Polícia

Prisão explosiva atinge empresário ligado à família de senador de MT

A detenção ganhou contornos ainda mais explosivos quando veio à tona que o empresário — dono do Centro de Reabilitação Psicossocial de Cuiabá (Creap)

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PF-MT 25/11/2025
Prisão explosiva atinge empresário ligado à família de senador de MT
Humberto Silva foi surpreendido pela PF dentro do Hotel D’Lucca, em Cuiabá | Divulgação

O mundo político e empresarial de Mato Grosso está em choque com a prisão do empresário Humberto Silva, detido pela Polícia Federal em um hotel de Cuiabá durante a deflagração da Operação Paralelo Cinco. A ação investiga um suposto esquema milionário de desvio de recursos públicos na saúde, envolvendo contratos em diversos municípios do Rio Grande do Sul e de São Paulo.

A detenção ganhou contornos ainda mais explosivos quando veio à tona que o empresário — dono do Centro de Reabilitação Psicossocial de Cuiabá (Creap) — mantém um contrato sem licitação de R$ 12,3 milhões com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES), firmado há pouco mais de um mês.

E não para por aí: Silva é sócio do empresário Diógenes de Abreu Fagundes, marido da deputada estadual Janaina Riva (MDB) e filho do senador Wellington Fagundes (PL). A ligação ocorre por meio do Grupo Agora Comunicação e Investimento, que possui ramificações em diversos negócios da influente família Fagundes.

Humberto Silva foi surpreendido pela PF dentro do Hotel D’Lucca, em Cuiabá. A corporação suspeita que ele poderia estar tentando fugir da operação, que cumpriu 24 mandados de busca, dois de prisão preventiva e uma série de medidas de bloqueio patrimonial em três estados.

O contrato com o governo de Mato Grosso foi firmado em 7 de outubro, por dispensa de licitação, e previa que o Creap fornecesse leitos de internação em saúde mental para o público infantojuvenil, incluindo equipe multiprofissional 24 horas, insumos, medicamentos e toda a gestão técnica e administrativa.

A SES foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou.

A equipe também não conseguiu contato com Diógenes Fagundes.

De acordo com as investigações, iniciadas em janeiro de 2024, um grupo de empresários de Porto Alegre teria assumido a gestão dos Hospitais Municipais de Jaguari (RS) e Embu das Artes (SP). Entre 2022 e agosto de 2025, essas unidades receberam mais de R$ 340 milhões em recursos públicos.

A PF aponta para indícios de: uso de empresas de fachada e entidades sem capacidade real de operação; emissão de notas fiscais inidôneas; pulverização imediata dos recursos públicos para dezenas de contas sem relação com os serviços; e um estruturado sistema de ocultação e dissimulação financeira.

Como parte da operação, a Justiça determinou o bloqueio de bens:
14 imóveis, 53 veículos, uma embarcação e mais de R$ 22,5 milhões em contas bancárias.

Além disso, interventores foram nomeados para assumir imediatamente a gestão dos hospitais investigados.

A prisão de Humberto Silva reacende debates sobre contratos públicos assinados sem licitação, parcerias privadas na saúde e os vínculos entre empresários beneficiados e figuras politicamente influentes.

Enquanto as investigações avançam, cresce a pressão sobre órgãos públicos e sobre os envolvidos direta ou indiretamente nos negócios do grupo.