Polícia

“Eu chamei pelo nome dela… e entendi que minha filha estava morta”, diz mãe de Raquel em lágrimas durante depoimento que parou o júri

Relato emocionado de Sandra Cattani levou silêncio ao plenário e expôs a dor, a rotina da vítima e o contexto do relacionamento que, segundo a família, já havia chegado ao fim

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM TJ-MT 22/01/2026
“Eu chamei pelo nome dela… e entendi que minha filha estava morta”, diz mãe de Raquel em lágrimas durante depoimento que parou o júri
Sandra contou que, na manhã do crime, estranhou o fato de a filha não ter aparecido cedo em sua casa, como fazia todos os dias | Alair Ribeiro/TJMT

O Tribunal do Júri que julga Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde pela morte da produtora rural Raquel Cattani viveu um dos momentos mais marcantes da sessão quando Sandra Cattani, mãe da vítima, sentou no banco das testemunhas. O plenário, até então tomado por relatos técnicos dos delegados e questionamentos das partes, mergulhou em silêncio absoluto diante do depoimento carregado de emoção.

Sandra contou que, na manhã do crime, estranhou o fato de a filha não ter aparecido cedo em sua casa, como fazia todos os dias. A preocupação virou angústia, e ela decidiu ir até a residência de Raquel. A porta estava fechada. Ao entrar, viu a filha caída no chão. Pensou que pudesse ter passado mal. Aproximou-se, chamou pelo nome, tentou ajudá-la — até perceber que o corpo estava gelado e rígido. “Eu não queria acreditar no que estava vendo”, relatou.

A mãe descreveu a rotina de Raquel, o cuidado com os filhos, o trabalho pesado na produção de queijos, a vida simples no sítio e a fase profissional promissora que vivia. Disse que a filha estava decidida a não retomar o relacionamento, embora ainda mantivesse contato com o ex-companheiro por causa das crianças. Segundo Sandra, após a separação, Raquel evitava dormir sozinha em casa e buscava a companhia dos pais com frequência.

Durante o depoimento, também vieram à tona relatos de controle e invasão de privacidade. Sandra afirmou que Romero tinha acesso ao celular da vítima sem permissão e chegou a expor conversas pessoais dela a terceiros. Contou ainda que reconheceu, na casa de Rodrigo, um perfume que havia dado de presente à filha.

Questionada sobre o que espera do julgamento, respondeu com a voz embargada: “Espero justiça. A Raquel faz muita falta. O mínimo é que sejam condenados.”

Como foi a manhã do júri

Antes do depoimento da mãe, dois delegados responsáveis pela investigação detalharam ao Conselho de Sentença a dinâmica do crime, os vestígios encontrados na casa, as lesões de defesa na vítima, a suposta simulação de arrombamento e a reconstrução do trajeto do executor com base em dados técnicos, imagens e registros telefônicos. Também relataram o histórico de conflitos no relacionamento, descrito por testemunhas como marcado por pressão psicológica e comportamento controlador.

Os jurados — dois homens e cinco mulheres — receberam orientações da juíza presidente sobre a incomunicabilidade e a necessidade de atenção integral aos depoimentos. O Ministério Público sustenta que Rodrigo executou o crime e que Romero teria sido o autor intelectual. As defesas, por sua vez, buscaram questionar pontos técnicos das provas e a consistência de alguns elementos da investigação.

Ao longo da manhã, o clima no plenário alternou entre a frieza dos detalhes periciais e a carga emocional dos relatos pessoais. Mas foi com a fala de Sandra que o julgamento ganhou um tom humano e doloroso, lembrando aos presentes que, por trás dos autos e das teses jurídicas, havia uma mãe descrevendo o momento em que encontrou a própria filha sem vida.

O júri ocorre no Fórum da Comarca de Nova Mutum e segue com a oitiva das testemunhas e, posteriormente, os debates entre acusação e defesa, antes da decisão final do Conselho de Sentença.

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