, movimentações financeiras e transações patrimoniais.
A investigação foi construída com base em relatórios de inteligência financeira, dados extraídos de aparelhos celulares e informações compartilhadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Conforme a Polícia Federal, a quebra de sigilos e a análise das movimentações bancárias revelaram depósitos e saques em espécie que ultrapassariam R$ 3,2 milhões, além de transferências realizadas por empresas ligadas ao agronegócio que possuíam processos em tramitação no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Os investigadores sustentam que parte das operações teria sido utilizada para conferir aparência de legalidade a recursos cuja origem é alvo de apuração.
A proximidade entre Faissal e Dirceu também é destacada no relatório. O parlamentar trabalhou no gabinete do desembargador antes de ingressar na política. Para a PF, essa relação teria sido relevante para a estrutura investigada.
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A Operação Gemini recebeu esse nome em referência à expressão latina para "gêmeos". Segundo a Polícia Federal, a denominação simboliza a atuação paralela descrita na investigação, na qual um dos agentes exerceria funções na esfera institucional enquanto o outro atuaria na operacionalização financeira e patrimonial das transações sob suspeita.
Após ser alvo de busca e apreensão, Faissal negou qualquer irregularidade e afirmou estar tranquilo em relação às investigações.
"Pode investigar o que for. Eu estou muito tranquilo. Não tem nenhuma transação minha com ele. Desde que virei deputado, perdi todo o contato e simplesmente me afastei", declarou o parlamentar à imprensa.
Até o momento não há condenação dos investigados. As apurações seguem em andamento e todos permanecem amparados pelo princípio constitucional da presunção de inocência.