Polícia

Polícia Civil prende Policiais Penais investigados por levar celulares a facção em presídio de Várzea Grande

Servidores são suspeitos de usar acesso privilegiado para abastecer esquema clandestino dentro da unidade prisional; investigação aponta participação de presos e familiares

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 27/02/2026
Polícia Civil prende Policiais Penais investigados por levar celulares a facção em presídio de Várzea Grande
Na operação são cumpridas 10 ordens judiciais, sendo seis mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão domiciliar, expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias | PC-MT

Uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso colocou o sistema penitenciário estadual no centro de um escândalo na sexta-feira (26). A chamada Operação Via Paralela resultou no cumprimento de seis mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão contra investigados por envolvimento em um esquema de ingresso ilegal de celulares no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos, em Várzea Grande.

As investigações, conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), apontam que policiais penais teriam utilizado a condição funcional para facilitar a entrada de aparelhos telefônicos dentro da unidadeSegundo a apuração policial, os celulares eram revendidos a detentos por valores que variavam entre R$ 400 e R$ 800, podendo entrar até oito aparelhos de uma só vez. Um reeducando teria exercido papel central na organização interna da distribuição, enquanto outro preso, com maior circulação na unidade, ficaria responsável por recolher os aparelhos em pontos previamente combinados.

null

Segundo a apuração policial, os celulares eram revendidos a detentos por valores que variavam entre R$ 400 e R$ 800, podendo entrar até oito aparelhos de uma só vez. Um reeducando teria exercido papel central na organização interna da distribuição, enquanto outro preso, com maior circulação na unidade, ficaria responsável por recolher os aparelhos em pontos previamente combinados.

A investigação também indica o possível envolvimento da esposa de um dos detentos no fornecimento externo dos aparelhos.

Os crimes apurados incluem associação criminosa, corrupção passiva majorada e ingresso de aparelho telefônico em unidade prisional.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Marlon Luz, o combate à entrada de celulares é estratégico no enfrentamento às facções criminosas, já que os aparelhos são frequentemente utilizados para ordenar crimes de dentro das unidades prisionais.

null

A Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT), por meio da Corregedoria Geral, informou que acompanha o cumprimento das ordens judiciais e que adotará as medidas administrativas cabíveis caso as irregularidades sejam confirmadas.

A operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026, dentro da Operação Pharus, inserida no programa Tolerância Zero, voltado ao combate ao crime organizado em Mato Grosso.