Sem avanços, Rússia diz ter encerrado “primeira etapa” da guerra na Ucrânia
Siga as principais informações da guerra na Ucrânia
PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN25/03/2022
Foto: CNN
Um alto general russo afirmou nesta sexta-feira (25) que a “primeira etapa” do plano militar da Rússia na Ucrânia está concluída e que, agora, o foco é atingir o leste do país vizinho.
“Em geral, as principais tarefas da primeira etapa da operação foram concluídas”, disse o coronel-general Sergei Rudskoy, primeiro vice-chefe do Estado-Maior da Rússia, em um pronunciamento nesta sexta.
“O potencial de combate das forças armadas da Ucrânia foi significativamente reduzido, permitindo-nos, enfatizo novamente, concentrar os principais esforços em alcançar o objetivo principal – a libertação de Donbass”, disse o militar, referindo-se à região ucraniana controlada por separatistas.
Os comentários de Rudskoy ocorrem no momento em que os avanços da Rússia parecem ter parado nas principais cidades ucranianas, como Kiev e Kharkiv. A Rússia também não conseguiu alcançar a superioridade aérea na Ucrânia e sofreu grandes perdas de pessoal desde o início da invasão.
Baixas nas tropas russas
As forças armadas russas disseram, em uma coletiva nesta sexta, que 1.351 militares haviam sido mortos na Ucrânia e 3.825 haviam sido feridos –a primeira grande atualização de baixas desde 2 de março. “Infelizmente, durante a operação militar especial, houve perdas entre nossos camaradas”, disse Sergei Rudskoy.
“Até hoje, 1.351 militares morreram, 3.825 foram feridos. O Estado assumirá a responsabilidade de apoiar as famílias, criar as crianças para receber educação superior, para o reembolso total dos empréstimos e para resolver a questão da moradia”, completou.
A última atualização oficial sobre as baixas de soldados ucranianos foi informada pelo presidente Volodymyr Zelensky, que disse à imprensa, no dia 12 de março, que 1.300 soldados ucranianos haviam sido mortos desde o início da invasão russa. Além disso, segundo as últimas atualizações da ONU, o conflito já deixou pelo menos 1.035 mortes de civis do lado ucraniano e ao menos 3,6 milhões de cidadãos que viviam na Ucrânia deixaram o país.
Tanque de guerra russo destruído na Ucrânia / Maximilian Clarke/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
EUA tentam reduzir dependência de petróleo e gás russos
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciaram nesta sexta-feira uma força-tarefa em um esforço para afastar a Europa de sua dependência do petróleo e gás russos. As conversas integram os últimos esforços dos líderes ocidentais para discutir os impactos da guerra na Ucrânia.
Os Estados Unidos trabalharão para fornecer à Europa pelo menos 15 bilhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito em 2022, em parceria com outras nações, informou a Casa Branca.
Na manhã desta sexta, no horário de Brasília, Biden desembargou na Polônia. Segundo o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, ele deve reunir-se com grupos de refugiados neste sábado (26) e ter um encontro com o presidente polonês Andrzej Duda, com o qual fará um “discurso importante”. O presidente também visitou soldados dos EUA e agradeceu-lhes pelo serviço.
Em entrevista coletiva ao lado do presidente de Duda, Biden informou que irá destinar um bilhão de dólares (aproximadamente R$ 4,7 bilhões) à Polônia para ajudar na situação humanitária dos refugiados no país.
Presidente dos EUA, Joe Biden, reúne-se com o presidente da Polônia, Andrzej Duda, em Rzeszow, Polônia / Jeff J Mitchell/Getty Images (25.mar.2022)
Ucrânia recupera posições
Também nesta sexta, a inteligência do Ministério da Defesa do Reino Unido informou que as forças ucranianas retomaram cidades e posições defensivas ao redor da parte leste de Kiev, capital da Ucrânia.
“Os contra-ataques ucranianos e as forças russas recuando em linhas de suprimento sobrecarregadas permitiram à Ucrânia reocupar cidades e posições defensivas até 35 quilômetros a leste de Kiev”, disse o ministério.
“As forças ucranianas provavelmente continuarão tentando empurrar as forças russas de volta ao longo do eixo noroeste de Kiev em direção ao aeródromo de Hostomel”, acrescentou.
Ataque a teatro em Mariupol deixou 300 mortos, diz Ucrânia
O conselho da cidade de Mariupol diz que, com base em relatos de testemunhas oculares, acredita que cerca de 300 pessoas morreram em um suposto ataque russo a um teatro na cidade no dia 16 de março. As estimativas do número de pessoas abrigadas no teatro variaram entre 800 e 1.300.
As informações sobre a extensão total do ataque demoraram a surgir devido ao colapso quase completo de serviços essenciais na cidade, incluindo redes de comunicação.
“Infelizmente, começamos o dia com más notícias”, disse o conselho da cidade de Mariupol em seu canal Telegram nesta sexta-feira (25). “Há informações, com base em testemunhas oculares, de que cerca de 300 pessoas morreram no Teatro Drama em Mariupol como resultado de um bombardeio de aviões russos”.
“Ainda não queremos acreditar nesse horror. Ainda queremos acreditar que todos conseguiram escapar. Mas as palavras daqueles que estavam dentro do prédio no momento desse ato terrorista dizem o contrário.”
ONU diz ter informações sobre valas comuns em Mariupol
As Nações Unidas comunicaram que receberam informações sobre a existência de valas comuns na cidade de Mariupol, bem como “informações de satélite” a respeito de um desses locais, disse Matilda Bogner, chefe do monitoramento de Direitos Humanos da Missão na Ucrânia da ONU.
“Estimamos que uma dessas valas comuns contenha cerca de 200 pessoas”, disse em uma entrevista coletiva na sexta-feira (25).
Mariupol é uma das cidades mais destruídas pelas forças russas / Stringer/Anadolu Agency via Getty Images
Mísseis atingem centro de comando da Força Aérea ucraniana
Os militares ucranianos disseram nesta sexta-feira que as forças russas lançaram ataques com mísseis de cruzeiro no centro de comando da Força Aérea Ucraniana, no centro-oeste do país, causando “destruição significativa” à infraestrutura.
“Hoje, 25 de março, por volta das 16h30 (11h30 pelo horário de Brasília), os ocupantes russos lançaram um ataque com mísseis no território do Comando da Força Aérea das Forças Armadas da Ucrânia em Vinnytsia”, segundo o comunicado.
Brasil quer ser mediador do diálogo para fim da guerra
No fim da manhã desta sexta, enquanto visitava o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, teve que encaixar um telefonema na longa agenda de compromissos no Rio de Janeiro. A chamada foi com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken.
Ao homem forte de Joe Biden, o chanceler brasileiro mostrou preocupação com a suposta ‘seletividade’ nas sanções impostas à Rússia e fez um pedido: autorização para negociar com países sob sanção.
“Eu não sei se nós podemos mediar a paz. […] Nós estamos de alguma maneira distantes do teatro em que se desenrola esse conflito. Mas seguramente o Brasil, pela posição que tem de serenidade, de construção de consenso nas Nações Unidas, pode ser sim um facilitador desse diálogo”, disse o ministro à CNN.
Chanceler brasileiro, Carlos França / 16/02/2022 REUTERS/Shamil Zhumatov/Pool
Macron deve falar com Putin sobre evacuação de civis
O presidente francês, Emmanuel Macron, disse nesta sexta que espera ter mais conversas “nas próximas horas” com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a situação na Ucrânia e quaisquer planos para ajudar as pessoas a deixarem Mariupol.
O porto de Mariupol, no sudeste, uma cidade de 400 mil habitantes antes da guerra, está entre os mais atingidos pelos bombardeios russos.
Ambos também conversaram na terça-feira (22), ocasião em que discutiram as condições para a paz entre Rússia e Ucrânia, segundo informações da agência de notícias russa Interfax. O presidente francês tem sido um dos principais interlocutores do conflito entre os líderes europeus.
Presidente da França, Emmanuel Macron, e presidente da Rússia, Vladimir Putin / Foto: Getty Images
Spotify diz que vai suspender serviço na Rússia
O Spotify disse nesta sexta-feira que suspenderá seu serviço de streaming na Rússia em resposta à nova lei de mídia do país. A plataforma de áudio fechou seu escritório na Rússia indefinidamente no início deste mês, citando o que descreveu como “ataque não provocado de Moscou à Ucrânia“.
“O Spotify continua acreditando que é extremamente importante tentar manter nosso serviço operacional na Rússia para fornecer notícias e informações confiáveis e independentes da região”, disse o Spotify.
“Infelizmente, uma lei recentemente promulgada restringindo o acesso à informação, eliminando a liberdade de expressão e criminalizando certos tipos de notícias coloca em risco a segurança dos funcionários do Spotify e a possibilidade de até mesmo nossos ouvintes.”
Fotos: dez imagens que marcam um mês de guerra
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Após o presidente Vladimir Putin fazer um pronunciamento autorizando uma "operação militar especial" na Ucrânia, primeiras explosões foram registradas na capital Kiev na quinta-feira, 24 de fevereiro
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
Pentágono diz que falta diálogo com Kremlim
Líderes militares russos de alto escalão recusaram as ligações de seus colegas americanos desde antes do início da invasão da Ucrânia, disse um porta-voz do Pentágono.
A última vez que o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, falou com o ministro da Defesa russo, Sergey Shoygu, foi em 18 de fevereiro, enquanto o Chefe do Estado-Maior, general Mark Milley, falou pela última vez com o Chefe do Estado-Maior russo, General Valery Gerasimov, em 11 de fevereiro, informou anteriormente a CNN.
“Durante o mês passado, o secretário Austin e o general Milley procuraram, e continuam a insistir, nas ligações com seus homólogos russos. Até agora, o ministro Shoigu e o general Gerasimov têm se recusado a se envolver”, disse o secretário de imprensa do Pentágono, John Kirby, em uma declaração.
Vista aérea do Pentágono / 28/09/2008 REUTERS/Jason Reed
Ucrânia desmente consenso e cita “negociações difíceis”
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse nesta sexta-feira que as negociações de paz com a Rússia são difíceis e desmentiu relatos de que tenha havido progresso na resolução de quatro das seis questões-chave.
“Não há consenso com a Rússia sobre os quatro pontos”, disse Kuleba em um post no Facebook. “O processo de negociação é muito difícil. A delegação ucraniana assumiu uma posição forte e não abre mão de suas exigências. Insistimos, em primeiro lugar, em um cessar-fogo, garantias de segurança e integridade territorial da Ucrânia.”
Kuleba referiu-se aos comentários do presidente turco, Tayyip Erdogan, de que havia evolução em quatro de seis pontos-chave das negociações, citando a desistência da Ucrânia entrar na Otan e a adoção do russo como idioma oficial do país como dois desses pontos que evoluíam para o acordo.
Ministro das Relações Exteriores ucraniano, Dmytro Kuleba / 21/02/2022 REUTERS/Johanna Geron
ONU aprova resolução que culpa Rússia por crise humanitária
Também na quinta-feira, data em que a guerra completou um mês, a Assembleia-Geral da ONU aprovou uma resolução que responsabiliza a Rússia pela crise humanitária na Ucrânia – o texto prevê ainda o envio de ajuda humanitária ao país.
Foram 140 votos a favor, 5 contra e 38 abstenções. O Brasil votou a favor da medida. A segunda resolução, que eximiria a Rússia da crise, proposta pela África do Sul, não chegou a ser votada após ser rechaçada por 67 países. Embora não vinculativas, as resoluções da assembleia têm peso político.
O embaixador da China nas Nações Unidas, Zhang Jun, disse aos países membros que a situação humanitária na Ucrânia está se tornando cada vez mais séria, mas que os países não devem forçar outros a “escolher um lado” no conflito. “O desenvolvimento da situação na Ucrânia até o estágio atual desencadeou amplas preocupações internacionais, e também é algo que a China não quer ver”, disse o representante chinês.
Mais cedo, o secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Jens Stoltenberg, anunciou que os líderes da organização decidiram em reunião dar mais apoio à Ucrânia e enviar tropas para Bulgária, Romênia e Eslováquia, países vizinhos. O encontro entre as lideranças aconteceu em Bruxelas.
Stoltenberg destacou ainda que a Otan se prepara para longo prazo e aumentará seu apoio para todos os países ameaçados pelos russos. Ele também afirmou que a China deve utilizar a sua influência na região para “promover a paz” e pressionar Vladimir Putin para acabar com a guerra.
O possível uso de armas químicas pela Rússia foi destacado por Stoltenberg como motivo de preocupação. Segundo ele, a utilização deste tipo de armamento mudaria a natureza da guerra. O secretário-geral disse que a Aliança está fazendo tudo para evitar entrar no confronto.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, participou virtualmente da reunião da Otan e disse que o país precisa de apenas uma fração do poder de fogo combinado da Aliança.
“Vocês podem nos dar 1% de todos os seus aviões, um por cento de todos os seus tanques. Um por cento!”, pediu o ucraniano, em um apelo efusivo por mais assistência militar, segundo um alto funcionário do governo dos Estados Unidos que ouviu os comentários.
Em um mês de guerra, os números do conflito, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), são de quase 1.000 civis mortos. Apesar da ofensiva, as forças russas ainda não conseguiram capturar a capital Kiev. Na avaliação de especialistas e da inteligência de países ocidentais, o exército russo sofre com problemas logísticos, falta de suprimentos e tem dificuldade em superar resistência ucraniana.
Sanções chegaram “um pouco atrasadas”, diz Zelensky
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, agradeceu aos membros do Conselho Europeu por impor sanções à Rússia – mas disse que “já era um pouco tarde”.
Em seu discurso ao Conselho Europeu postado no Facebook na noite de quinta-feira, Zelensky disse que se as sanções fossem preventivas, havia uma chance de a Rússia não ter entrado em guerra.
“Você bloqueou o Nord Stream 2. Somos gratos a você. E com razão. Mas também era um pouco tarde. Porque se fosse a tempo, a Rússia não teria criado uma crise de gás. Pelo menos havia uma chance”, pontuou ao conselho.
Ucrânia atualiza pedido de ajuda militar aos EUA com mais de 500 mísseis por dia
A Ucrânia atualizou sua extensa lista de desejos de assistência militar adicional do governo dos Estados Unidos nos últimos dias e incluiu centenas de mísseis antiaéreos e antitanque a mais do que o solicitado anteriormente, de acordo com um documento fornecido à CNN que detalha os itens necessários.
Os ucranianos apresentaram listas semelhantes nas últimas semanas, mas um pedido recente fornecido aos parlamentares norte-americanos parece refletir uma necessidade crescente de mísseis antiaéreos Stinger e mísseis antitanque Javelin fabricados nos EUA — com a Ucrânia dizendo que precisa urgentemente de 500 de cada por dia.
A lista fornecida à CNN detalha várias outras necessidades urgentes, incluindo: jatos, helicópteros de ataque e sistemas antiaéreos como o S-300. A nova lista foi elaborada no momento em que os ucranianos alegam que enfrentam uma potencial escassez de armas em meio a um ataque russo em andamento. Os EUA e a Otan enfatizam que mais ajuda militar já está entrando no país.
Um soldado ucraniano segura o FGM-148 Javelin, um míssil antitanque portátil de fabricação americana em um posto de controle perto da cidade ucraniana de Kharkiv / Foto: Sergey Bobok/AFP/Getty Images
Secretário-geral acha improvável que haja guerra direta entre a Rússia e a Otan
Em entrevista à Christiane Amanpour, da CNN, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, declarou que acha improvável que haja um conflito direto entre a Rússia e a aliança.
No entanto, ele ressaltou que a situação na Ucrânia é “extremamente imprevisível” e que a Otan enfrenta uma nova realidade e deve estar preparada para o longo prazo. Stoltenberg também creditou a demonstração de unidade dos países da Otan na diminuição da probabilidade de uma guerra em grande escala.
Quando questionado sobre os relatos de que a Rússia não está adotando a linha de “desconflito”, Stoltenberg respondeu que a afirmação está correta e que “os russos não estão prontos, como eu disse, para usar essas linhas, mas assumimos que, se houver necessidade, eles poderão se comunicar conosco”.
Secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, durante entrevista coletiva em Bruxelas / Foto: REUTERS/Yves Herman
Líderes do G7 alertam a Rússia contra uso de arma química, biológica ou nuclear
Em uma declaração conjunta, líderes do G7 alertaram a Rússia contra o uso de armas químicas, biológicas ou nucleares na invasão da Ucrânia. “Avisamos contra qualquer ameaça de uso de armas químicas, biológicas e nucleares ou materiais relacionados”, escreveram os líderes após reunião em Bruxelas.
Eles também denunciaram as tentativas da Rússia de desinformação, sugerindo que a Ucrânia estava se preparando para usar uma arma química ou nuclear.
O G7 disse: “Estamos preocupados com a repressão crescente e reforçada contra o povo russo e a retórica cada vez mais hostil da liderança russa, inclusive contra cidadãos comuns”.
Reunião do G7 / Foto: Leon Neal – WPA Pool/Getty Images
Rússia poderia usar armas nucleares se “provocada” pela Otan, diz oficial russo
O vice-embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Dmitry Polyanskiy, disse em entrevista ao canal britânico Sky News, na quarta-feira (23), que não está descartada a possibilidade do uso de armas nucleares caso a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) “provoque” ou “ataque” a Rússia.
“Se a Rússia for provocada pela Otan, se for atacada pela Otan, eu não sei… Somos uma potência nuclear, por que não?”, declarou.
“Não é algo certo para dizer, mas não é certo ameaçar a Rússia e tentar interferir. Quando você está lidando com uma potência nuclear, você precisa calcular todas as consequências do seu comportamento”.
Dmitry Polyanskiy, vice-representante da Russia nas Nações Unidas / John Minchillo-Pool/Getty Images
Biden e presidente da Comissão Europeia afirmam união na condenação da invasão à Ucrânia
Por meio de um comunicado conjunto, o presidente dos EUA, Joe Biden, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disseram que estão “unidos em nossa condenação da guerra de agressão injustificada e não provocada da Rússia contra a Ucrânia”.
Entre os esforços destacados pelos líderes, Biden e von der Leyen disseram que “os Estados Unidos e a União Europeia estão apoiando o trabalho de especialistas em documentação de crimes de guerra que estão coletando evidências no terreno na Ucrânia”, além de delinear seus esforços em questões como segurança alimentar e ajuda humanitária.
O primeiro-ministro do Japão Fumio Kishida, o presidente dos EUA Joe Biden, o secretário-geral da OTAN Jens Stoltenberg, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen e o primeiro-ministro do Canadá Justin Trudeau e o chanceler da Alemanha Olaf Scholz antes da reunião dos líderes do G7 em Bruxelas, em 24 de março de 2022 / Foto: Henry Nicholls – Pool/Getty Images
Ucrânia afirma ter destruído grande navio de guerra russo
O porto de Berdyansk, no sul da Ucrânia, foi abalado por uma série de fortes explosões logo após o amanhecer da quinta-feira (24). Ele havia sido recentemente ocupado por forças russas e vários navios de guerra russos estavam ancorados lá.
As Forças Armadas da Ucrânia disseram que “destruíram um grande navio de desembarque” que chamaram de “Orsk”.
Vários navios russos estavam descarregando equipamentos militares em Berdyansk nos últimos dias, de acordo com relatos do porto por meios de comunicação russos.
As forças armadas ucranianas disseram que, além de destruir o Orsk, “mais dois navios foram danificados. Um tanque de combustível de 3.000 toneladas também foi destruído. O fogo se espalhou para o depósito de munições do inimigo. Detalhes dos danos causados ao ocupante estão sendo esclarecidos.”
Vídeos de mídia social mostraram incêndios no cais com uma série de explosões no porto de Berdyansk / Reuters
Mais de 3.000 pessoas fugiram por corredores humanitários na quinta, diz Ucrânia
De acordo com autoridades do alto escalão do governo da Ucrânia, um total de 3.343 pessoas fugiram de cidades ucranianas através de corredores humanitários apenas nesta quinta-feira (24). O número é menor que o registrado no dia anterior, quando 4.454 ucranianos conseguiram escapar.
A vice-primeira-ministra da Ucrânia, Iryna Vereshchuk, disse em uma publicação online que 2.717 pessoas conseguiram deixar a cidade de Mariupol, no leste do país, que está cercada por tropas russas e recebe constantes ataques. Vereshchuk ainda acusou os russos de bloquearem comboios de ajuda humanitária na cidade nos últimos três dias.
Nesta quinta-feira, a vice-primeira-ministra ucraniana confirmou que foi alcançado um acordo sobre o estabelecimento de sete corredores humanitários para evacuar civis de cidades e vilas ucranianas. Porém, segundo ela, os civis que tentariam deixar a sitiada cidade de Mariupol teriam que encontrar transporte na vizinha Berdyansk — deixando claro que a Rússia não permitiu que um corredor seguro fosse criado para ou do centro da cidade portuária.
Carros queimados em Mariupol, cidade ucraniana atacada pela Rússia / Anadolu Agency via Getty Images
Vídeo: Repórter da CNN acompanha situação de refugiados ucranianos na Polônia
Vídeos caseiros de Zelensky falados em russo viram arma
Desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, há um mês, o mundo tem acompanhado os desdobramentos de perto. A resistência ucraniana surpreendeu até os seus adversários que, antes mesmo da incursão, diziam que a chamada operação especial militar duraria apenas alguns dias.
Diversas linhas de análise observam que houve um grave erro de cálculo por parte de Vladimir Putin, ao subestimar o exército ucraniano mas, acima de tudo, o presidente russo não esperava que teria que encarar uma ameaça a sua altura: a habilidade de comunicação de Volodymyr Zelensky. Leia a reportagem completa.Vídeos caseiros de Zelensky falados em russo viram arma contra Putin / Reprodução/Redes Sociais
Aumentar orçamentos militares e impor sanções não é solução para guerra, diz Papa
O Papa Francisco emitiu fortes críticas contra os países por aumentarem os gastos militares à medida que o ataque da Rússia à Ucrânia continua, classificando-o como “loucura”. Falando na quinta-feira (24) para uma audiência com o Centro da Mulher Italiana em Roma, o Papa culpou a guerra “vergonhosa” na Ucrânia à “velha lógica de poder que ainda domina a chamada geopolítica”.
Ele descartou sanções e armas como uma solução para o conflito e disse que o mundo deve redesenhar sua forma de governar para que não esteja sujeito ao “poder econômico-tecnocrático-militar”.
“Agora está claro que a boa política não pode vir da cultura do poder entendida como dominação e opressão, mas apenas de uma cultura de cuidado, cuidado com a pessoa e sua dignidade e cuidado com a nossa casa comum”, afirmou.
Papa Francisco / Foto: REUTERS/Yara Nardi
Lourival Sant’Anna: Rússia não tem condições de dominar a Ucrânia, mas tem poder para destruí-la
Para o analista de Internacional da CNN, Lourival Sant’Anna, mesmo que não conquiste o território ucraniano, a Rússia deve causar danos significativos no país. “As tropas russas não têm condições de dominar a Ucrânia, mas têm poder de fogo para destruir a Ucrânia, é isso que eles vão fazer”, afirma.
Fracasso de Putin é fundamental para a prosperidade de todos, diz Boris Johnson
Após a reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) realizada nesta quinta-feira (24), o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou em entrevista coletiva que espera pelo “fracasso de Putin” na invasão da Ucrânia.
“O fracasso de Putin na Ucrânia é fundamental para a paz e prosperidade de todos nós e a sua invasão tem levado toda a comunidade à ação coletiva”, disse. Segundo o premiê, o Reino Unido fornecerá mais 6 mil mísseis e 25 milhões de libras à Ucrânia.
“Trabalharemos com os nossos aliados para fornecer auxílio à Ucrânia com grande escala. Auxiliando o presidente Zelensky com a qualidade e quantidade que necessita para proteger o seu país do seu vizinho agressor”, disse Johnson.
Alemanha aumenta ajuda humanitária à Ucrânia para evitar fome
A Alemanha irá aumentar a ajuda humanitária destinada à Ucrânia e aos estados vizinhos para mais de 370 milhões de euros (cerca de R$ 1,9 bilhão) e oferecerá mais 430 milhões de euros (cerca de R$ 2,2 bilhões) para combater uma potencial crise de fome, disse o chanceler alemão Olaf Scholz na quinta-feira (24).
Ele pediu que outros países oferecessem mais ajuda durante uma coletiva de imprensa após um encontro com outros líderes do G7 e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
“A guerra da Rússia está impactando dramaticamente o suprimento de comida muito além da Ucrânia. E é por isso que devemos fazer tudo para prevenir a fome”, disse Scholz. “A Europa está apoiando muito, mas precisamos de um esforço global”.
Chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, durante entrevista coletiva em Berlim / Foto: John Macdougall/ Pool via REUTERS
Kremlin diz que bilionário Abramovich participou de conversas de paz com Ucrânia
O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, disse na quinta-feira (24) que o bilionário russo Roman Abramovich desempenhou um papel inicial nas negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, mas o processo agora está nas mãos das equipes de negociação dos dois lados.
“Ele participou no estágio inicial”, disse Peskov a repórteres. “Agora as negociações são entre as duas equipes, os russos e os ucranianos.”
Os governos ocidentais têm como alvo Abramovich e vários outros oligarcas russos com sanções enquanto procuram isolar o presidente Vladimir Putin e seus aliados sobre os eventos na Ucrânia.
Roman Abramovich, no estádio Stamford Bridge / Action Images via Reuters / John Sibley Livepic
Veja todas as imagens da invasão da Ucrânia pela Rússia:
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Invasão começou na quinta-feira, 24 de fevereiro, com bombardeios em diversas cidades da Ucrânia. Na imagem, uma explosão ocorre na capital Kiev
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
Além de Rússia e Ucrânia: as outras guerras ativas no mundo
Quando o mundo parecia começar a emergir da pandemia de Covid-19, a escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia teve o pior desfecho: a invasão russa e o surgimento de um novo conflito armado no coração da Europa, o que se soma às guerras ativas no mundo.
As imagens de tanques e veículos blindados agora avançando pela Ucrânia, de soldados montando trincheiras defensivas e de aviões e mísseis bombardeando cidades enquanto civis tentam escapar da guerra, trazem de volta memórias de guerras passadas. Mas a Ucrânia não é o único conflito armado no mundo hoje. Veja a lista.
Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?
A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões
Rússia: US$ 45,3 bilhões
TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados
Rússia: 840 mil soldados
AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170
Rússia: 1.212
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170
Rússia: 997
TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302
Rússia: 3.601
ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555
Rússia: 5.613
Resumo para entender o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer do dia 24 de fevereiro, as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.
O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.
No dia da invasão, Putin se justificou por uma declaração gravada exibida na TV. O russo afirmou haver um “genocídio” em curso no leste ucraniano, promovido por tropas “neonazistas” do país contra russos étnicos e separatistas da região.
O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
A Rússia afirmou que só irá parar com os ataques se suas “condições” forem aceitas pela Ucrânia. Na lista, estão uma mudança da Constituição do país para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.
A Ucrânia recebeu uma grande onda de apoio internacional de países tanto no âmbito militar — com diversas nações ocidentais enviando armamentos, drones, sistemas de defesa contra ciberataques e outros — quanto no repúdio de instituições globais e de grande parte do setor privado aos ataques.
Com a Rússia, um dos principais pontos discutidos é uma garantia de segurança por parte do país vizinho, já que esta não foi a primeira vez que a Ucrânia teve o território invadido e cobiçado. O presidente ucraniano chegou a propor até a criação de uma nova aliança internacional visando assegurar a paz em territórios invadidos.
O conflito mudou cenário geopolítico e é maior crise humanitária em anos na Europa. Confira os 10 pontos definitivos para entender a guerra.