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Manifestantes se revoltam e atacam escritório do Partido Comunista em Cuba
Protestos violentos são raros no país, que está com a economia enforcada pelas sanções dos Estados Unidos
Manifestantes antigoverno atacaram um escritório do Partido Comunista na região central de Cuba na madrugada deste sábado (14), informou um jornal estatal.
O violento protesto foi uma demonstração rara de revolta pública desencadeada por apagões que pioraram depois do bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos.
A manifestação contra os cortes de energia e a escassez de alimentos começou pacificamente na cidade de Morón, na noite de sexta-feira (13), mas se tornou violenta nas primeiras horas da manhã deste sábado, informou o jornal Invasor.
Vídeos nas mídias sociais mostraram um grande incêndio e pessoas jogando pedras nas janelas de um prédio enquanto manifestantes gritavam "liberdade" ao fundo.
A Reuters conseguiu verificar a localização de um vídeo em Morón, que fica na costa norte de Cuba, a cerca de 400 km a leste da capital Havana, perto do resort turístico de Cayo Coco.
As verificações mostraram que o vídeo era recente, mas não foi possível identificar a data exata.
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Os Estados Unidos apertaram o cerco contra Cuba desde a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro -- o mais importante benfeitor estrangeiro de Cuba -- em janeiro.
O presidente norte-americano, Donald Trump, cortou as remessas de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçou impor tarifas a qualquer país que vendesse petróleo para Cuba.
A medida aumenta a pressão sobre uma economia que já está lutando contra a escassez de alimentos, combustível, eletricidade e medicamentos.
Nas últimas semanas, Trump fez uma série de declarações, dizendo que Cuba está à beira do colapso e ansiosa para fazer um acordo com os EUA.
O governo de Cuba disse na sexta-feira (13) que deu início a conversas com Washington para tentar neutralizar a crise.
Os protestos públicos, especialmente os violentos, são extremamente raros em Cuba.
A constituição cubana de 2019 concede aos cidadãos o direito de se manifestar, mas uma lei que define mais especificamente esse direito está parada no Congresso, deixando aqueles que saem às ruas em um limbo legal.
"O que inicialmente começou de forma pacífica, e depois de uma troca com as autoridades locais, transformou-se em atos de vandalismo contra a sede do Comitê Municipal do Partido", disse o jornal Invasor.
"Um grupo menor de pessoas apedrejou a entrada do prédio e ateou fogo na rua com móveis da área de recepção", acrescentou.
Os vândalos atacaram vários outros estabelecimentos estatais na área, incluindo uma farmácia e um mercado do governo, segundo o jornal.
Na semana passada, estudantes fizeram uma manifestação nas escadarias da Universidade de Havana depois que o governo suspendeu as aulas presenciais, culpando o bloqueio de petróleo dos EUA.
A escassez de combustível reduziu enormemente o transporte público, tornando difícil, se não impossível, que professores e alunos se reúnam para as aulas.