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Guerra no Irã completa uma semana: o que aconteceu até agora
A guerra no Oriente Médio completa uma semana neste sábado (7) com notícias de novos ataques de Israel ao Irã.
O conflito começou no sábado passado (28) após ataques israelenses e americanos matarem o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. O Irã revidou com mísseis contra Israel e contra países do Golfo Pérsico que abrigam bases dos EUA.
A guerra também se alastrou para o Líbano, com troca de ataques entre o grupo Hezbollah, aliado do Irã, e Israel.
O governo americano afirmou que vai seguir intensificando as ações contra o território iraniano. Na sexta (6/3), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não haverá "nenhum acordo" com o Irã, exceto a "rendição incondicional", e que Teerã deveria escolher um novo líder aceitável para seu governo.
Na manhã deste sábado (7/3) no Oriente Médio, explosões atingiram um dos principais aeroportos comerciais de Teerã, com testemunhas relatando um avião em chamas na pista.
Nos Emirados Árabes Unidos, o Aeroporto Internacional de Dubai retomou parcialmente suas operações após ser atingido por destroço de um drone, segundo o governo.
Em um pronunciamento em vídeo transmitido pela mídia estatal iraniana, o presidente do país, Masoud Pezeshkian, pediu desculpas aos países vizinhos atacados por Teerã e afirmou que o país não os atacará "a menos que seja atacada primeiro".
Pouco depois do pronunciamento de Pezeshkian, o Catar anunciou ter interceptado um ataque com míssil. Para o correspondente de segurança da BBC, Frank Gardner, o conflito entre Irã e os países dos Golfo "cruzou uma linha vermelha" (veja aqui vídeo sobre o tema).

Crédito,Reuters
'Cada dia parece um mês': o impacto para os iranianos
Os iranianos e os libaneses dizem já sentir os efeitos da intensificação dos ataques. Repórteres da BBC enviados a diversas regiões do Oriente Médio conseguiram conversar com algumas pessoas dentro do Irã, apesar da interrupção de acesso à internet. Veja o que eles disseram:
"O número de explosões, a destruição, o que está acontecendo, é inacreditável", diz Salar, cujo nome foi alterado para preservar sua segurança, em Teerã. "Cada dia parece um mês. O volume de ataques é altíssimo."
"A casa tremeu sem parar por cinco minutos. A noite passada foi a pior", disse um homem de 30 e poucos anos.
"Acordei com o som de explosões às 5h da manhã e não consegui dormir desde então", afirmou uma mulher, também na capital do Irã.
"Foi terrível. As explosões eram tão fortes que todas as janelas tremiam. Parecia que um dragão estava rugindo", contou outra mulher.
Em Beirute, a situação também se agravou. As pessoas que foram forçadas a deixar suas casas procuram qualquer lugar que lhes pudesse oferecer abrigo. Dentro do Teatro Nacional, duas famílias dormiram em colchões com vista para o palco.
Mohamed Baydoun conta que fugiu de sua casa na cidade de Tiro, no sul do país. "Eles não estão dando um alvo específico. Estão mandando as pessoas saírem de áreas inteiras", diz o homem, de 73 anos, sobre as ordens de evacuação em massa emitidas por Israel.
"Não há misericórdia, o inimigo não tem misericórdia", acrescenta. Mohamed diz que esta guerra "é diferente de todas as outras" que já viveu, mas afirma não ter medo. "Tudo o que acontece com você é o que Deus escreveu para você."
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Nesta sexta, Donald Trump usou as redes sociais para dizer que não aceitará nenhum acordo com o Irã "exceto uma rendição incondicional" — algo que o governo iraniano parece, até o momento, relutante em considerar.
"Depois disso, e da escolha de um(a) grande e aceitável líder, nós, e muitos de nossos maravilhosos e corajosos aliados e parceiros, trabalharemos incansavelmente para trazer o Irã de volta da beira da destruição, tornando-o economicamente maior, melhor e mais forte do que nunca. O Irã terá um grande futuro! Faça o Irã grande novamente".
A publicação do presidente americano dá sinais de que os EUA pretendem continuar a guerra até que o governo em Teerã se renda completamente.
Trump também afirmou que o próximo líder do Irã terá de "tratar bem os Estados Unidos e Israel".
Mais de 1.300 civis mortos no Irã
O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, afirmou que 1.332 civis foram mortos em decorrência dos ataques conjuntos entre EUA e Israel contra o país desde sábado.
Em declarações à imprensa na sede da ONU em Nova York, Iravani disse que, segundo a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano, mulheres e crianças estavam entre os mortos.
"Milhares de pessoas ficaram feridas, e o número continua a subir", disse ele, acrescentando que escolas, hospitais e outras infraestruturas civis foram alvos "deliberados".
Os EUA negam ter como alvo infraestruturas civis, embora estejam investigando um ataque a uma escola feminina no Irã, que teria deixado mais de 160 mortos, segundo as autoridades iranianas.
Já Israel acusa o Irã de atacar seus civis.
3.000 alvos atingidos em território iraniano
O Comando Central dos EUA, que dirige as operações militares do país, afirmou ter atingido mais de 3.000 alvos no Irã.
Cerca de 43 navios também foram danificados ou destruídos como parte da Operação Epic Fury.
Os ataques estão sendo priorizados de acordo com "locais que representam uma ameaça iminente", com o objetivo de "desmantelar o aparato de segurança do regime iraniano", disse o comando em uma publicação no X.
Israel sob ataque
Israel também está sendo atacado por drones e mísseis no Irã. Ao longo da semana, sirenes e explosões foram ouvidos em diversas cidades do país, incluindo Jerusalém e Tel Aviv.
O governo de Israel tem emitido alertas à sua população quando diz estar sendo atacada por mísseis e drones vindos do Irã. Nesses casos, o país aciona seu sistema de defesa contra mísseis.
Em um ataque com mísseis no domingo passado, pelo menos nove pessoas morreram e 27 ficaram feridas na cidade israelense de Beit Shemesh.
Tráfego no estreito de Ormuz
Cerca de mil embarcações, metade delas formada por petroleiros e navios-tanque de gás, estão paradas no estreito de Ormuz, importante via para transporte de petróleo que foi fechada nos últimos dias, depois que o Irã foi bombardeado e iniciou uma série de ataques em retaliação contra vizinhos no Oriente Médio.
A informação é de Neil Roberts, chefe da área marítima e de aviação da Lloyd's Market Association (LMA), que representa as seguradoras que operam no mercado de seguros de Londres.
"A maioria dos navios permanece ancorada, principalmente devido às compreensíveis preocupações dos armadores e comandantes com a segurança de suas embarcações e tripulações", disse ele ao BBC Verify, serviço de checagem da BBC.
Roberts afirma que, desde domingo, apenas cerca de 40 navios transitaram pelo estreito. Dados da empresa de análise de transporte marítimo Kpler divulgados na quarta-feira indicam que o tráfego na hidrovia está cerca de 90% menor em comparação com a semana anterior.
Na terça-feira (3/3), Trump disse que a Marinha americana protegerá navios no Oriente Médio em rota pelo estreito. Ele também anunciou ter ordenado à Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos que forneça seguro contra riscos "a um preço razoável para o comércio que transita pelo Golfo".