Política

A ELEIÇÃO DOS MILIONÁRIOS: quem são, quanto têm e onde está a fortuna dos candidatos ao governo de MT

Disputa pelo Palácio Paiaguás coloca frente a frente empresário do agronegócio com R$ 575,6 milhões, empresário do setor de suínos com quase R$ 70 milhões, senador com R$ 13 milhões, médica com quase R$ 7 milhões e novatos com patrimônios bem menores

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM TRE-MT 16/08/2026
A ELEIÇÃO DOS MILIONÁRIOS: quem são, quanto têm e onde está a fortuna dos candidatos ao governo de MT
A eleição para o Governo de Mato Grosso começa oficialmente neste domingo com uma característica que chama atenção antes mesmo de a campanha ganhar as ruas: o tamanho das fortunas declaradas pelos can | Arquivo Página 12

A eleição para o Governo de Mato Grosso começa oficialmente neste domingo com uma característica que chama atenção antes mesmo de a campanha ganhar as ruas: o tamanho das fortunas declaradas pelos candidatos.

Os números apresentados à Justiça Eleitoral revelam um verdadeiro abismo patrimonial entre as chapas. De um lado, está o governador Otaviano Pivetta, empresário e produtor rural, que declarou R$ 575.680.870,95 em bens. Do outro, candidatos estreantes apresentam patrimônios abaixo de R$ 1 milhão.

Somadas as declarações dos cinco candidatos ao Governo e de seus respectivos vices, o patrimônio informado chega a aproximadamente R$ 671,28 milhões.

Mas o dinheiro não está distribuído de maneira uniforme. Pivetta sozinho responde por mais de 85% de todo o patrimônio declarado pelas cinco chapas.

A declaração de bens é feita pelo próprio candidato no registro eleitoral e representa os valores informados à Justiça Eleitoral. Não significa necessariamente que os bens valham hoje o mesmo valor no mercado.

Pivetta: o “tio patinhas” da eleição

O atual governador Otaviano Olavo Pivetta, do Republicanos, chega à disputa como disparado o candidato mais rico do pleito.

Aos 67 anos, Pivetta nasceu em Caiçara, no Rio Grande do Sul, e construiu sua trajetória empresarial em Mato Grosso. É empresário e agropecuarista, com carreira ligada principalmente ao agronegócio. Foi prefeito de Lucas do Rio Verde, deputado estadual e vice-governador antes de assumir o Governo de Mato Grosso.

Na ficha eleitoral de 2026, aparece como divorciado e com ensino fundamental completo.

Sobre religião, Pivetta já declarou publicamente ser católico de formação, embora também frequente igrejas evangélicas. Ele afirma ter fé em Deus e diz que não gosta de misturar religião e política.

O cofre de Pivetta

O patrimônio declarado é de impressionantes: R$ 575.680.870,95

A maior parte não está em casas, carros ou fazendas. A fortuna aparece principalmente concentrada em fundos de investimento e participações societárias.

Entre os maiores itens estão:

R$ 257.235.023,95 em fundo de investimento multimercado com aplicação no exterior;

R$ 182.528.232,00 em ações de O Positivo Participações S.A.;

R$ 95.603.196,00 em ações da Vanguarda;

R$ 37.179.274,07 em outro fundo multimercado com investimentos no exterior;

R$ 838.525,09 em participação societária;

R$ 550 mil em VGBL/previdência;

R$ 543.334,00 em participação societária;

créditos e empréstimos que somam centenas de milhares de reais.

Só os quatro maiores investimentos representam centenas de milhões de reais.

Em 2022, Pivetta havia declarado R$ 378.869.597,56. Agora, quatro anos depois, aparece com R$ 575,68 milhões — um crescimento nominal de R$ 196,81 milhões, ou 51,9%.

A vice: Gisela Simona

A deputada federal Gisela Simona, do União Brasil, substituiu Fábio Garcia na composição da chapa.

Gisela nasceu em Cuiabá, é servidora pública de carreira e possui formação superior. Em declaração anterior à Justiça Eleitoral, aparecia como casada e com patrimônio formado principalmente por imóveis e veículos.

Para 2026, declarou aproximadamente R$ 630,28 mil.

Assim, a chapa Pivetta-Gisela soma aproximadamente:

R$ 576,31 milhões.

É, com enorme vantagem, a chapa mais rica da eleição.

Wellington e o “Rei do Porco”: R$ 82,9 milhões

Se Pivetta está em outra dimensão patrimonial, a segunda chapa mais rica também vem do mundo empresarial.

O senador Wellington Antônio Fagundes, do PL, declarou R$ 13.132.463,00.

Nascido em Rondonópolis, em 1º de junho de 1957, Wellington é médico veterinário formado pela UFMS e pós-graduado em Ciência Política pela UnB. É casado com Mariene de Abreu Fagundes e tem dois filhos.

Antes de chegar ao Senado, construiu uma longa carreira política, com mais de três décadas no Congresso.

O patrimônio de Wellington

O maior patrimônio individual do senador é sua participação na WAF Administradora de Empresas Ltda., avaliada em aproximadamente: R$ 6.012.700,00

Também aparecem:

cerca de R$ 3,35 milhões em aplicações financeiras;

R$ 2.065.158,00 em CDB do Bradesco;

R$ 1.636.500,00 em 584 cabeças de gado;

13 equinos e muares, avaliados em R$ 49 mil;

15 búfalos, avaliados em R$ 48 mil;

15 ovinos, avaliados em R$ 9,3 mil;

aeronave EMB-810C, de 1980, avaliada em R$ 150 mil;

veículos que, juntos, somam cerca de R$ 916 mil;

participação de R$ 300 mil na Rádio Difusora Nativa;

participação de R$ 66,5 mil na WAF Publicidade e Comunicação;

casas, apartamento, terrenos e propriedades rurais.

O patrimônio de Wellington cresceu 44,8% desde 2022, quando havia declarado R$ 9,07 milhões.

Entra em cena o “Rei do Porco”

O vice é Reinaldo Gomes de Morais, conhecido como “Rei do Porco”, empresário ligado principalmente à suinocultura.

A declaração dele é de aproximadamente: R$ 69,8 milhões.

E aqui está uma das grandes curiosidades da eleição: o vice de Wellington tem patrimônio mais de cinco vezes superior ao do próprio candidato a governador.

Entre os maiores bens aparecem:

R$ 22 milhões referentes a 51,5% da Suinobrás Alimentos;

R$ 15,55 milhões por 50% da Pork Foods;

R$ 15,32 milhões por 95% da L.C.Z.S.P.E. Empreendimentos e Participações;

além de outras participações societárias e bens.

Juntos, Wellington e Reinaldo chegam a aproximadamente: R$ 82,93 milhões.

É a segunda chapa mais rica do pleito.

Natasha: a médica que chega com quase R$ 7 milhões

A médica Natasha Slhessarenko, do PSD, representa a principal candidatura de oposição ligada à centro-esquerda.

Cuiabana, médica pediatra e patologista clínica, Natasha tem formação pela UFMT, duas residências pela USP, mestrado e doutorado em Pediatria pela universidade paulista. Também atua como professora universitária e empresária na área da saúde.

É estreante em eleições.

Seu patrimônio declarado é de: R$ 6.954.910,90.

Onde está o dinheiro?

A declaração de Natasha é bastante diferente da de Wellington.

A maior parte está concentrada em participações empresariais, créditos de investimento e imóveis.

Entre os principais bens aparecem:

R$ 2.569.192,00 em crédito de investimento na LRN Incorporadora e Construções;

R$ 1.545.000,00 correspondentes a 30% de participação em centro de diagnóstico;

R$ 961.711,76 em apartamento residencial em Cuiabá;

participações em empresas ligadas à área de diagnóstico e saúde;

R$ 260.169,84 em crédito de investimento na Vida Centro;

R$ 50 mil referentes a contrato de mútuo;

aplicações financeiras, incluindo LCI de aproximadamente R$ 87 mil;

ações e saldos bancários.

O vice: Diogo Botelho

O advogado e professor universitário Diogo Botelho, do PDT, declarou patrimônio de: R$ 735.932,00.

A declaração é simples:

imóvel residencial: R$ 600 mil;

Jeep Compass: R$ 135.932.

A chapa Natasha-Diogo soma: R$ 7.690.842,90.

Maurício Coelho: 32 anos e r$ 2,15 milhões

O empresário Maurício Coelho de Souza Junior, do Mobiliza, é um dos nomes mais jovens da disputa.

Tem 32 anos, nasceu em Itabira (MG), é solteiro, possui ensino superior incompleto e declarou como ocupação “empresário”.

Sua trajetória está ligada ao empreendedorismo, comunicação e atuação em campanhas eleitorais.

Patrimônio

Maurício declarou: R$ 2.159.005,73

O mais impressionante é que praticamente todo o patrimônio está concentrado em um crédito:

R$ 2.100.000,00 — direito creditório decorrente da alienação de ativos operacionais e fundo de comércio;

R$ 50 mil em crédito a receber;

R$ 9 mil em participação na Coelho Inteligência e Propaganda;

participação integral na Basker Security Limited, em Hong Kong, declarada por apenas R$ 5,73.

O médico na vice

O companheiro de chapa é o médico Wagner Marques Pereira Malheiros, pneumologista.

Nascido em Cuiabá, tem 58 anos, é casado, possui ensino superior completo e declarou patrimônio de: R$ 1.468.478,73.

A lista inclui:

casa: R$ 562.353,28;

terreno: R$ 357.206,00;

Nissan Frontier: R$ 110 mil;

participação na Unimed Cuiabá: R$ 101.345,38;

CDB na Unicred: R$ 101 mil;

consórcio: R$ 90.550,30;

JAC Motors: R$ 75 mil;

moto Suzuki V-Strom 650: R$ 61.900;

participação em cooperativa de crédito: R$ 9.123,77.

A chapa soma: R$ 3.627.484,46.

Milas: o “pobre” da disputa?

Na comparação com os adversários, o publicitário Rafaell Milas, do Missão, aparece praticamente como um candidato de outra realidade patrimonial.

Aos 43 anos, nasceu em Umuarama (PR), é casado, tem ensino superior incompleto e declarou ocupação de publicitário.

Seu patrimônio: R$ 550 mil.

E praticamente tudo está concentrado em um único bem: uma casa de R$ 550 mil em Cuiabá, no condomínio May Flower.

O vice Thales

O empresário Thales Rodrigo Sartorelo declarou: R$ 172 mil.

Entre os bens estão:

Toyota Corolla XEi 2023: R$ 127 mil;

participação de R$ 15 mil na LM3 Comércio de Portas;

participação de R$ 30 mil na Ágil Assessoria Documental.

Somados, governador e vice chegam a: R$ 722 mil.

É disparadamente a menor declaração patrimonial entre as chapas analisadas.

O abismo

Os números deixam o contraste escancarado.

Pivetta sozinho: R$ 575,68 milhões.

Milas mais o vice: R$ 722 mil.

Ou seja: o patrimônio declarado por Pivetta é quase 800 vezes superior ao patrimônio conjunto de Milas e Thales.

E quando todas as chapas são colocadas lado a lado, o retrato fica ainda mais impressionante:

Otaviano Pivetta + Gisela Simona: R$ 576,31 milhões

Wellington Fagundes + Reinaldo Moraes: R$ 82,93 milhões

Natasha Slhessarenko + Diogo Botelho: R$ 7,69 milhões

Maurício Coelho + Wagner Malheiros: R$ 3,63 milhões

Rafaell Milas + Thales Sartorelo: R$ 722 mil

No total: R$ 671.283.941,31

Esse é o valor aproximado que as cinco chapas declararam juntas à Justiça Eleitoral.

Mas há outra diferença importante: o dinheiro está aplicado de maneiras completamente diferentes.

Pivetta tem centenas de milhões em fundos, ações e participações empresariais.

Wellington combina empresas, aplicações, gado, imóveis, veículos e aeronave.

Reinaldo concentra uma fortuna gigantesca em participações no setor de carnes e suínos.

Natasha tem seu patrimônio ligado principalmente à saúde, imóveis e investimentos.

Maurício aparece com patrimônio fortemente concentrado em créditos e participação empresarial.

E Milas chega à eleição praticamente com um único imóvel.

A eleição dos contrastes

A corrida pelo Palácio Paiaguás começa, portanto, com um contraste que os próprios números oficiais não conseguem esconder.

De um lado, o empresário do agronegócio que declarou mais de meio bilhão de reais.

De outro, candidatos que construíram suas trajetórias na política, na medicina, na comunicação ou no serviço público e apresentam patrimônios muito menores.

No meio desse gigantesco abismo patrimonial está uma eleição que promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos em Mato Grosso.

E, antes mesmo de o primeiro voto ser depositado na urna, uma pergunta já está colocada sobre a mesa: quem vai administrar o Estado — e qual é a história por trás da fortuna de quem quer comandá-lo?

Os valores patrimoniais utilizados nesta reportagem são aqueles declarados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral no registro das candidaturas de 2026. A declaração eleitoral não representa avaliação independente ou necessariamente o valor de mercado dos bens. Informações sobre religião só foram incluídas quando houve declaração pública localizada em fonte verificável; nos demais casos, não houve presunção.