Mundo
Como tecnologia está ajudando a Ucrânia a resistir ao avanço russo
Dentro de bunkers e a quilômetros de distância, comandantes coordenam artilharia com o auxílio de drones
03/12/2022
Condições adversas
Alguns soldados russos descreveram baixas significativas, embora o Ministério da Defesa do país tenha pontuado no início deste mês que as perdas “não excederam 1% da força de combate e 7% dos feridos”. Cada canto do centro de comando subterrâneo é ocupado – por quadros brancos registrando abates, camas de dormir, caixas de drones esperando para serem configurados. “As estradas estão lamacentas. Não podemos evacuar os feridos rápido o suficiente e entregar munição”, adverte Petro. Os comandantes ucranianos também reclamam da falta de comunicação entre as unidades e da falta de oficiais de escalão inferior suficientes para manter os soldados motivados e na luta após meses de guerra extenuante. Voltando ao campo de batalha, mais à frente, em uma linha de árvores que faz fronteira com terras agrícolas, está a unidade de artilharia ucraniana, conectada por telefone com o centro de comando. Tuman, o comandante do pelotão, recebe as coordenadas em um celular em uma das mãos e as anota em um caderno que segura na outra. Ele as grita, e um soldado as repete de volta antes de mirar a peça de artilharia da era soviética que eles agora carregam com projéteis de fabricação polonesa. Com o puxão de uma corda, as folhas de outono são sacudidas do solo quase congelado e um projétil assobia em direção ao horizonte. “Nosso Estado-maior tenta fornecer o maior número possível de munições, mas entendemos que estamos com pouco calibre. Mas você consegue o que é possível”, destaca Tuman na relativa segurança de uma trincheira próxima. Ele afirma que a precisão da artilharia russa se deteriorou ao longo do ano, pois as forças ucranianas prejudicaram a capacidade do inimigo de realizar reconhecimento aéreo. “A precisão deles caiu, mas seus projéteis estão voando sobre nós o tempo todo”, ressalta. Em outro centro de comando subterrâneo, mais ao sul da região de Donetsk, outro grupo de soldados olha para seu próprio conjunto de telas. O comandante deles, Pavlo, nos afirma que eles contabilizam dezenas de baixas diárias. “Veículos e munições são expansíveis. Tentamos não contá-los e usamos o quanto precisamos para impedir o avanço do inimigo. A única coisa que não podemos recuperar são vidas humanas”, observa. Mas ele está otimista sobre esse custo. “Não há guerra sem vítimas. Se resistirmos e não quisermos que os russos capturem nosso território, precisamos lutar. Se lutarmos, sofreremos baixas. Essas baixas são justificadas e inevitáveis”, pondera.Mais lidas
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