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Irã x EUA: Saiba o que pode ser discutido em uma negociação entre os países

Presidente americano afirmou que autoridades do país, que vive onda de protestos, entraram em contato com ele para negociar

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 12/01/2026
Irã x EUA: Saiba o que pode ser discutido em uma negociação entre os países
ouvir notícia O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (11) que o Irã queria "negociar", embora tenha sugerido que uma ação militar ainda era uma opção | CNN

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo (11) que o Irã queria "negociar", embora tenha sugerido que uma ação militar ainda era uma opção.

"Uma reunião está sendo marcada... Eles querem negociar", declarou Trump, mas alertou: "Talvez tenhamos que agir antes da reunião".

Trump tem ameaçado o Irã, caso o país reprima os manifestantes, enquanto protestos contra o regime teocrático ocorrem no país há duas semanas.

As autoridades cortaram o acesso à internet e as linhas telefônicas na quinta-feira (8) — a maior noite de manifestações nacionais até agora — deixando o país praticamente isolado do mundo exterior.

Organizações de direitos humanos disseram que mais de 500 pessoas foram mortas e cerca de 10.600 foram presas desde o início dos protestos.

Entenda o que poderia estar envolvido nas negociações entre EUA e Irã

Trump afirmou no domingo (11) que o Irã, que atualmente enfrenta protestos violentos e tensões com os EUA, ligou para ele no sábado (10) para negociar.

"Eles ligaram ontem [...] O Irã ligou para negociar", disse Trump.

"Os líderes do Irã querem negociar [...] Acho que eles estão cansados ​​de apanhar dos Estados Unidos. O Irã quer negociar conosco.", acrescentou o presidente americano.

Os comentários de Trump vêm dias depois dele ter dito a repórteres que, se Teerã se envolvesse em violência contra manifestantes, os EUA "interviriam".

CNN noticiou no domingo que Trump está considerando várias opções de intervenção, desde ataques militares a novas sanções contra figuras do regime ou setores da economia iraniana, como energia ou o setor bancário.

Houve várias rodadas de negociações indiretas no primeiro semestre do ano passado entre o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, e o enviado de Trump, Steve Witkoff, sobre os limites do programa nuclear do Irã, com foco no enriquecimento de seu estoque de urânio.

Os EUA também insistiram em discutir o programa de mísseis balísticos iraniano, uma exigência que Teerã rejeitou, argumentando que impor limites a seus mísseis a deixaria indefesa. Essa posição pode ter se endurecido após o ataque israelense-americano ao Irã em junho.

A última rodada de negociações entre Washington e Teerã — em maio — foi descrita como profissional e construtiva por ambos os lados, mas as negociações terminaram abruptamente quando Israel lançou um ataque surpresa ao Irã em junho e os EUA bombardearam diversas instalações nucleares iranianas.

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Imagem de satélite mostra reatores nucleares em Bushehr , Irã, em janeiro de 2025 • Maxar Technologies/Handout via Reuters
Imagem de satélite mostra reatores nucleares em Bushehr , Irã, em janeiro de 2025 • Maxar Technologies/Handout via Reuters

Na época, Trump afirmou que o programa nuclear iraniano havia sido aniquilado. Outras avaliações sugeriram que ele havia sido atrasado em meses ou talvez anos, mas não destruído.

O Irã afirmou estar disposto a retomar as negociações, mas não abrirá mão do enriquecimento de urânio, um combustível nuclear que pode ser usado para construir uma bomba se refinado a altos níveis.

“Descobrir o caminho para um acordo não é nenhum bicho de sete cabeças”, publicou Araghchi em maio. “Zero armas nucleares = temos um acordo. Zero enriquecimento = não temos um acordo.”

Em entrevista à CNN em novembro, Kamal Kharrazi, conselheiro de política externa do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou que os Estados Unidos teriam que iniciar a retomada das negociações.

“Eles precisam dar o primeiro passo para demonstrar que estão dispostos a dialogar conosco sob as condições que impusermos… as negociações devem ser baseadas em igualdade de condições e respeito mútuo”, disse ele em novembro.