Zelensky diz que Ucrânia está pronta para aceitar status neutro; negociações ocorrerão na Turquia
A próxima rodada de negociações entre a Rússia e a Ucrânia será realizada em Istambul nesta terça-feira (29), informou a presidência da Turquia
PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN28/03/2022
Foto: Infobae
A próxima rodada de negociações entre a Rússia e a Ucrânia será realizada em Istambul nesta terça-feira (29), informou a presidência da Turquia.
O encontro entre representantes dos países acontecerá após o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarar no domingo (27) que a Ucrânia está pronta para aceitar um status neutro como parte de um acordo de paz.
As negociações em Istambul, segundo o Kremlin, buscam um acordo de paz entre as delegações para interromper a guerra, que teve início em 24 de fevereiro. Os negociadores devem chegar à Turquia ainda nesta segunda-feira (28), mas é improvável que as negociações ocorram ainda hoje.
O presidente russo, Vladimir Putin, e seu colega turco, Tayyip Erdogan, concordaram em uma ligação telefônica no domingo para Istambul sediar o encontro. Até agora, Ucrânia e Rússia se sentaram à mesa para algumas rodadas de negociações. Houve a tentativa de abertura de corredores para retirada da população e chegada de ajuda humanitária.
Vídeo: Zelensky fala sobre a neutralidade para a Ucrânia
Putin pode querer Ucrânia dividida, como Coreias
O chefe da inteligência militar da Ucrânia diz que o presidente russo, Vladimir Putin, pode estar tentando dividir a Ucrânia em duas – como a Coreia do Norte e a Coreia do Sul.
O general de brigada Kyrylo Budanov, chefe da Agência de Inteligência de Defesa da Ucrânia, disse que as operações da Rússia em Kiev falharam e agora é impossível para o exército russo derrubar o governo ucraniano. A guerra de Putin agora está focada no sul e no leste do país, disse ele.
“Há razões para acreditar que ele está considerando um cenário ‘coreano’ para a Ucrânia. Ou seja, [as forças russas] tentarão impor uma linha divisória entre as regiões desocupadas e ocupadas de nosso país. Na verdade, é uma tentativa de criar a Coreia do Norte e a Coreia do Sul na Ucrânia.”
Edifício fortemente danificado após bombardeio na área de Vitryani Hory em Kiev, Ucrânia, em 27 de março de 2022. (Foto de Andres Gutierrez/Agência Anadolu via Getty Images) / Andres Gutierrez/Agência Anadolu via Getty Images
Vídeo: Ucrânia registra novos ataques com mísseis
Kiev afrouxa toque de recolher enquanto ataques russos continuam
O prefeito de Kiev, Vitaly Klitschko, anunciou nesta segunda-feira (28) um leve afrouxamento do toque de recolher na capital ucraniana.
Em um post em sua conta no Facebook, Klitschko disse: “Amigos! Informações importantes! O toque de recolher está mudando em Kiev e na região. A partir de hoje, 28 de março, o toque de recolher começará uma hora depois e terminará uma hora antes. Durará das 21h às 6h”.
As autoridades locais anunciaram anteriormente que as aulas na capital seriam retomadas em formato online nesta segunda. O prefeito também cancelou um plano para um toque de recolher prolongado no fim de semana.
Policial patrulha uma área residencial que foi destruída como resultado de um ataque de foguete. (Foto de Anastasia Vlasova/Getty Images) / Anastasia Vlasova/Getty Images
Erdogan reforça necessidade de cessar-fogo
O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, disse ao líder russo, Vladimir Putin, em um telefonema no domingo, que é necessário um cessar-fogo e também melhores condições humanitárias após a invasão da Ucrânia por Moscou.
“Erdogan ressaltou a importância de um cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia, a implementação da paz e a melhoria das condições humanitárias na região”, destacou o comunicado.
Tayyip Erdogan, presidente da Turquia, participa de entrevista em Istanbul / 13/09/2019 REUTERS/Umit Bektas
Putin e Zelensky só devem se reunir após consenso
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse na segunda-feira (28) que uma reunião entre o presidente Vladimir Putin e seu colega ucraniano Volodymyr Zelensky deve acontecer assim que os dois lados estiverem mais perto de concordar em questões-chave.
Falando a meios de comunicação sérvios, Lavrov acrescentou que qualquer encontro entre Putin e Zelensky para trocar opiniões sobre o conflito agora seria contraproducente.
Já Zelensky, em entrevista a jornalistas independentes russos, afirmou que a Ucrânia está pronta para negociar sua neutralidade e o status não nuclear. “Pelo o que me lembro, esse foi o motivo pelo qual a Rússia começou o ataque”, disse Zelensky. Segundo ele, qualquer decisão da mesa de negociação será submetida a um referendo popular.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin / Reuters
Papa alerta sobre ameaça de conflito global
A ameaça de um conflito global desencadeado pela invasão da Ucrânia pela Rússia precisa convencer a todos de que chegou a hora de a humanidade abolir a guerra antes que ela acabe com a humanidade, disse o papa Francisco neste domingo.
“Mais de um mês se passou desde a invasão da Ucrânia, desde o início desta guerra cruel e sem sentido, que, como toda guerra, é uma derrota para todo mundo, para todos nós”, disse ele a milhares de pessoas na Praça de São Pedro, durante sua bênção dominical.
“Temos que repudiar a guerra, um lugar de morte onde pais e mães enterram seus filhos, onde homens matam seus irmãos sem sequer vê-los, onde os poderosos decidem e os pobres morrem”, acrescentou.
Papa Francisco durante celebração no Vaticano / Vatican Pool – Corbis/Getty Images
Cerca de 25% da população ucraniana teve de sair de casa
Em pouco mais de um mês de conflito, mais de 10 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas em busca de segurança. Segundo as estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), o equivalente a um quarto da população da Ucrânia. Ao menos 3,7 milhões de cidadãos já acharam refúgio em outros países.
A Agência da ONU para os Refugiados, ACNUR, alerta para a vulnerabilidade da maioria dos deslocados. Ao menos 60% deles estão acompanhados por crianças.
As gestantes, idosos, pessoas com doenças crônicas e dificuldade de locomoção estão em situação de “magnitude do sofrimento humano”; definiu o diretor geral da Organização Internacional para Migrações, o português António Vitorino.
De acordo com as estimativas da ONU, em torno de 6,5 milhões de homens, mulheres e crianças fizeram migrações internas dentro da Ucrânia e cerca de 13 milhões de pessoas podem estar presas em áreas afetadas pelos bombardeios ou impedidas de sair pelas destruições de pontes e estradas; ou ainda por medo de não ter onde encontrar alojamentos seguros.
Fotos – A fuga dos ucranianos
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Refugiados da Ucrânia chegam a abrigo temporário em Korczowa, na Polônia
Crédito: Sean Gallup/Getty Images
Maior avanço militar da Rússia é ao sul de Mariupol
A maioria dos ganhos militares da Rússia perto de Mariupol está nas áreas do sul, de acordo com a última atualização de inteligência do Reino Unido.
“A Rússia ganhou mais terreno no sul, nas proximidades de Mariupol, onde a luta continua enquanto os russos tentam tomar o controle do porto”, disse o Ministério da Defesa do Reino Unido no Twitter na segunda-feira (28).
Além de seu relatório, o ministério disse que “não houve mudança significativa nas disposições das Forças Russas na Ucrânia ocupada”.
“A escassez logística foi agravada por uma contínua falta de impulso e moral entre os militares russos e combates agressivos dos ucranianos”, continuou.
Hospital destruído por bombardeio russo em Mariupol / Foto: Reuters
Veja dez imagens que marcaram a guerra na Ucrânia
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Após o presidente Vladimir Putin fazer um pronunciamento autorizando uma "operação militar especial" na Ucrânia, primeiras explosões foram registradas na capital Kiev na quinta-feira, 24 de fevereiro
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
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Um comboio de tropas russas com quilômetros de extensão se desloca na Ucrânia, em direção à Kiev. Na última semana, autoridades britânicas afirmaram que a longa fila de veículos militares estaria parada
Crédito: Maxar
Maior avanço militar da Rússia é ao sul de Mariupol
A maioria dos ganhos militares da Rússia perto de Mariupol está nas áreas do sul, de acordo com a última atualização de inteligência do Reino Unido.
“A Rússia ganhou mais terreno no sul, nas proximidades de Mariupol, onde a luta continua enquanto os russos tentam tomar o controle do porto”, disse o Ministério da Defesa do Reino Unido no Twitter na segunda-feira (28).
Além de seu relatório, o ministério disse que “não houve mudança significativa nas disposições das Forças Russas na Ucrânia ocupada”.
“A escassez logística foi agravada por uma contínua falta de impulso e moral entre os militares russos e combates agressivos dos ucranianos”, continuou.
Hospital destruído por bombardeio russo em Mariupol / Foto: Reuters
Veja dez imagens que marcaram a guerra na Ucrânia
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Após o presidente Vladimir Putin fazer um pronunciamento autorizando uma "operação militar especial" na Ucrânia, primeiras explosões foram registradas na capital Kiev na quinta-feira, 24 de fevereiro
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
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Um comboio de tropas russas com quilômetros de extensão se desloca na Ucrânia, em direção à Kiev. Na última semana, autoridades britânicas afirmaram que a longa fila de veículos militares estaria parada
Crédito: Maxar
Invasão da Ucrânia é “retorno ao imperialismo”, diz chanceler alemão
O chanceler alemão, Olaf Scholz, afirmou na noite de domingo (27) que a invasão da Ucrânia é “o retorno ao imperialismo”.
“Todos nós temos que nos preparar para o fato de que temos um vizinho que está usando violência no momento. E devemos impedir que isso se torne uma prática”, disse Scholz durante o programa de entrevistas “Anne Will” na TV aberta.
Ele acrescentou que a Alemanha estava discutindo a compra de um sistema de defesa antimísseis e advertiu Moscou: “Não se atreva a nos atacar”.
Tanque de guerra russo destruído na Ucrânia / Maximilian Clarke/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Jornalistas trabalham dentro de bunker na Ucrânia
Uma equipe da CNN teve de fazer adaptações na rotina de trabalho para conseguir transmitir com segurança as informações vindas da Ucrânia. Desde o dia 24 de fevereiro, o país do Leste Europeu está sob ataques das forças russas, lideradas pelo presidente Vladimir Putin.
Os jornalistas improvisaram uma redação em um imóvel localizado em cima de um abrigo subterrâneo. O espaço também está sendo usado como abrigo temporário para os profissionais, já que não há condições seguras para que a equipe fique hospedada em um hotel.
Quando há emissão de um alerta de novos ataques, os profissionais descem para o abrigo e esperam lá até que seja possível voltar para a redação em segurança.
Ao saírem para reportagens externas, os jornalistas precisam recorrer a equipamentos de segurança, como coletes à prova de balas e capacetes.
Como as 9 palavras improvisadas de Biden podem afetar a guerra na Ucrânia
Apenas nove palavras improvisadas colocam um mundo já sob tensão no limite novamente.
A sugestão do presidente dos Estados Unidos Joe Biden, feita na Polônia, no sábado (26), de que o ataque de Vladimir Putin à Ucrânia deveria desqualificá-lo do poder desencadeou uma tempestade política internacional.
De volta a Washington no domingo (27), Biden disse a repórteres que não estava pedindo uma mudança de regime na Rússia – ecoando uma mensagem repetida várias vezes por seus subordinados, mesmo antes de retornar aos Estados Unidos.
Mas as reverberações globais dos comentários deixam o governo enfrentando sérias questões. Algumas são estratégicas e podem impactar o curso futuro da guerra e as esperanças, até agora ilusórias, de um cessar-fogo. Outras são políticas e se relacionam com a posição de Biden em casa, em meio a uma torrente de críticas republicanas, e internacionalmente, enquanto ele busca manter a coalizão ocidental unida.
Presidente dos EUA, Joe Biden / REUTERS/Leah Millis
Kremlin diz que falas de Biden sobre Putin são motivos de preocupação
O Kremlin está preocupado com os comentários do presidente dos EUA, Joe Biden, sobre o presidente russo, Vladimir Putin, disse o porta-voz Dmitry Peskov na segunda-feira (28). Biden disse neste sábado (26) durante uma visita à Polônia que Putin não deveria mais permanecer no poder.
Mais tarde, funcionários da Casa Branca minimizaram a observação, dizendo que Biden não estava pedindo uma mudança de regime. O Kremlin, no entanto, emitiu sua própria resposta dizendo que o governante da Rússia “não deve ser decidido por Biden”.
“Essas declarações certamente estão causando preocupação”, disse Peskov nesta segunda em uma teleconferência com jornalistas quando questionado sobre os comentários de Biden.
Zelensky diz que Moscou está “assustada” com sua entrevista a jornalistas russos
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reagiu à tentativa da Rússia de censurar sua entrevista com jornalistas russos independentes, dizendo que Moscou está “assustada” por jornalistas “que podem dizer a verdade”.
“Pessoas fortes de nosso país forte, hoje é o dia em que estou convencido repetidamente de quão longe estamos da Federação Russa”, disse Zelensky em um vídeo compartilhado neste domingo (27).
“Imaginem, eles ficaram assustados em Moscou por causa da minha entrevista com jornalistas russos. Aqueles que podem dizer a verdade”.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky / UKRINFORM/ Ukrinform/Future Publishing via Getty Images
Rússia é acusada de crimes de guerra por invasão à Ucrânia
As forças armadas russas claramente não estão atingindo seus objetivos na Ucrânia, os ataques russos têm causado enorme sofrimento nos civis e destruição material de alvos não militares, por isso, a Rússia é acusada de crimes de guerra.
O impacto político na Rússia caso o país seja condenado por estes crimes foi o tema do painel mediado pelo analista de Internacional da CNN Brasil Lourival Sant’Anna neste sábado.
Veja coletânea de imagens da invasão da Ucrânia:
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Invasão começou na quinta-feira, 24 de fevereiro, com bombardeios em diversas cidades da Ucrânia. Na imagem, uma explosão ocorre na capital Kiev
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?
A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões
Rússia: US$ 45,3 bilhões
TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados
Rússia: 840 mil soldados
AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170
Rússia: 1.212
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170
Rússia: 997
TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302
Rússia: 3.601
ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555
Rússia: 5.613
Resumo para entender o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer do dia 24 de fevereiro, as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.
O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbass (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.
No dia da invasão, Putin se justificou por uma declaração gravada exibida na TV. O russo afirmou haver um “genocídio” em curso no leste ucraniano, promovido por tropas “neonazistas” do país contra russos étnicos e separatistas da região.
O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
A Rússia afirmou que só irá parar com os ataques se suas “condições” forem aceitas pela Ucrânia. Na lista, estão uma mudança da Constituição do país para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.
A Ucrânia recebeu uma grande onda de apoio internacional de países tanto no âmbito militar — com diversas nações ocidentais enviando armamentos, drones, sistemas de defesa contra ciberataques e outros — quanto no repúdio de instituições globais e de grande parte do setor privado aos ataques.
Com a Rússia, um dos principais pontos discutidos é uma garantia de segurança por parte do país vizinho, já que esta não foi a primeira vez que a Ucrânia teve o território invadido e cobiçado. O presidente ucraniano chegou a propor até a criação de uma nova aliança internacional visando assegurar a paz em territórios invadidos.
O conflito mudou cenário geopolítico e é maior crise humanitária em anos na Europa. Confira os dez pontos definitivos para entender a guerra.