Política
Mesmo vencedor no União, Jayme pode ser barrado pela Federação e ter candidatura ao Governo sepultada nos bastidores
Senador pode conquistar maioria na convenção do União Brasil, mas grupo liderado por Mauro Mendes teria quatro votos na Federação, contra apenas três de Jayme, favorecendo a manutenção do apoio à reeleição de Otaviano Pivetta
A convenção estadual do União Brasil, marcada para a próxima quinta-feira (30), pode produzir um resultado que, por si só, não será suficiente para definir quem representará o partido na disputa pelo Governo de Mato Grosso. Embora o senador Jayme Campos apareça com boas chances de conquistar a maioria dos votos dos convencionais e ter homologada sua candidatura, a palavra final sobre o futuro do projeto poderá estar nas mãos da Federação União Progressista (União Brasil/PP).
Nos bastidores, lideranças políticas admitem que o principal desafio de Jayme não está dentro do União Brasil, mas na estrutura da Federação, responsável por definir a estratégia eleitoral conjunta das duas legendas.
A avaliação predominante entre dirigentes partidários é que, caso o assunto seja levado à deliberação da Federação, o grupo político liderado pelo ex-governador Mauro Mendes, candidato ao Senado pelo União Brasil e defensor da reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), chegaria com vantagem na correlação de forças.
Segundo interlocutores que acompanham as negociações, Mauro Mendes contaria com quatro votos, enquanto Jayme Campos teria apenas três na instância deliberativa da Federação.
Se essa composição for mantida, a maioria seria suficiente para sustentar a continuidade da aliança com Otaviano Pivetta e dificultar o avanço da candidatura própria defendida pelo senador.
Na prática, isso significa que Jayme poderá vencer a convenção do União Brasil e, ainda assim, enfrentar um segundo e talvez mais difícil obstáculo político antes de confirmar sua candidatura ao Palácio Paiaguás.
No encontro do próximo dia 30, os convencionais deverão escolher entre dois projetos distintos: a candidatura própria de Jayme Campos ou a manutenção da aliança com Otaviano Pivetta, apoiada por parte da direção partidária e por Mauro Mendes.
Contudo, por integrar uma federação partidária, o União Brasil precisa harmonizar suas decisões com o Progressistas, o que amplia o peso político da instância federativa na definição da estratégia eleitoral.
É justamente nesse cenário que aliados de Jayme enxergam o maior risco para o projeto do senador.
Enquanto os defensores de Jayme sustentam que uma eventual vitória na convenção representaria a vontade soberana dos filiados e convencionais do partido, integrantes do grupo governista afirmam que a prioridade é preservar a unidade da base política que administra Mato Grosso desde 2019.
Na avaliação desse grupo, uma candidatura própria do União Brasil poderia provocar divisões internas e comprometer o projeto de continuidade da atual gestão estadual.
Por outro lado, aliados de Jayme argumentam que o senador reúne trajetória política, experiência administrativa e densidade eleitoral suficientes para liderar uma candidatura competitiva ao Governo do Estado.
Independentemente do resultado da convenção, a expectativa é de que os dias seguintes sejam marcados por intensas negociações entre lideranças estaduais e nacionais.
Isso porque, além da decisão dos convencionais, será necessário compatibilizar os interesses políticos da Federação União Progressista, que poderá exercer papel decisivo na definição da chapa majoritária.
Dessa forma, a convenção do União Brasil pode definir o vencedor de uma etapa importante da disputa, mas dificilmente encerrará o debate. Nos bastidores, a percepção é de que a batalha decisiva poderá ocorrer justamente dentro da Federação, onde, segundo a atual correlação de forças, Mauro Mendes teria quatro votos contra três de Jayme Campos, cenário que, se confirmado, poderá influenciar diretamente o futuro da candidatura do senador ao Governo de Mato Grosso.