Política
Deputado da base “trai” Mauro Mendes, detona governador e expõe guerra contra servidores
O deputado afirma que nenhum argumento sensibiliza o governador quando o assunto é reajuste salarial
Um áudio explosivo atribuído ao deputado estadual Paulo Araújo (PP) caiu como uma bomba política nesta quarta-feira (14) e escancarou a crise interna no Palácio Paiaguás. Aliado de primeira ordem do governador Mauro Mendes (União), Araújo aparece criticando duramente o próprio chefe, afirmando que o governador “não está preocupado com o servidor” e que já “comprou a briga” com o funcionalismo público.
A gravação — que circula nos bastidores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso — rompe o silêncio da base e um governo disposto ao enfrentamento.
No áudio, Paulo Araújo relata conversas reservadas com Mauro Mendes, inclusive em avião, diante de figuras do alto escalão. O deputado afirma que nenhum argumento sensibiliza o governador quando o assunto é reajuste salarial.
“Ele me pergunta: ‘Você acha certo um enfermeiro ganhar R$ 5 mil na iniciativa privada e R$ 25 mil aqui?’. Eu digo que acho certo, mas não tem resposta para ele. Ele já comprou a briga com o servidor. Esquece”, diz o parlamentar.
A fala choca por partir de quem sempre sustentou o governo no plenário. O tom é de ruptura — ainda que informal — e expõe uma traição política que pode custar caro à base.
O áudio vai além do ataque ao governador. Araújo descreve manobras internas na tramitação do RGA, insinuando negociações obscuras e votos “escondidos”.
“Chega na Assembleia com seis, sete votos… vende voto, negocia, esconde voto. Você acha que nós vamos ganhar? Eu acho que não.”
A declaração joga gasolina num ambiente já inflamado por protestos de servidores, que cobram recomposição salarial diante de defasagem próxima de 20%. O governo, porém, insiste em 4,26% para 2026 — índice considerado insuficiente e provocativo pela categoria.
O episódio escancara a rachadura na base governista e coloca Mauro Mendes sob fogo amigo. Quando um aliado histórico expõe o chefe dessa forma, o recado é claro: a crise é real — e pública.
A reportagem procurou o deputado para comentar o conteúdo do áudio, sem retorno até o fechamento. O espaço segue aberto.
Nos próximos dias, a pergunta que ecoa na ALMT é uma só: Mauro Mendes vai reagir ao fogo amigo — ou a crise vai engolir a própria base?