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PF mira lavagem de R$ 30 bilhões do PCC em operação em três estados

A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (30) 13 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão na Operação Rei do Crime, contra lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que atua dentro e fora dos presídio

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN BRASIL 30/09/2020
A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (30) 13 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão na Operação Rei do Crime, contra lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios. A ação foi realizada em endereços nas cidades de São Paulo, Bauru, Igaratá, Mongaguá, Guarujá e Tremembé, em São Paulo, Londrina e Curitiba, no Paraná, e Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Um dos mandados de prisão foi efetuado na Bahia.
Os agentes investigam um braço do PCC que pode ter movimentado cerca de R$ 30 bilhões, de acordo com relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Entre os alvos, estão empresários ligados a uma rede de combustíveis e uma pessoa que foi condenada por envolvimento no furto, em 2005, ao Banco Central do Brasil, em Fortaleza. Além dos mandados, também foram autorizados o sequestro de bens – 32 automóveis, 9 motos, 2 helicópteros, 1 iate, 3 motos aquáticas, 58 caminhões e 42 reboque e semirreboque (avaliados em R$ 32 milhões) –, imóveis de luxo, bloqueio de contas bancárias com valores próximos a R$ 730 milhões, e interdição de 73 empresas suspeitas de serem utilizadas para lavagem de dinheiro. Entre elas, há postos de combustíveis, lojas de conveniência, além de escritórios de assessoria e contabilidade. Investigações De acordo com a PF, o braço da facção está em operação há mais de dez anos. Durante as investigações, os policiais rastrearam movimentações financeiras e identificaram a existência de uma rede de combustíveis, além de uma distribuidora, que atuava em benefício do grupo. Eles agiam por meio da lavagem de ativos de origem ilícita, através de companhias com atuação sólida no mercado e de empresas de fachada ou compostas por "laranjas". A PF informou que os envolvidos injetavam dinheiro em espécie nos postos de combustíveis, fazendo transações financeiras para outras fictícias por meio dos "laranjas". Em razão da complexidade da investigação, o coordenador-geral de repressão a facções criminosas da PF, Elvis Secco, comparou a operação de hoje à Lava Jato, no sentido de que é um divisor de águas na atuação da corporação no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado.