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Operação Imperium: Polícia Civil cerca o “cofre” da facção CV e bloqueia R$ 43 milhões em 4 estados

A Operação Imperium cumpre 61 ordens judiciais em Mato Grosso, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro

10/02/2026
Operação Imperium: Polícia Civil cerca o “cofre” da facção CV e bloqueia R$ 43 milhões em 4 estados
O principal investigado é Gilmar Reis da Silva, conhecido como “Vovozona”, apontado como liderança regional | PC-MT/Divulgação

Uma ofensiva cirúrgica da Polícia Civil de Mato Grosso amanheceu esta terça-feira (10) mirando não as ruas, mas o coração financeiro da facção criminosa Comando Vermelho.

A Operação Imperium cumpre 61 ordens judiciais em Mato Grosso, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com um objetivo claro: asfixiar a engrenagem de lavagem de dinheiro sustentada por documentos falsos, empresas de fachada e operadores patrimoniais espalhados pelo país.

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Coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a operação tem como eixo decisões do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias de Rondonópolis. Foram expedidos 12 mandados de prisão preventiva, 14 buscas e apreensões, 4 imóveis sequestrados (avaliados em mais de R$ 4 milhões), 10 veículos de luxo apreendidos e houve o bloqueio de contas de 21 investigados até R$ 43 milhões

O mapa da operação passa por Rondonópolis, onde estaria o núcleo empresarial do grupo, e avança para Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde atuariam operadores financeiros e patrimoniais.

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As investigações apontam que empresas registradas com nomes falsos recebiam valores do crime e “lavavam” o dinheiro na compra de imóveis, veículos e repasses internos. A engrenagem teria funcionado por cerca de dois anos, com ramificações interestaduais.

O principal investigado é Gilmar Reis da Silva, conhecido como “Vovozona”, apontado como liderança regional. Ele fugiu do Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas em julho de 2023 durante saída extramuros e, segundo a apuração, teria seguido operando o esquema com apoio de pessoas próximas.

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Segundo o delegado Marlon Luz, a lógica é clara: preservar bens, bloquear valores e impedir a dilapidação patrimonial enquanto a investigação avança, buscando reverter ativos ilícitos aos cofres públicos ao final do processo.

A Imperium integra o programa estadual de enfrentamento às facções e também as ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim), coordenada pela Senasp/Ministério da Justiça.

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“Imperium” faz referência direta ao império patrimonial que, segundo a polícia, foi erguido com dinheiro do crime — e que agora está no alvo.