Polícia

PF invade mansão de prefeito em MT e bloqueia R$ 608 mil por suspeita de caixa 2 eleitoral

Operação Rustius investiga esquema de financiamento ilegal de campanha nas eleições de 2024; 23 pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PF-MT 05/03/2026
PF invade mansão de prefeito em MT e bloqueia R$ 608 mil por suspeita de caixa 2 eleitoral
Entre os alvos da operação está o prefeito de Sorriso, Alei Fernandes (União), que teve a mansão revistada por agentes federais durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão | Arquivo Página 12

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5), em Sorriso (420 km de Cuiabá), a terceira fase da Operação Rustius, que investiga um suposto esquema de financiamento ilícito de campanha nas eleições municipais de 2024.

Entre os alvos da operação está o prefeito de Sorriso, Alei Fernandes (União), que teve a mansão revistada por agentes federais durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão.

Além da diligência na residência do gestor municipal, a Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias e aplicações financeiras, além do sequestro de bens até o limite de R$ 608 mil.

Segundo a Polícia Federal, a investigação criminal foi concluída e resultou no indiciamento de 23 pessoas. Destas, 21 foram indiciadas por omissão ou inserção de informações falsas na prestação de contas de campanha, prática conhecida como “caixa 2” eleitoral.

Também houve indiciamentos por crimes contra o sistema financeiro nacional e contra a economia popular, relacionados à concessão irregular de empréstimos.

Esquema de financiamento clandestino

De acordo com a PF, as investigações apontaram a existência de um esquema estruturado de financiamento ilícito de campanha, envolvendo diferentes formas de movimentação irregular de recursos.

Entre as práticas identificadas pelos investigadores estariam: empréstimos clandestinos utilizados para abastecer campanhas eleitorais; pulverização de valores por meio de interpostas pessoas; triangulação de despesas com campanhas de vereadores; pagamentos em dinheiro a prestadores de serviço; ocultação deliberada de despesas na prestação de contas eleitoral.

Conforme a Polícia Federal, o volume de recursos não contabilizados teria alterado significativamente o montante real de dinheiro utilizado na disputa eleitoral, o que pode caracterizar fraude nas contas da campanha.

Defesa diz que prefeito já foi absolvido

Em nota, a defesa do prefeito Alei Fernandes afirmou que ele já foi absolvido anteriormente pela Justiça Eleitoral da acusação de caixa dois.

Segundo os advogados, na ocasião a Justiça Eleitoral concluiu que não havia provas suficientes para sustentar as alegações apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral e pelo candidato derrotado na disputa.

A defesa também afirmou que foi surpreendida com a nova fase da operação.

“Nesse contexto, a defesa foi surpreendida com a deflagração de uma chamada terceira fase da operação policial, mesmo após a conclusão do inquérito”, diz trecho da nota.

Os advogados informaram ainda que até o momento não tiveram acesso aos autos do processo.

O espaço segue aberto para manifestação da defesa e dos demais investigados citados na investigação.