Política

EUA dizem ter pedido que delegado da PF que monitorou Ramagem saia do país

Marcelo Ivo atua nos Estados Unidos desde 2023 como oficial de ligação com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas conhecido como ICE

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 20/04/2026
EUA dizem ter pedido que delegado da PF que monitorou Ramagem saia do país
Marcelo Ivo deve deixar o país após ter feito o monitoramento que levou à prisão de Alexandre Ramagem no país | Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos divulgou na noite desta segunda-feira (20) uma mensagem na qual diz ter pedido que o delegado da PF (Polícia Federal) Marcelo Ivo deixe o país após ter feito o monitoramento que levou à prisão de Alexandre Ramagem no país.

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, diz a mensagem, publicada na página do X do Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos.

Marcelo Ivo de Carvalho atua nos Estados Unidos desde 2023 como oficial de ligação com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas conhecido como ICE (sigla em inglês para United States Immigration and Customs Enforcement).

Ele foi peça-chave para fazer o monitoramento de Alexandre Ramagem no país pelo órgão na semana passada. O ex-deputado foi solto dois dias.

CNN procurou a PF e aguarda retorno.

Monitoramento pela PF

O ex-deputado bolsonarista Alexandre Ramagem foi preso na segunda-feira (13) pelo ICE (sigla em inglês para United States Immigration and Customs Enforcement), o Serviço de Imigração e Controle de Aduana dos Estados Unidos. Inicialmente, o ex-parlamentar foi abordado devido a uma infração de trânsito, porém o político está com a situação irregular no país.

O visto como turista de Ramagem expirou em março. Além disso, ele entrou nos EUA com o seu passaporte diplomático cancelado por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo apurou a CNN Brasil, Ramagem era monitorado por agências de inteligência desde novembro do ano passado. O monitoramento foi terrestre, houve busca pela placa do carro usado pelo ex-diretor da Abin na Flórida e reuniões do oficial de ligação da PF com autoridades estadunidenses.

A Polícia Federal investiga se Ramagem comprou um carro com passaporte cancelado e se foi esse o veículo usado por ele para buscar a esposa, Rebeca Ramagem, no aeroporto. Foi a partir daí que a PF descobriu seu paradeiro e passou a monitorá-lo em espécie de "campana", quando agentes disfarçados observam um investigado.

A PF não pode prender um brasileiro em outro país, mesmo que seja foragido da Justiça e se saiba o paradeiro. O procedimento é reunir informações e repassar para a polícia do país, nesse caso, dos Estados Unidos. Nas primeiras duas semanas de abril, policiais da Flórida intensificaram o apoio e as reuniões com a PF brasileira, por meio de um oficial de ligação.

Ramagem foi solto dois dias após ser preso pelo ICE. À CNN Brasil, o empresário e apresentador Paulo Figueiredo afirmou que a liberação ocorreu após três dias de esforços e que não foi necessário o pagamento de fiança para a soltura. “Foram três dias de muito trabalho, mas agora Ramagem já está em casa”, disse.

Na última quinta-feira (16), agentes da PF se reuniram com representantes do ICE em Orlando, na Flórida, para esclarecer os motivos da soltura do ex-deputado. O governo brasileiro não foi informado sobre as razões que levaram à saída de Ramagem da prisão.

O encontro foi marcado para que as autoridades brasileiras apresentassem documentos a serem inseridos no processo de Ramagem, que poderia ser alvo de deportação. O objetivo era reforçar o risco de fuga do ex-deputado.

De acordo com Figueiredo, o ex-deputado deve permanecer nos Estados Unidos até que o pedido de asilo, sob alegação de perseguição política, seja analisado pelas autoridades americanas.

Foragido

No dia 11 de setembro do ano passado, a Primeira Turma do STF condenou Ramagem a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado, pela trama golpista junto com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Foram atribuídos a Alexandre Ramagem os crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e Golpe de Estado.

Durante o governo Bolsonaro, Ramagem era diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), teria utilizado o comando do órgão para monitorar opositores e produzir a disseminação de críticas contra as eleições.

O julgamento terminou em setembro do ano passado, mas até meados de novembro, ainda cabia recurso e o caso não transitava em julgado. Foi justamente neste período que o parlamentar deixou o país rumo aos Estados Unidos.