Polícia

Rastro do dinheiro do crime: Polícia Civil identifica pagamento de R$ 215 mil pela execução do advogado Renato Nery em Cuiabá

As análises demonstraram que a investigada apontada como mandante do crime realizou, no dia 4 de março de 2024, transferências que somam aproximadamente R$ 200 mil

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 13/03/2026
Rastro do dinheiro do crime: Polícia Civil identifica pagamento de R$ 215 mil pela execução do advogado Renato Nery em Cuiabá
A vítima chegou a ser socorrida e passou por cirurgia em um hospital privado da capital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois do procedimento médico | Estadão

A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa, avançou nas investigações sobre o homicídio do advogado Renato Nery e conseguiu identificar os mandantes, intermediários e executores do crime ocorrido em 5 de julho de 2024, em Cuiabá.

Durante a investigação, a Polícia Civil representou pela quebra de sigilo bancário, medida autorizada pelo Poder Judiciário, que permitiu rastrear o fluxo financeiro utilizado para o pagamento da execução.

As análises demonstraram que a investigada apontada como mandante do crime realizou, no dia 4 de março de 2024, transferências que somam aproximadamente R$ 200 mil. Os valores passaram inicialmente por contas de terceiros, em uma sequência de movimentações financeiras utilizadas para ocultar a origem e o destino final do dinheiro.

A apuração também identificou que um segundo investigado evitou receber os valores diretamente em sua conta, determinando que os recursos fossem movimentados por intermediários.

Parte do dinheiro foi utilizada, já no dia 5 de março de 2024, para a compra de um veículo Mercedes-Benz, no valor aproximado de R$ 115 mil, registrado em nome de terceiro.

Ainda no mesmo dia, R$ 40 mil foram transferidos para a mãe do investigado, enquanto o restante do montante foi posteriormente encaminhado à própria conta dele, em 6 de março.

Além dessas movimentações, foi identificado que, no dia 8 de março, a investigada apontada como mandante realizou um pagamento direto de R$ 15 mil ao mesmo investigado, totalizando cerca de R$ 215 mil movimentados em razão do crime.

De acordo com a investigação, essas movimentações financeiras coincidem com os depoimentos prestados pelos envolvidos, que afirmaram que o valor ajustado para a execução do homicídio seria de aproximadamente R$ 200 mil.

Durante as diligências, um dos investigados prestou depoimento em 12 de março de 2024, confirmando a dinâmica do pagamento pelo crime e corroborando os elementos já identificados pela análise bancária.

A investigação também apontou que o investigado adotou mecanismos para ocultar a origem ilícita dos valores, utilizando intermediários e movimentações fracionadas, o que caracteriza, em tese, crime de lavagem de dinheiro, pelo qual também deverá responder.

Diante do conjunto de provas reunidas — incluindo o rastreamento do fluxo financeiro, depoimentos e demais diligências investigativas — a Polícia Civil concluiu que se trata de crime de mando, caracterizado pelo pagamento para a prática de homicídio qualificado.

O advogado Renato Nery, de 72 anos, foi atingido por disparos de arma de fogo em frente ao seu escritório, no dia 5 de julho de 2024, em Cuiabá.

A vítima chegou a ser socorrida e passou por cirurgia em um hospital privado da capital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois do procedimento médico.

Desde a ocorrência, a DHPP realizou diversas diligências investigativas, levantamentos técnicos e perícias, com o objetivo de esclarecer a execução do advogado e identificar todos os envolvidos no crime.