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'Forte cheiro de pólvora' e árvores no chão: moradores no norte da Venezuela falam de suposta explosão há duas semanas

Os relatos da explosão no município de Guajira, no estado de Zulia, geraram especulações dentro e fora da Venezuela sobre se o local teria sido alvo de uma operação dos Estados Unidos

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM BBC NEWS 03/01/2026
'Forte cheiro de pólvora' e árvores no chão: moradores no norte da Venezuela falam de suposta explosão há duas semanas
Vestígios da suposta explosão na cidade de Poolosü, na Venezuela | Reprodução
  1. Três pescadores descansavam sob um telhado de palha na tarde de 18 de dezembro quando foram surpreendidos por um forte estrondo no povoado de Poolosü, parte do município venezuelano de Guajira.
  2. Assustados, eles buscaram abrigo em uma espécie de barraco onde costumavam guardar redes de pesca e outros equipamentos de trabalho.No entanto, ao chegar lá, constataram que o barraco havia sido destruído.
  3. E perceberam que um outro local próximo, uma estrutura feita de madeira e folhas de palmeira usada como depósito, havia sido o epicentro da explosão."Pensamos que tivesse sido um raio", disse uma das testemunhas à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).Entretanto, ao se depararem com destroços de objetos, perceberam que provavelmente não se tratava de um desastre natural.
  4. Os relatos da explosão no município de Guajira, no estado de Zulia, geraram especulações dentro e fora da Venezuela sobre se o local teria sido alvo de uma operação dos Estados Unidos.Isto porque, pouco depois, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu país havia realizado, alguns dias antes, seu primeiro ataque terrestre em solo venezuelano.
  5. Neste sábado (3/1), Donald Trump confirmou um outro ataque à Venezuela, desta vez em grande escala. Segundo o americano, o presidente venezuelano Nicolás Maduro foi capturado, junto com sua esposa, e retirado do país por via aérea.
  6. Explosões foram ouvidas e fumaça pôde ser vista subindo sobre a capital venezuelana, Caracas, na madrugada deste sábado. Vídeos gravados por moradores mostravam colunas de fumaça e detonações, além de algumas aeronaves voando a baixa altitude.
  7. O primeiro ataque
  8. Os relatos sobre o suposto primeiro ataque americano, porém, foram mais confusos e cheio de mistério."O cheiro de pólvora era forte", lembra uma das testemunhas, do grupo indígena Wayuu, que habita predominantemente esta cidade no noroeste do país, na fronteira com a Colômbia e às margens do Golfo da Venezuela.
  9. A testemunha pediu para não ser identificada, por medo de represálias."Encontramos pedaços de metal com inscrições em inglês", diz a testemunha, membro de uma comunidade que fala principalmente Wayuunaiki, a língua dos Wayuu, e um pouco de espanhol.
  10. A BBC News Mundo confirmou que o local atingido por uma explosão permanece em estado semelhante ao descrito pelos pescadores: árvores e galhos quebrados; folhas de palmeira espalhadas em um raio de 30 metros; e destroços no chão, com o mar a poucos passos de distância.Há fragmentos e restos metálicos acinzentados espalhados pela areia, que os moradores locais especulam serem partes de um possível artefato explosivo."Eu senti o forte impacto, mas não sabíamos de onde veio", contou outro pescador.
  11. Uma reportagem publicada em 30 de dezembro pela rede americana NBC afirmou que duas testemunhas da comunidade Wayuu descreveram uma explosão ocorrida em 18 de dezembro na cidade costeira como "misteriosa" e "inexplicável".Mas a NBC reconheceu que não é possível estabelecer uma ligação direta entre a explosão e a fala de Donald Trump sobre um primeiro ataque americano em solo venezuelano — que, de acordo com ele, teria causado "uma grande explosão" em uma área portuária.
  12. Segundo o presidente americano, barcos estavam sendo carregados com drogas na área atacada.Imagens divulgadas pela NBC mostraram o que parecem ser fragmentos acinzentados de um míssil, marcados com números e a palavra em inglês "warning" (algo como "aviso" ou "advertência").Uma fonte disse à emissora americana que a explosão foi tão forte que vários parentes perderam a audição por algumas horas.
  13. ´Pensamos que tivesse sido um raio', disse testemunha à BBCIncógnitas sobre o ataque americanoTrump anunciou que os EUA teriam feito o suposto primeiro ataque terrestre à Venezuela em 26 de dezembro, durante entrevista ao bilionário John Catsimatidis, seu apoiador.Dias depois, o presidente americano repetiu a afirmação, durante uma reunião com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.Reportagens subsequentes da CNN e do The New York Times afirmaram que a agência de inteligência dos EUA, a CIA, confirmou que o ataque foi realizado com um drone.
  14. Nem o presidente Nicolás Maduro nem outros membros do governo venezuelano comentaram as declarações de Trump sobre o suposto ataque."Esse pode ser um assunto que discutiremos em alguns dias", disse Maduro na quinta-feira (01/01), quando questionado sobre o assunto em entrevista ao jornalista espanhol Ignacio Ramonet, transmitida pelo canal VTV."O que posso dizer é que o sistema de defesa nacional, que combina forças populares, militares e policiais, garantiu e continua a garantir a integridade territorial, a paz do país e o uso e gozo de todo o nosso território.".Maduro acrescentou estar, naquele momento, aberto a conversas "sérias" com os Estados Unidos sobre acordos relacionados a petróleo, migração e combate ao narcotráfico.
  15. Nem Maduro nem outros membros de seu governo comentaram o suposto ataque terrestre americanoAo longo de semanas, Trump alertou que ataques terrestres no país sul-americano aconteceriam "em breve" e seriam "mais fáceis" do que bombardear barcos carregados de drogas no Caribe.Em agosto, Trump ordenou um deslocamento sem precedentes das forças armadas americanas em direção ao Mar do Caribe, com a justificativa de impedir o envio de drogas para os Estados Unidos.A operação envolve milhares de militares e dezenas de caças e navios de guerra — incluindo o maior e mais poderoso porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford.Forças americanas já atacaram 35 embarcações e mataram mais de 100 tripulantes na costa norte da Venezuela e no Oceano Pacífico, segundo o Departamento de Defesa dos EUA, chefiado por Pete Hegseth.Somente entre 30 e 31 de dezembro, os EUA dizem ter destruído cinco embarcações e matado oito pessoas.
  16. A pressão militar dos Estados Unidos contra Maduro, a quem o Secretário de Estado Marco Rubio chama de governante "ilegítimo", também inclui sanções individuais contra familiares e membros do círculo íntimo do poder político em Caracas.Envolve ainda a apreensão de petroleiros que fariam parte de uma frota fantasma com a qual a Venezuela tentaria burlar sanções econômicas impostas pelos EUA.'Trump precisa explodir alguns alvos na Venezuela ou parecerá fraco', diz ex-embaixador dos EUA31 dezembro 2025Trump afirma que EUA destruíram instalações para drogas na Venezuela29 dezembro 2025Presença do tráfico de drogas na regiãoCrédito,CortesíaLegenda da foto,Espalhados pela areia, fragmentos de metal acinzentado podem ser parte de material explosivo, acreditam moradores locaisCaças da Força Aérea Venezuelana sobrevoaram Guajira no dia seguinte à suposta explosão de dezembro, segundo testemunhas e moradores de Poolosü relataram à BBC News Mundo.
  17. Militares em terra também coletaram evidências e agentes de serviço de inteligência permanceram na área por três dias, disseram os entrevistados.O local da suposta explosão fica a poucos minutos de um posto da Guarda Nacional Bolivariana na cidade de Cojoro e a poucos quilômetros de dois batalhões do Exército.Desde então, pescadores locais ficaram com medo de ir para o mar, onde dizem que a situação está "tensa" e que pode haver novos ataques.Moradores do povoado dizem que queriam que a imprensa cobrisse imediatamente a suposta explosão no local, mas o acesso à área é difícil não só devido ao terreno, mas também pelo controle exercido por grupos criminosos e cartéis de drogas.A comunidade relata que a área se tornou um porto de tráfico de drogas "há meses", operando sob o olhar atento do Clã do Golfo e de organizações criminosas mexicanas.
  18. Autoridades venezuelanas garantiram aos moradores que o ataque de 18 de dezembro foi realizado por elas em sua luta contra o narcotráfico, mas os moradores duvidam dessa versão.Segundo estes, membros das Forças Armadas Bolivarianas têm feito mais perguntas do que dado respostas."O Exército esteve aqui interrogando todos que trabalham com a pesca e recolheu todas as provas como se estivesse investigando. Por isso, acreditamos que não foram eles que realizaram o ataque", disse uma mulher que relata ter ouvido a explosão.Crédito,CortesíaLegenda da foto,Moradores locais dizem que gostariam que a imprensa tivesse estado mais presente para cobrir a suposta explosão, mas região tem difícil acesso e controle de grupos criminososIncêndio em empresa química.
  19. Outra possível ocorrência que foi vinculada às declarações de Trump foi um incêndio que começou na madrugada de 24 de dezembro em uma empresa química no município de San Francisco, também no estado de Zulia.A Primazol, que importa insumos químicos para laboratórios farmacêuticos e para os setores de nutrição animal, alimentos e bebidas, negou os rumores de que suas instalações teriam sido atacadas e atribuiu o incidente a uma falha em sua fiação elétrica.A empresa, localizada a cerca de 7 km da margem oeste do Lago Maracaibo — um dos maiores lagos das Américas, com acesso ao Golfo da Venezuela e ao Mar do Caribe —, divulgou imagens de câmeras de segurança mostrando como o incêndio começou em um de seus armazéns e os esforços dos bombeiros.
  20. As especulações sobre o suposto envolvimento da Primazol em operações de narcotráfico foram alimentadas no dia seguinte pelo presidente colombiano Gustavo Petro, que afirmou que uma "fábrica" ​​na região servia ao grupo guerrilheiro ELN e havia sido alvo de ataques das forças militares americanas."Sabemos que Trump bombardeou uma fábrica em Maracaibo. Tememos que estejam misturando pasta de coca para produzir cocaína e se aproveitando da localização às margens do Lago Maracaibo", escreveu Petro em 30 de dezembro em sua conta no Twitter."É simplesmente o ELN. O ELN, com seu narcotráfico e ideologia dogmática, está permitindo a invasão da Venezuela", acrescentou.
  21. O grupo guerrilheiro surgiu na década de 1960 e é acusado pela oposição de conluio com o governo de Nicolás Maduro em atividades ilícitas, como a mineração ilegal nos estados do sul.A Primazol respondeu ao presidente colombiano, afirmando que não fabrica nem embala "qualquer tipo de narcótico" e pedindo que o mandatário parasse de "difamar" seu nome.Nas praias de Poolosü, a comunidade só quer que "a verdade venha à tona"."Estamos com medo", confessou uma das testemunhas sobre a explosão que abalou aquela tarde tranquila do mês passado.
  22. 'Profundamente preocupante' e um 'ataque criminoso' - reações às greves na Venezuela
    O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, aparece na foto discursando em um comício no ano passado. Ele usa um boné com as letras "MIJP" estampadas e fala ao microfone.Fonte da imagem,Getty Images
    Legenda da imagem,
    O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, discursando em um comício no ano passado.
    • O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, pediu aos cidadãos que mantenham a calma e confiem na liderança e nas forças armadas do país. A agência de notícias Reuters o cita dizendo: "O mundo precisa se manifestar sobre este ataque."
    • O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirma que tropas estão sendo enviadas para a fronteira com a Venezuela e pede que a OEA (Organização dos Estados Americanos) e a ONU (Organização das Nações Unidas) se reúnam imediatamente.
    • O presidente chileno, Gabriel Boric, compartilha da "preocupação e condenação de seu país em relação às ações militares dos Estados Unidos".
    • O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirma que seu país "denuncia e exige urgentemente a reação da comunidade internacional contra o ataque criminoso dos EUA à Venezuela".
    • A primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, afirma: “Trindade e Tobago continua a manter relações pacíficas com o povo da Venezuela”
    Kamla Persad-Bissessa na ONU no ano passado. Ela está em pé diante de um pódio, falando ao microfone. Na fotografia, ela está sorrindo.Fonte da imagem,Getty Images
    Legenda da imagem,
    Kamla Persad-Bissessa fotografada na ONU no ano passado.
  23. Maduro é indiciado em Nova York por acusações relacionadas a drogas e armas - Procurador-Geral dos EUA
    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, gesticula ao lado de sua esposa, Cilia Flores.Fonte da imagem,Reuters
    Podemos agora apresentar alguns comentários da Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi, que afirma que Maduro e sua esposa foram indiciados no Distrito Sul de Nova York.Segundo ela, Maduro foi acusado de "Conspiração para o Narcoterrorismo, Conspiração para Importação de Cocaína, Posse de Metralhadoras e Dispositivos Destrutivos e Conspiração para Possuir Metralhadoras e Dispositivos Destrutivos contra os Estados Unidos"."Eles em breve enfrentarão toda a fúria da justiça americana em solo americano, em tribunais americanos", acrescenta Bondi, sem revelar de que sua esposa foi acusada."Um enorme agradecimento aos nossos bravos militares que conduziram a incrível e bem-sucedida missão de captura desses dois supostos narcotraficantes internacionais", acrescentou ela.
  24. Starmer afirma que o Reino Unido não está envolvido nos ataques dos EUA à Venezuela.
    Keir Starmer.
    O primeiro-ministro Keir Starmer afirma que o Reino Unido não esteve "envolvido de forma alguma" na operação dos EUA na Venezuela, mas que está buscando mais informações antes de se pronunciar sobre o assunto.Starmer afirma que não conversou com o presidente Trump sobre a captura do presidente Nicolás Maduro pelos EUA."Não, ainda não, e é obviamente uma situação que se desenvolve rapidamente e precisamos apurar todos os factos", disse ele em declarações gravadas para emissoras do Reino Unido.O primeiro-ministro acrescentou: "O que posso dizer é que o Reino Unido não esteve envolvido de forma alguma nesta operação".
  25. Questionado se condenaria a ação, como já haviam feito vários parlamentares britânicos, alguns da ala esquerda do Partido Trabalhista e outros independentes, Starmer disse: "Primeiro quero apurar os fatos. Quero falar com o presidente Trump. Quero falar com aliados. Como já disse, posso afirmar com absoluta certeza que não estivemos envolvidos nisso".Ele prosseguiu: "Como vocês sabem, eu sempre digo e acredito que devemos respeitar o direito internacional."Mas acho que nesta fase, com a situação em constante mudança, vamos apurar os fatos e partir daí."Ao comentar sobre as implicações para os cidadãos britânicos naquele país sul-americano, Starmer disse: "Há cerca de quinhentos venezuelanos na Venezuela, e estamos trabalhando com a embaixada para garantir que sejam bem cuidados, protegidos e recebam a orientação adequada, e estamos trabalhando rapidamente com a embaixada nesse sentido. É um número pequeno, mas é um número importante, e é isso que estamos fazendo lá".
  26. A grande questão agora é quem estará no comando da Venezuela.
    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, com os braços abertos.Fonte da imagem,Reuters
    Caso se confirme a detenção e a saída de Nicolás Maduro do país, as atenções se voltarão para quem governará a Venezuela a seguir.Aparentemente, não haverá mais ataques, e Donald Trump se considera satisfeito por ter removido Maduro. Mas isso levanta a questão: o chavismo permanecerá no poder sem Maduro?Caso isso aconteça, há três figuras a serem observadas atentamente: a vice-presidente Delcy Rodríguez; o ministro do Interior Diosdado Cabello; e o ministro da Defesa Vladimir Padrino.Os três apareceram na televisão horas depois do ataque e puderam assumir a liderança.Tanto Padrino quanto Cabello exercem influência significativa dentro das forças armadas, que podem permanecer leais a qualquer um dos dois. O papel das forças armadas será crucial para determinar quem assumirá o comando.Rodríguez, por outro lado, detém maior poder civil e econômico e não tem o mesmo acesso às fileiras militares que Cabello e Padrino.A outra grande incógnita é o que a oposição, liderada por María Corina Machado, fará. Após reivindicar a vitória nas eleições de julho de 2024, a oposição exige uma mudança política real e pode não se contentar apenas com a destituição de Maduro do palácio presidencial.
    Em alguns casos, uma seleção de seus comentários e perguntas será publicada, exibindo seu nome e localização conforme você os fornecer, a menos que indique o contrário. Seus dados de contato nunca serão publicados.  
  1. Retrato do presidente colombiano Gustavo Petro, que olha para além da câmera. As pessoas atrás dele foram desfocadas.Fonte da imagem,CARLOS ORTEGA/EPA/Shutterstock
    Legenda da imagem,
    O presidente colombiano Gustavo Petro
    Após uma reunião do conselho de segurança nacional que começou às 03:00, horário local (08:00 GMT), o presidente colombiano Gustavo Petro anunciou o destacamento de forças públicas ao longo da fronteira com a Venezuela.Em Bogotá, estão em curso os preparativos para uma possível chegada em massa de refugiados venezuelanos, na sequência dos ataques dos EUA em Caracas e noutras áreas do país.A região prende a respiração em meio a novos relatos da suposta captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, conforme anunciado pelo presidente Donald Trump.Desde que as primeiras explosões foram relatadas em Caracas, Petro tem reiteradamente apelado à paz e ao diálogo.A Colômbia e a Venezuela compartilham mais de 2.000 km de fronteira terrestre e, ao longo da história, crises econômicas e de segurança em ambas as nações levaram milhões de pessoas a buscar refúgio em um dos lados.É um momento sem precedentes para a Venezuela, que terá consequências diretas em mais países – a Colômbia está na linha de frente.
  2. Uma explosão em Caracas, Venezuela.Fonte da imagem,Getty Images
    O que sabemos
    • Donald Trump afirma que os EUA lançaram um "ataque em larga escala" contra a Venezuela.
    • Ele acrescenta que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa foram capturados e "levados para fora do país".
    • A Força Delta do Exército dos EUA realizou a operação para capturar Maduro, disseram autoridades à CBS News, parceira da BBC nos EUA.
    • A Venezuela declarou estado de emergência nacional e afirmou rejeitar e denunciar a "agressão militar".
    • O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, não prevê nenhuma ação adicional contra a Venezuela, afirma o senador republicano Mike Lee.
    • Este é o maior reforço militar dos EUA nas Américas desde a Guerra Fria e ocorre após semanas de tensão crescente, escreve nosso correspondente Will Grant.
    O que não sabemos
    • Onde estão o presidente Maduro e sua esposa
    • Caso haja mortes ou feridos em decorrência dos ataques
    • A extensão dos danos em partes da Venezuela após o ataque.
    • Quantos ataques ocorreram e em que locais? Traremos mais informações em breve.
    • Mais detalhes sobre os motivos que levaram Trump a tomar essa medida - esperamos ouvir mais dele em uma coletiva de imprensa às 16h GMT.
    • O que acontece a seguir? Nossa correspondente Ione Wells analisa a incerteza.
  3. Consequências da greve - imagem
    Estamos vendo mais fotografias dos ataques dos EUA à Venezuela que ocorreram anteriormente.Aqui está um deles:
    Uma imagem vertical mostrando edifícios, estacionamentos e uma paisagem montanhosa. Ao longe, vê-se uma explosão alaranjada com uma coluna de fumaça saindo dela.Fonte da imagem,AFP via Getty Images
  4. Rubio afirma que Maduro será julgado nos EUA e não prevê novas ações na Venezuela - Senador americano
    Marco Rubio, de terno e gravata, discursando no púlpito.Fonte da imagem,Reuters
    O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, não prevê nenhuma ação adicional contra a Venezuela após a captura de Nicolás Maduro, afirma um senador republicano.Mike Lee confirmou a prisão do presidente venezuelano Maduro, que será julgado por acusações criminais nos EUA, após um telefonema com Rubio."Ele [Rubio] não prevê nenhuma ação adicional na Venezuela agora que Maduro está sob custódia dos EUA", afirma o senador Lee.Lee acrescenta que os ataques dos EUA foram "desdobrados para proteger e defender aqueles que executavam o mandado de prisão".Anteriormente, Lee disse em uma postagem no X: "Aguardo com expectativa saber o que, se houver algo, poderia justificar constitucionalmente essa ação na ausência de uma declaração de guerra ou autorização para o uso da força militar.

  5. correspondente de assuntos internacionaisSe, como alegado, os EUA enviaram a Força Delta ao coração da capital venezuelana e resgataram o presidente em exercício, juntamente com sua esposa, isso é algo sem precedentes.A comparação mais próxima seria a captura do líder panamenho Manuel Noriega, também por forças especiais, neste mesmo dia em 1990.Ambos os homens haviam reivindicado recentemente a vitória em eleições contestadas, ambos haviam sido acusados ​​pelos EUA de envolvimento com o tráfico de drogas e ambos haviam sido precedidos por um significativo aumento da presença militar dos EUA.Mas a captura de Noriega ocorreu após uma guerra curta e decisiva entre os dois países, na qual as forças panamenhas foram rapidamente derrotadas.Ele refugiou-se na embaixada do Vaticano, onde permaneceu por 11 dias.Por fim, Noriega foi persuadido a sair após o uso de "guerra psicológica" - especificamente a reprodução constante de música rock em alto volume, incluindo bandas como The Clash, Van Halen e U2.Ele foi levado de volta aos Estados Unidos, onde foi condenado por crimes relacionados a drogas.Os detalhes da operação para capturar Nicolás Maduro ainda não foram divulgados, mas parece ter sido uma operação ainda mais ambiciosa em seu escopo, conseguindo resgatar o presidente e sua esposa sem o uso de forças terrestres convencionais.Seu destino é incerto, mas imagina-se que terminará em uma prisão nos Estados Unidos.

  6. correspondente para a América do SulOs Estados Unidos não realizavam uma intervenção tão direta na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989, que resultou na deposição do então líder militar Manuel Noriega.Se Maduro foi removido à força da Venezuela, como afirma Trump, isso será visto como uma grande vitória por algumas das figuras mais linha-dura do governo americano – algumas das quais apoiaram abertamente a mudança de regime.Os Estados Unidos acusaram Maduro de liderar uma organização criminosa de narcotráfico, algo que ele nega.O governo também não o reconhece como o presidente legítimo da Venezuela, após as eleições de 2024 terem sido amplamente consideradas nem livres nem justas.Por sua vez, a Venezuela acusou os EUA de quererem roubar suas lucrativas reservas de petróleo, consideradas as maiores do mundo.O que realmente não está claro é o que acontecerá agora na própria Venezuela se Maduro de fato deixar o cargo.Os defensores da intervenção dos EUA argumentam que ela abriria caminho para a oposição venezuelana assumir o poder, liderada pela ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Maria Corina Machado, ou pelo candidato da oposição em 2024, Edmundo González.No entanto, outros acreditam que não seria tão simples assim.Os militares e paramilitares na Venezuela permaneceram leais a Maduro, e até mesmo alguns críticos de Maduro temiam que uma intervenção direta dos EUA pudesse levar a uma maior desestabilização do país.Certamente haverá outros aliados próximos dele que temerão por seus próprios futuros após a notícia da captura de Maduro.
  7. Todas as forças armadas serão mobilizadas, afirma o ministro da Defesa da Venezuela.
    Dois homens vestindo jaquetas e bonés cáqui/verdes.Fonte da imagem,Reuters
    Legenda da imagem,
    López (à direita) é ministro da Defesa sob o governo Maduro (à esquerda) desde 2014.
    Anteriormente, nossa correspondente Ione Wells trouxe uma atualização do ministro da Defesa da Venezuela; agora podemos trazer mais informações.O Ministro da Defesa da Venezuela anunciou o envio imediato de forças militares para todo o país.Em um pronunciamento em vídeo, proferido em espanhol, Vladimir Padrino López conclamou uma frente unida de resistência diante da "pior agressão" já sofrida pela Venezuela, acrescentando que o país estava seguindo as "ordens de Maduro" de que todas as forças armadas seriam mobilizadas."Eles nos atacaram, mas não nos subjugarão", disse o ministro da Defesa.
    Um mapa mostrando uma vista aérea de Caracas, com duas etiquetas indicando nossas bases militares: o Forte Tiuna, no canto inferior esquerdo, e a base militar de Carlota, no canto superior direito do mapa.
  8. O vice-presidente da Venezuela exige prova de vida, já que o paradeiro de Maduro é desconhecido.
    Acabamos de ouvir a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.Ela afirma que o governo desconhece o paradeiro do presidente Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.Ela acrescentou que o governo exigiu "prova imediata de vida" para ambos.

  9. correspondente para a América do SulAinda há muitas incógnitas sobre os ataques desta manhã.Que danos foram causados ​​à infraestrutura militar atingida? E quantas vítimas houve?O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, afirmou que o governo está compilando informações sobre mortos e feridos e alegou que os ataques atingiram áreas civis.Ele acrescentou que a Venezuela “resistirá” à presença de tropas estrangeiras.
  10. Maduro e sua esposa foram capturados pela Força Delta do Exército dos EUA, disseram autoridades à CBS.
    O presidente venezuelano Nicolás Maduro foi capturado pela Força Delta do Exército dos EUA, informaram autoridades à CBS News, parceira da BBC nos Estados Unidos.A Delta Force é a principal unidade antiterrorista das forças armadas dos EUA.

  11. correspondente para a América do SulOs Estados Unidos acusam há muito tempo Nicolás Maduro de liderar uma organização internacional de tráfico de drogas, algo que Maduro nega.Trump não deu mais detalhes sobre como Maduro foi capturado ou para onde foi levado.O governo venezuelano ainda não confirmou essa informação.Os Estados Unidos ofereceram uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à prisão de Maduro.Isso, juntamente com o enorme reforço militar na região nos últimos meses, foi interpretado na região como um incentivo para que alguém dentro do país se voltasse contra ele.Donald Trump acrescenta no Truth Social que haverá uma coletiva de imprensa às 11h EST (16h GMT), na residência presidencial de Mar-a-Lago, na Flórida.
  12. Trump afirma que os EUA "capturaram" o presidente venezuelano Maduro em meio a ataques em larga escala.
    O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.Fonte da imagem,Reuters
    Legenda da imagem,
    Maduro aparece aqui fotografado com sua esposa no final de dezembro.
    O presidente Donald Trump afirma que os EUA realizaram um "ataque em larga escala contra a Venezuela" e "capturaram seu líder, o presidente Nicolás Maduro", e sua esposa.Segue a declaração completa da Truth Social:"Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa.""Esta operação foi realizada em conjunto com as autoridades policiais dos EUA. Mais detalhes em breve. Haverá uma coletiva de imprensa hoje, às 11h, em Mar-a-Lago. Agradeço a sua atenção! Presidente DONALD J. TRUMP."
  13. Consequências das greves em Caracas - em imagens
    Uma explosão ocorreu após greves em Caracas.Fonte da imagem,Getty Images
    Prédios altos na cidade de Caracus, VenezuelaFonte da imagem,Getty Images
    Um incêndio consome a vegetação em Caracas, Venezuela.
    1. Um aumento significativo – como chegamos a este ponto?


      correspondente para a América Central e Cuba.
      Este é o maior reforço militar dos EUA nas Américas desde a Guerra Fria – é enorme.Como chegamos a esta situação?
      • Primeiro, houve ataques aéreos contra lanchas rápidas que supostamente transportavam drogas em águas venezuelanas.
      • Isso se estendeu ao leste do Caribe, ao Pacífico e a outros lugares – 110 pessoas já morreram.
      • As forças americanas confiscaram dois petroleiros autorizados e um terceiro está sendo procurado.
      • Durante o Natal, Trump fez referência ao primeiro ataque terrestre.
      • Temos poucos detalhes sobre isso, embora a BBC esteja investigando depoimentos de testemunhas e acredita-se que o incidente tenha ocorrido em Zulia, um estado rico em petróleo.
      Então, quais são as possíveis consequências?Sabemos até o momento que houve um comunicado especial – ou declaração – do governo venezuelano, no qual repudia ações que atribui imediatamente ao governo dos EUA.O documento também convoca os apoiadores sociais do governo à ação em todo o país – ou seja, milícias e organizações de base.Em certa medida, Maduro está fazendo o que se esperaria – apelando para sua base socialista.Neste momento, ele pode fazer muito pouco, pois estamos aguardando o surgimento de mais detalhes.Mas parece que isso representa uma intensificação significativa de uma situação que vem se agravando há meses.
    2. O que sabemos

      Charlotte Hadfield,
      repórter ao vivo.
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