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Polícia Civil deflagra operação contra suspeita de estelionato praticados em Cuiabá e Várzea Grande

A investigada alegava que os valores seriam aplicados em empresas prestadoras de serviços ao poder público municipal

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 27/01/2026
Polícia Civil deflagra operação contra suspeita de estelionato praticados em Cuiabá e Várzea Grande
As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá e cumpridas pela Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande (DEEVG) | PC-MT

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (27), a Operação Vínculo Quebrado, para cumprir mandados judiciais de medidas restritivas diversas de prisão contra uma mulher, de 53 anos, que vinha usando o nome de seu filho prefeito para atrair investidores e aplicar golpes em vítimas de Várzea Grande e Cuiabá.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá e cumpridas pela Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande (DEEVG).

As medidas aplicadas contra a indiciada incluem: monitoração eletrônica (tornozeleira), restrição de mobilidade internacional (apreensão de passaporte), proibição de cadastro em sistema de apostas e, bloqueio e sequestro de valores em contas bancárias, até o limite de R$ 1 milhão.

A autoridade judicial determinou ainda, a aplicação de medidas cautelares à indiciada como a proibição de frequentar determinados locais, inclusive o estabelecimento comercial de sua propriedade, se aproximar ou ter contado com as vítimas, exceto por meio de advogado. A decisão também estabeleceu o comparecimento trimestral em juízo além do recolhimento domiciliar no período noturno.

De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Estelionato e Outras Fraudes (DEEVG) a investigada, mãe do prefeito de um município da Baixada Cuiabana, teria utilizado de forma indevida o nome do filho para angariar recursos. Segundo as apurações, ela alegava que os valores captados seriam investidos em empresas supostamente prestadoras de serviços ao município, estratégia que tinha como objetivo conferir credibilidade à captação e atrair investidores.

Ela convencia as vítimas de que administrava as empresas, supostamente vencedoras de licitações municipais. Na realidade, tratava-se de uma fraude. Segundo o delegado André Luis Prado Monteiro da Silva, considerando apenas as vítimas que representaram criminalmente contra a suspeita, o prejuízo ultrapassa R$ 913 mil.

As investigações apontaram que a investigada enganava as vítimas desde o final de 2024, com a promessa de lucros elevados. No entanto, encontrava-se severamente endividada em virtude de seu vício em jogos on-line.

Ela obteve recursos com as vítimas e com possíveis agiotas e, para reduzir as cobranças, pagava parte delas, a credores alternados, até que, no final de 2025, não conseguiu mais sustentar a farsa.

Oito vítimas já compareceram a Delegacia. A mulher foi indiciada pelo crimes de estelionato e de falsa identidade, uma vez que teria utilizado indevidamente o nome do próprio filho (que figura como vítima dessa conduta específica) para conferir legitimidade às abordagens e viabilizar a prática das fraudes

O delegado André Luis Prado Monteiro da Silva ressalta a importância de distinguir as vítimas das pessoas que emprestaram valores à investigada com juros exorbitantes. Tal prática é criminosa, e esses indivíduos podem responder por crimes tipificados na Lei de Usura e contra a Economia Popular, além de eventuais extorsões e ameaças. Para essa apuração específica, cópias dos autos foram encaminhadas à 3ª Delegacia de Polícia de Várzea Grande, onde a investigação tramita.

“O objetivo das medidas judiciais é garantir que a investigada responda o processo sem risco de fuga e assegurar, na medida do possível, o ressarcimento patrimonial às vítimas”, afirmou o delegado.

Há, ainda, o intuito de impedir que a indiciada continue com a prática de jogos, com a proibição de cadastro e uso de sistemas de apostas on-line. Procedimento regulamentado por portaria do Ministério da Fazenda ( Portaria SPA/MF nº 1.231/2024), que estabelece diretrizes de monitoramento e fiscalização de apostas.

A prisão preventiva poderá ser objeto de análise a qualquer momento durante a fase judicial, em especial se houver o descumprimento às medidas impostas.

Operação Vínculo Quebrado

O nome da operação “Vínculo Quebrado” foi escolhido pela Polícia Civil para simbolizar a traição de confiança e o rompimento dos laços sociais e afetivos que a investigada utilizava para cometer os crimes, visto que as vítimas eram pessoas do seu convívio social, profissional e familiar.