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Sem avanços, Rússia diz ter encerrado “primeira etapa” da guerra na Ucrânia

Siga as principais informações da guerra na Ucrânia

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 25/03/2022
Sem avanços, Rússia diz ter encerrado “primeira etapa” da guerra na Ucrânia
Foto: CNN
Um alto general russo afirmou nesta sexta-feira (25) que a “primeira etapa” do plano militar da Rússia na Ucrânia está concluída e que, agora, o foco é atingir o leste do país vizinho. “Em geral, as principais tarefas da primeira etapa da operação foram concluídas”, disse o coronel-general Sergei Rudskoy, primeiro vice-chefe do Estado-Maior da Rússia, em um pronunciamento nesta sexta. “O potencial de combate das forças armadas da Ucrânia foi significativamente reduzido, permitindo-nos, enfatizo novamente, concentrar os principais esforços em alcançar o objetivo principal – a libertação de Donbass”, disse o militar, referindo-se à região ucraniana controlada por separatistas. Os comentários de Rudskoy ocorrem no momento em que os avanços da Rússia parecem ter parado nas principais cidades ucranianas, como Kiev e Kharkiv. A Rússia também não conseguiu alcançar a superioridade aérea na Ucrânia e sofreu grandes perdas de pessoal desde o início da invasão.

Baixas nas tropas russas

As forças armadas russas disseram, em uma coletiva nesta sexta, que 1.351 militares haviam sido mortos na Ucrânia e 3.825 haviam sido feridos –a primeira grande atualização de baixas desde 2 de março. “Infelizmente, durante a operação militar especial, houve perdas entre nossos camaradas”, disse Sergei Rudskoy. “Até hoje, 1.351 militares morreram, 3.825 foram feridos. O Estado assumirá a responsabilidade de apoiar as famílias, criar as crianças para receber educação superior, para o reembolso total dos empréstimos e para resolver a questão da moradia”, completou. A última atualização oficial sobre as baixas de soldados ucranianos foi informada pelo presidente Volodymyr Zelensky, que disse à imprensa, no dia 12 de março, que 1.300 soldados ucranianos haviam sido mortos desde o início da invasão russa. Além disso, segundo as últimas atualizações da ONU, o conflito já deixou pelo menos 1.035 mortes de civis do lado ucraniano e ao menos 3,6 milhões de cidadãos que viviam na Ucrânia deixaram o país.
Tanque de guerra russo destruído na Ucrânia
Tanque de guerra russo destruído na Ucrânia / Maximilian Clarke/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Destaques das últimas 24 horas

EUA tentam reduzir dependência de petróleo e gás russos

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciaram nesta sexta-feira uma força-tarefa em um esforço para afastar a Europa de sua dependência do petróleo e gás russos. As conversas integram os últimos esforços dos líderes ocidentais para discutir os impactos da guerra na Ucrânia. Os Estados Unidos trabalharão para fornecer à Europa pelo menos 15 bilhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito em 2022, em parceria com outras nações, informou a Casa Branca. Na manhã desta sexta, no horário de Brasília, Biden desembargou na Polônia. Segundo o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, ele deve reunir-se com grupos de refugiados neste sábado (26) e ter um encontro com o presidente polonês Andrzej Duda, com o qual fará um “discurso importante”. O presidente também visitou soldados dos EUA e agradeceu-lhes pelo serviço. Em entrevista coletiva ao lado do presidente de Duda, Biden informou que irá destinar um bilhão de dólares (aproximadamente R$ 4,7 bilhões) à Polônia para ajudar na situação humanitária dos refugiados no país.
Presidente dos EUA, Joe Biden, reúne-se com o presidente da Polônia, Andrzej Duda, em Rzeszow, Polônia / Jeff J Mitchell/Getty Images (25.mar.2022)

Ucrânia recupera posições

Também nesta sexta, a inteligência do Ministério da Defesa do Reino Unido informou que as forças ucranianas retomaram cidades e posições defensivas ao redor da parte leste de Kiev, capital da Ucrânia. “Os contra-ataques ucranianos e as forças russas recuando em linhas de suprimento sobrecarregadas permitiram à Ucrânia reocupar cidades e posições defensivas até 35 quilômetros a leste de Kiev”, disse o ministério. “As forças ucranianas provavelmente continuarão tentando empurrar as forças russas de volta ao longo do eixo noroeste de Kiev em direção ao aeródromo de Hostomel”, acrescentou.

Ataque a teatro em Mariupol deixou 300 mortos, diz Ucrânia

O conselho da cidade de Mariupol diz que, com base em relatos de testemunhas oculares, acredita que cerca de 300 pessoas morreram em um suposto ataque russo a um teatro na cidade no dia 16 de março. As estimativas do número de pessoas abrigadas no teatro variaram entre 800 e 1.300. As informações sobre a extensão total do ataque demoraram a surgir devido ao colapso quase completo de serviços essenciais na cidade, incluindo redes de comunicação. “Infelizmente, começamos o dia com más notícias”, disse o conselho da cidade de Mariupol em seu canal Telegram nesta sexta-feira (25). “Há informações, com base em testemunhas oculares, de que cerca de 300 pessoas morreram no Teatro Drama em Mariupol como resultado de um bombardeio de aviões russos”. “Ainda não queremos acreditar nesse horror. Ainda queremos acreditar que todos conseguiram escapar. Mas as palavras daqueles que estavam dentro do prédio no momento desse ato terrorista dizem o contrário.”

ONU diz ter informações sobre valas comuns em Mariupol

As Nações Unidas comunicaram que receberam informações sobre a existência de valas comuns na cidade de Mariupol, bem como “informações de satélite” a respeito de um desses locais, disse Matilda Bogner, chefe do monitoramento de Direitos Humanos da Missão na Ucrânia da ONU. “Estimamos que uma dessas valas comuns contenha cerca de 200 pessoas”, disse em uma entrevista coletiva na sexta-feira (25).
Destruição em Mariupol
Mariupol é uma das cidades mais destruídas pelas forças russas / Stringer/Anadolu Agency via Getty Images

Mísseis atingem centro de comando da Força Aérea ucraniana

Os militares ucranianos disseram nesta sexta-feira que as forças russas lançaram ataques com mísseis de cruzeiro no centro de comando da Força Aérea Ucraniana, no centro-oeste do país, causando “destruição significativa” à infraestrutura. “Hoje, 25 de março, por volta das 16h30 (11h30 pelo horário de Brasília), os ocupantes russos lançaram um ataque com mísseis no território do Comando da Força Aérea das Forças Armadas da Ucrânia em Vinnytsia”, segundo o comunicado.

Brasil quer ser mediador do diálogo para fim da guerra

No fim da manhã desta sexta, enquanto visitava o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, teve que encaixar um telefonema na longa agenda de compromissos no Rio de Janeiro. A chamada foi com o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken. Ao homem forte de Joe Biden, o chanceler brasileiro mostrou preocupação com a suposta ‘seletividade’ nas sanções impostas à Rússia e fez um pedido: autorização para negociar com países sob sanção. “Eu não sei se nós podemos mediar a paz. […] Nós estamos de alguma maneira distantes do teatro em que se desenrola esse conflito. Mas seguramente o Brasil, pela posição que tem de serenidade, de construção de consenso nas Nações Unidas, pode ser sim um facilitador desse diálogo”, disse o ministro à CNN.
Chanceler brasileiro, Carlos França / 16/02/2022 REUTERS/Shamil Zhumatov/Pool

Macron deve falar com Putin sobre evacuação de civis

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse nesta sexta que espera ter mais conversas “nas próximas horas” com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a situação na Ucrânia e quaisquer planos para ajudar as pessoas a deixarem Mariupol. O porto de Mariupol, no sudeste, uma cidade de 400 mil habitantes antes da guerra, está entre os mais atingidos pelos bombardeios russos. Ambos também conversaram na terça-feira (22), ocasião em que discutiram as condições para a paz entre Rússia e Ucrânia, segundo informações da agência de notícias russa Interfax. O presidente francês tem sido um dos principais interlocutores do conflito entre os líderes europeus.
Presidente da França, Emmanuel Macron, e presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Presidente da França, Emmanuel Macron, e presidente da Rússia, Vladimir Putin / Foto: Getty Images

Spotify diz que vai suspender serviço na Rússia

O Spotify disse nesta sexta-feira que suspenderá seu serviço de streaming na Rússia em resposta à nova lei de mídia do país. A plataforma  de áudio fechou seu escritório na Rússia indefinidamente no início deste mês, citando o que descreveu como “ataque não provocado de Moscou à Ucrânia“. “O Spotify continua acreditando que é extremamente importante tentar manter nosso serviço operacional na Rússia para fornecer notícias e informações confiáveis ​​e independentes da região”, disse o Spotify. “Infelizmente, uma lei recentemente promulgada restringindo o acesso à informação, eliminando a liberdade de expressão e criminalizando certos tipos de notícias coloca em risco a segurança dos funcionários do Spotify e a possibilidade de até mesmo nossos ouvintes.”

Fotos: dez imagens que marcam um mês de guerra