Mesmo com promessa russa de redução da ofensiva, ataques continuam nos subúrbios de Kiev
Depois de a Rússia afirmar nesta terça-feira (29) que decidiu cortar drasticamente sua atividade militar focada em Kiev e Chernihiv na Ucrânia, uma equipe da CNN que visitava uma área residencial perto da linha de frente na parte leste da capital ucranian
PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN29/03/2022
Foto: ABC
Depois de a Rússia afirmar nesta terça-feira (29) que decidiu cortar drasticamente sua atividade militar focada em Kiev e Chernihiv na Ucrânia, uma equipe da CNN que visitava uma área residencial perto da linha de frente na parte leste da capital ucraniana registrou que os intensos combates continuaram nos subúrbios de Kiev.
Os jornalistas da CNN puderam ouvir baques altos e frequentes de artilharia entrando e saindo. Vários sistemas de lançamento de foguetes também podem ser ouvidos esporadicamente. Em um posto de controle próximo, um membro das forças de Defesa Territorial da Ucrânia, Yuryi Matsarski, disse à CNN que os combates não diminuíram nas últimas 24 horas.
“[Houve bombardeios] o tempo todo ontem. Houve muitos bombardeios à noite e também hoje de manhã e agora, à noite”, disse ele. “Até onde eu entendo, nenhum alvo foi atingido aqui em Kiev, então nosso sistema antifoguete está fazendo o seu melhor.”
Moradores com quem a CNN conversou disseram suspeitar do anúncio da Rússia de que estava retirando algumas de suas forças da região, acrescentando que Moscou não era confiável.
Rússia confirmou que reduziria drasticamente atividade militar em Kiev
Mais cedo, o vice-ministro da Defesa da Rússia afirmou que o país iria cortar drasticamente sua atividade militar focada em Kiev e Chernihiv na Ucrânia.
O anúncio aconteceu após conversas entre equipes de negociação russas e ucranianas em Istambul. A Rússia está começando a retirar algumas forças, incluindo Grupos Táticos do Batalhão Russo (BTGs) deixando as áreas circundantes ao redor da capital ucraniana. As forças russas agora recuam em algumas áreas do norte para se concentrar em ganhos no sul e no leste.
O Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Ucrânia afirmou anteriormente que “certas unidades” das forças armadas da Rússia estão se retirando das frentes de batalha na capital, Kiev, e da cidade de Chernihiv, no norte.
Em nova negociação, ucranianos oferecem neutralidade em troca de garantias de segurança
A rodada desta terça-feira (29) de negociações entre a Rússia e a Ucrânia em Istambul, na Turquia, terminou sem um “acordo carimbado”, mas com avanços. Segundo o conselheiro presidencial ucraniano, Mykhailo Podolyak, foi apresentada uma proposta de neutralidade do país em troca de garantias de segurança. Também foram discutidos um possível cessar-fogo e a situação da Crimeia. As negociações ainda prosseguirão por mais duas semanas.
Pouco após o encontro no palácio presidencial Dolmabahce, com a presença do presidente turco, Tayyip Erdogan, um membro do ministério da Defesa da Rússia anunciou que o país diminuirá “drasticamente” as atividades militares perto de Kiev e Chernihiv.
Sobre a reunião, Podolyak explicou que a neutralidade da Ucrânia poderia ser alcançada após a garantia de segurança internacional. Outros países poderiam ser envolvidos para garantir o acordo. Um status neutro significa que a Ucrânia não se juntará a alianças militares ou hospedará bases militares estrangeiras. Veja todas as exigências do encontro.
A Ucrânia também apresentou a proposta de garantir consultas sobre o território da Crimeia — anexado pela Rússia em 2014 — pelos próximos 15 anos.
Já o negociador russo, Vladimir Medinsky, disse que as conversas foram produtivas e que as demandas ucranianas seriam levadas para conhecimento do presidente russo, Vladimir Putin. Sobre um encontro entre Putin e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, Medinsky afirmou que isso só acontecerá quando um “acordo for carimbado”.
As conversas duraram cerca de quatro horas com intervalos ocasionais. Em um discurso televisionado aos negociadores antes do início do encontro, Erdogan pediu um cessar-fogo imediato na guerra que começou no mês passado. Segundo a TV ucraniana, a reunião começou sem aperto de mãos entre os negociadores.
Vídeo: Ucranianos oferecem neutralidade aos russos, afirma negociador
Vídeo: Explosão é ouvida durante entrevista de prefeito ucraniano à CNN
EUA vê grande mudança de estratégia conforme Rússia se afasta de Kiev
Depois que o Ministério da Defesa russo anunciou que decidiu “reduzir drasticamente as hostilidades” nas direções de Kiev e Chernihiv, os Estados Unidos já estão observando esses movimentos em andamento – uma grande mudança de estratégia, de acordo com dois altos funcionários americanos.
Os EUA avaliam que a Rússia cobrirá sua retirada com bombardeios aéreos e de artilharia da capital, disse uma das autoridades. Ao mesmo tempo, oficiais americanos alertam que os russos sempre podem reverter o movimento, caso as condições da batalha permitam.
Na visão de autoridades americanas, este não é um ajuste de curto prazo para se reagrupar, mas um movimento de longo prazo, à medida que a Rússia enfrenta o fracasso em avançar no norte.
Militares ucranianos em cima de veículo blindado em Kiev / Foto: REUTERS/Valentyn Ogirenko
No entanto, o lado russo ressalta que a redução das operações militares não significa uma interrupção total dos ataques…
Rússia diz que promessa de desescalada na Ucrânia não significa cessar-fogo
A promessa daRússiade reduzir as operações militares em Kiev e no norte da Ucrânia não representa um cessar–fogo, disse nesta terça-feira (29) o principal negociador de Moscou nas conversas de paz com a Ucrânia. Além disso, as negociações sobre um acordo formal com o governo ucraniano “ainda têm um longo caminho a percorrer”.
“Isto não é um cessar–fogo, mas esta é a nossa aspiração, chegar gradualmente a uma desescalada do conflito, pelo menos nestas frentes”, disse Vladimir Medinsky em entrevista à agência de notícias Tass.
O negociador afirmou que a Rússia deu um segundo grande passo de desescalada ao concordar com uma possível reunião entre os presidentes dos dois países assim que um acordo de paz for alcançado. “No entanto, para preparar tal acordo em uma base mutuamente aceitável, ainda temos um longo caminho a percorrer”, finalizou.
Soldados russos são vistos em um tanque com a letra Z no distrito de Volnovakha em Donetsk, controlado pelos separatistas pró-russos, na Ucrânia / Foto: Sefa Karacan/Agência Anadolu via Getty Images
Foguete causa buraco em prédio do governo de Mykolaiv
Pelo menos 12 pessoas morreram e 33 ficaram feridas nesta terça-feira (29) quando um foguete atingiu o prédio da administração regional na cidade portuária de Mykolaiv, no sul da Ucrânia, informou o serviço de emergências ucraniano.
Em um post online, o órgão disse que 18 dos feridos foram retirados dos escombros por equipes de resgate que continuam trabalhando no local.
Uma imagem mostrava um grande buraco na lateral do prédio. Testemunhas da Reuters viram a destruição à distância e ambulâncias e carros de bombeiros indo para o local. A área foi isolada pelas autoridades ucranianas.
Imagem mostra buraco aberto por foguete russo em sede do governo de Mykolaiv, no sul da Ucrânia. / Reprodução Reuters
Biden e aliados europeus afirmam “determinação de continuar pressionando a Rússia”
Os presidentes dos Estados Unidos, França, Alemanha, Itália e o primeiro-ministro do Reino Unido “afirmaram sua determinação em continuar aumentando os custos contra a Rússia por seus ataques brutais na Ucrânia”, em uma ligação na manhã desta terça-feira (29), de acordo com um comunicado da Casa Branca.
Os chefes de Estado também concordaram em continuar “fornecendo assistência de segurança para a Ucrânia se defender contra esse ataque injustificado e não provocado”. “Eles revisaram seus esforços para fornecer assistência humanitária aos milhões afetados pela violência, tanto na Ucrânia quanto em busca de refúgio em outros países, e destacaram a necessidade de acesso humanitário aos civis em Mariupol”, diz o texto a Casa Branca.
Bandeiras em frente à sede da Otan, em Bruxelas, na Bélgica / Foto: REUTERS/Pascal Rossignol
Países europeus expulsam diplomatas e oficiais de inteligência russos
Vários países anunciaram que estão expulsando diplomatas russos de seus países. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Holanda, o país expulsou 17 oficiais de inteligência russos ligados a diplomatas no país.
A Bélgica anunciou que está expulsando 21 diplomatas russos que foram identificados como envolvidos em espionagem e “atividades de influência”, disse a ministra das Relações Exteriores da Bélgica, Sophie Wilmes. Ela disse que os diplomatas são da embaixada e consulado russos.
A Irlanda e a República Tcheca também expulsaram um total combinado de cinco diplomatas russos. Na República Tcheca, um diplomata russo na embaixada em Praga foi declarado “persona non grata”, segundo o Ministério das Relações Exteriores do país, acrescentando que, juntamente com seus aliados, eles estão “reduzindo a presença da inteligência russa na União Europeia“.
Vista do Kremlin em Moscou / Foto: REUTERS/Maxim Shemetov
General dos EUA diz que inteligência pode ter falhado em “superestimar” forças russas
O principal general dos Estados Unidos na Europa disse nesta terça-feira (29) que “pode haver” uma lacuna na coleta de inteligência dos EUA que fez com que o governo americano superestimasse a capacidade da Rússia e subestimassem as habilidades defensivas da Ucrânia antes da invasão russa ao país.
Quando a Rússia lançou sua invasão da Ucrânia no mês passado, a inteligência dos EUA avaliou que o ataque em todo o país poderia levar Kiev a cair nas mãos dos russos em poucos dias. No entanto, as forças armadas da Rússia ficaram atoladas na capital quando a guerra entrou em seu segundo mês, prejudicadas por problemas com suprimentos e logística, juntamente com uma inesperada forte resistência dos combatentes ucranianos.
Testemunhando em uma audiência do Comitê de Serviços Armados do Senado americano nesta terça, o chefe do Comando Europeu dos EUA, general Tod Wolters, foi questionado pelo senador Roger Wicker, um republicano do estado do Mississippi, se havia uma lacuna de inteligência que levou os EUA a superestimar a força da Rússia e subestimar as defesas ucranianas.
“Pode haver”, respondeu Wolters. “Como sempre fizemos no passado, quando esta crise terminar, realizaremos uma revisão abrangente após a ação em todos os domínios e em todos os departamentos e descobriremos onde estavam nossas áreas fracas e garantiremos que podemos encontrar maneiras de melhorar, e esta pode ser uma dessas áreas.”
Tod Wolters, chefe do Comando Europeu dos EUA, admitiu ao Senado americano que relatórios da inteligência podem ter falhado por subestimarem resistência ucraniana e superestimado forças da Rússia / Foto: Win McNamee/Getty Images
Qualquer status de neutralidade precisará de aprovação dos ucranianos, diz conselheiro
Após mais uma rodada de negociações sobre a guerra no Leste Europeu, Mykhaylo Podoliak, assessor do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que os ucranianos serão convocados para um referendo para aprovar qualquer acordo sobre o status de neutralidade e garantias de segurança.
“Será um referendo no qual todos os cidadãos da Ucrânia expressarão sua posição sobre esta decisão, sobre como ela deve funcionar”, falou à televisão ucraniana.
Somente após a aprovação popular é que o texto de um possível acordo será ratificado pelos Parlamentos dos países garantidores da paz e pelo Parlamento da Ucrânia, acrescentou.
Delegações russa e ucraniana se encontram em Istambul, na Turquia, para mais uma rodada de negociações sobre a guerra na Ucrânia / Presidência da Turquia/Murat Cetinmuhurdar/Anadolu Agency via Getty Images)
Tropas russas cometem “crime contra a humanidade” em Mariupol, diz Zelensky
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky classificou as ações da Rússia na cidade de Mariupol como “crime contra a humanidade” nesta terça-feira (29), enquanto discursava para o parlamento dinamarquês por uma chamada de vídeo.
“A cidade de Mariupol está bloqueada pelo exército russo e mais de 100 mil pessoas continuam lá. Elas têm que derreter neve para obter água, não há condições de entregar ajuda humanitária — tudo é bloqueado. Mais de 90% dos edifícios foram destruídos”, disse. “O que as tropas russas estão fazendo em Mariupol é um crime contra a humanidade”.
As declarações do presidente ocorreram no mesmo momento em que uma nova rodada de negociações com delegações de ambos países ocorria na Turquia.
Corredores humanitários reabrem no sudeste da Ucrânia após um dia de pausa
Corredores de evacuação que ligam Mariupol, Melitopol e Enerhodar com Zaporizhzhia foram acordados na terça-feira (29), de acordo com a vice-primeira-ministra da Ucrânia, Iryna Vereshchuk.
Moradores das três cidades devem conseguir chegar a Zaporizhzhia, que permanece em mãos ucranianas e se tornou o principal ponto de trânsito para pessoas que procuram escapar dos combates no sudeste.
Mas a logística em torno de Mariupol continua complicada, com os ônibus incapazes de chegar à cidade sitiada para retirar os moradores. Em vez disso, as pessoas devem seguir seu próprio caminho até Berdyansk, onde podem pegar ônibus para completar a jornada.
Cerca de 75 mil pessoas foram evacuadas de Mariupol para Zaporizhzhia, disse Vereshchuk.
Milhares de pessoas aproveitaram os corredores humanitários criados por tropas russas e ucranianas para deixar a cidade de Kiev / Reprodução/CNN Brasil (9.mar.2022)
Posição da China serviu de apoio à Rússia na Ucrânia, diz parlamentar da UE
Um importante legislador da União Europeia disse nesta terça-feira (29) que “como consequência de sua posição principal, a China deu apoio político à agressão russa contra a Ucrânia”.
“A forma como a China lida com este conflito terá influência no futuro geral da relação entre União Europeia e China”, disse Reinhard Butikofer, chefe da delegação do Parlamento Europeu para as relações com a China.
Falando a jornalistas antes de uma cúpula de alto nível entre a UE e a China que acontecerá na próxima sexta-feira (1), Butikofer disse: “o véu está surrado e não engana ninguém”. A Europa espera que os chineses se abstenham de apoiar ainda mais a Rússia.
Parlamento europeu após discurso do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky / Foto: EBS+/Reuters
Chefe da agência nuclear da ONU está na Ucrânia para negociações sobre segurança de usinas
O chefe da agência de vigilância nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU), Rafael Mariano Grossi, está na Ucrânia para negociações urgentes com o governo ucraniano sobre a segurança das instalações das usinas nucleares do país.
Em um comunicado emitido nesta terça-feira (29), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que as conversas com altos funcionários do governo se concentrarão nos planos da agência de fornecer “assistência técnica urgente para garantir a segurança das instalações nucleares do país e ajudar a evitar o risco de um acidente que possa colocar em risco as pessoas e o meio ambiente.”
Grossi postou uma foto sua no Twitter em frente a um veículo oficial da ONU nesta terça afirmando que “acabara de cruzar a fronteira com a Ucrânia para iniciar a missão da AIEA para garantir a segurança das instalações nucleares do país”.
Vista da extinta usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia / 03/04/2021 REUTERS/Gleb Garanich
Vídeo: Zelensky diz que Ucrânia está pronta para negociar neutralidade
Biden nega se retratar sobre comentário contra Putin
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou na segunda-feira que não voltou atrás em suas declarações de que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, não pode permanecer no poder. O líder americano destacou que as declarações expressaram a sua “indignação moral”, e não uma vontade de mudança de regime.
No último sábado (26), durante uma visita à Polônia, Biden disse que Putin não deveria mais permanecer no poder. O presidente americano ainda chamou Putin de “ditador” e atacou o presidente russo pela operação do Kremlin que levou à Guerra na Ucrânia.
“Não estou voltando atrás em nada”, disse Biden durante pronunciamento na Casa Branca, enfatizando que seu comentário não estava expressando uma vontade de mudança de política, mas sim uma opinião com base em suas emoções do dia. “Eu estava expressando a indignação moral que senti em relação à maneira como Putin está lidando e as ações desse homem”.
Em resposta, o Kremlin disse estar preocupado com os comentários do presidente dos EUA, disse o porta-voz Dmitry Peskov na segunda-feira. “Essas declarações certamente estão causando preocupação”, disse Peskov na segunda em uma teleconferência com jornalistas quando questionado sobre os comentários de Biden.
À margem de conversas oficiais, negociadores sofreram descamação e dores nos olhos
Uma fonte próxima à equipe de negociação ucraniana disse ao correspondente internacional sênior da CNN, Matthew Chance, que houve um incidente “há algumas semanas” durante as negociações Ucrânia-Rússia na Turquia, no qual o bilionário russo Roman Abramovich, juntamente com dois negociadores ucranianos, sofreram pequenas descamações na pele e dores nos olhos, a fonte acrescentando que o incidente não foi considerado grave.
A agência de notícias Reuters na segunda-feira (28), citando uma autoridade não identificada dos Estados Unidos, disse que a inteligência sugere que Abramovich e os negociadores de paz ucranianos ficaram doentes devido a um fator ambiental, não envenenamento. “A inteligência sugere que isso foi ambiental”, acrescentando: “não envenenamento”, disse o funcionário à Reuters.
O Kremlin rejeitou na terça-feira (29) relatos de que o bilionário russo havia sido envenenado, dizendo que eram falsos e parte de uma “guerra de informação”.
Bandeiras da Ucrânia e da Rússia vistas por meio de vidro quebrado em foto de ilustração / 01/03/2022 REUTERS/Dado Ruvic
Pelo menos 1.151 civis morreram por causa da guerra na Ucrânia
Segundo o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, entre 24 de fevereiro e 27 de março, pelo menos 1.151 civis morreram em decorrência da invasão russa, incluindo 103 crianças. Além destes, pelos menos 1.824 pessoas ficaram feridas, sendo 133 crianças.
A ONU ainda anunciou que conseguiu, junto aos seus parceiros, entregar rações alimentares, suprimentos médicos e utensílios domésticos para Kharkiv, na Ucrânia, conforme um comunicado de Osnat Lubrani, coordenador humanitário da ONU na Ucrânia.
Os suprimentos foram fornecidos pelo Programa Mundial de Alimentos (PAM), Organização Mundial da Saúde (OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).
Veja coletânea de imagens da invasão da Ucrânia:
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Invasão começou na quinta-feira, 24 de fevereiro, com bombardeios em diversas cidades da Ucrânia. Na imagem, uma explosão ocorre na capital Kiev
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
Rússia está mais perto de usar seu gás natural para “chantagear” Europa
Nas semanas desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, Moscou continuou a enviar gás natural para o oeste e a Europa usou a energia para abastecer a indústria e aquecer residências. Isso pode estar prestes a mudar.
O presidente Vladimir Putin exigiu que os países “hostis” comecem a pagar pelo gás natural com rublos em vez de dólares americanos ou euros, conforme acordado em seus contratos de fornecimento. A Alemanha, o maior cliente de energia da Rússia na Europa, descartou a diretiva de Putin como “chantagem”.
Putin deu ao banco central da Rússia e à Gazprom, a empresa estatal de gás, até quinta-feira (31) para apresentar propostas para aceitar pagamentos em rublos. Ivan Abramov, um parlamentar russo sênior, disse na segunda-feira (28) que Moscou interromperá os embarques de gás a menos que receba o pagamento em rublos, segundo a Reuters.
Funcionário em local de construção do gasoduto Nord Stream 2, na Rússia / Foto: REUTERS/Anton Vaganov
Rússia está pronta caso a Europa pare de comprar energia, diz parlamentar
A Rússia está pronta para a possibilidade de que a Europa possa parar de comprar suprimentos de energia russos, disse a agência de notícias TASS, citando a presidente da Câmara Alta do parlamento russo, Valentina Matviyenko, nesta terça-feira (29).
Matviyenko acrescentou que, se a Europa se recusar a comprar energia russa, Moscou poderá redirecionar os suprimentos para os mercados asiáticos, entre outros, informou a TASS.
A Rússia exigiu que os países “hostis” paguem o gás em rublos após as sanções econômicas ocidentais como resposta ao conflito na Ucrânia. Mas as nações do G7 recusaram a exigência e, em uma reunião de líderes da União Europeia na sexta-feira (25), nenhum consenso surgiu.
Instalações de gasoduto na Rússia em setembro de 2021 / Reprodução /Nord Stream 2 / Nikolai Ryutin
Usar o símbolo “Z” das forças russas pode levar a processos
O uso do símbolo “Z” das forças russas pode levar a processos em dois estados da Alemanha, disseram autoridades.
“Quem quer que esteja expressando publicamente seu consentimento à guerra de agressão do presidente da Rússia, Vladimir Putin, deve esperar um processo criminal”, disse Boris Pistorius, ministro do Interior do estado da Baixa Saxônia, em um comunicado à imprensa.
Na última sexta-feira (25), a polícia do estado começou a verificar se a apresentação do “Z” foi exibida em relação à guerra na Ucrânia.
O símbolo “representa os atos do exército russo contra a lei internacional”, afirmou Pistorius.
Soldados russos são vistos em um tanque com a letra Z no distrito de Volnovakha em Donetsk (Foto de Sefa Karacan/Agência Anadolu via Getty Images) / Sefa Karacan/Agência Anadolu via Getty Images
Vídeo: ONU diz que guerra nuclear deve e será evitada
Jornal independente russo suspende publicação após segundo aviso
O jornal independente russo Novaya Gazeta diz que está suspendendo sua publicação até o fim da guerra na Ucrânia.
Isso ocorre depois que o regulador de mídia russo Roskomnadzor emitiu um segundo aviso na segunda-feira (28) ao jornal, após a entrevista com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, no domingo (27).
“Recebemos outro aviso do Roskomnadzor. Depois disso, estamos suspendendo a publicação no site, em formato digital e impresso, até o fim da ‘operação especial no território da Ucrânia’”, disse o conselho editorial do Novaya Gazeta em comunicado.
Dmitry Muratov, jornalista russo premiado com o Nobel da Paz / Divulgação/Prêmio Nobel
Brasil receberá mais de 200 refugiados ucranianos
Entre os dias 1° e 10 de abril, mais 230 ucranianos devem chegar em um avião fretado ao Brasil. As informações foram confirmadas à CNN pelo pastor brasileiro Elias Dantas, fundador da Global Kingdom Partnership Network (GKPN), uma rede mundial de igrejas e pastores.
Dois grupos com quase 70 pessoas já estão em solo brasileiro pelas mesmas razões. A permanência ou não deles no território brasileiro será escolha de cada um.
Para receber esse terceiro grupo, as comunidades evangélicas responsáveis pelo acolhimento já começaram a se organizar. Dez famílias serão encaminhadas para Minas Gerais, dez para São Paulo e outras doze famílias serão divididas entre os estados do Espírito Santo e Santa Catarina.
Ucranianos refugiados da guerra buscam um novo começo no Brasil / Reprodução/CNN
Guerra já causou prejuízo de mais de US$ 560 bilhões à Ucrânia
A ofensiva da Rússia até agora custou à Ucrânia US$ 564,9 bilhões em termos de danos à infraestrutura, perda de crescimento econômico e outros fatores, disse a ministra da Economia, Yulia Svyrydenko, na segunda-feira.
Em uma publicação online, ela relatou que os combates danificaram ou destruíram oito mil quilômetros de estradas e 10 milhões de metros quadrados de moradias. O cálculo considera perdas diretas e indiretas como queda do PIB, saída de mão de obra, defesa adicional, investimentos suspensos, custos de apoio social, além dos prejuízos de infraestrutura.
Segundo a ONU, o número de vítimas civis no país já passa de 1100, desde o início da ofensiva russa, em fevereiro.
Carro destruído em meio aos escombros de uma universidade atingida por ataques russos em Kharkiv, na Ucrânia / Stringer/Anadolu Agency via Getty Images
Invasão é “retorno ao imperialismo”, diz chanceler alemão
O chanceler alemão, Olaf Scholz, disse que a invasão da Ucrânia é “o retorno ao imperialismo”.
“Todos nós temos que nos preparar para o fato de que temos um vizinho que está usando violência no momento. E devemos impedir que isso se torne uma prática”, disse Scholz durante o programa de entrevistas “Anne Will” na TV aberta.
Ele acrescentou que a Alemanha estava discutindo a compra de um sistema de defesa antimísseis e advertiu Moscou: “Não se atreva a nos atacar”.
Tanque de guerra russo destruído na Ucrânia / Maximilian Clarke/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Veja coletânea de imagens da invasão da Ucrânia:
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Após o presidente Vladimir Putin fazer um pronunciamento autorizando uma "operação militar especial" na Ucrânia, primeiras explosões foram registradas na capital Kiev na quinta-feira, 24 de fevereiro
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
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Um comboio de tropas russas com quilômetros de extensão se desloca na Ucrânia, em direção à Kiev. Na última semana, autoridades britânicas afirmaram que a longa fila de veículos militares estaria parada
Crédito: Maxar
Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?
A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões
Rússia: US$ 45,3 bilhões
TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados
Rússia: 840 mil soldados
AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170
Rússia: 1.212
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170
Rússia: 997
TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302
Rússia: 3.601
ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555
Rússia: 5.613
Resumo para entender o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer do dia 24 de fevereiro, as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.
O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbass (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.
No dia da invasão, Putin se justificou por uma declaração gravada exibida na TV. O russo afirmou haver um “genocídio” em curso no leste ucraniano, promovido por tropas “neonazistas” do país contra russos étnicos e separatistas da região.
O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
A Rússia afirmou que só irá parar com os ataques se suas “condições” forem aceitas pela Ucrânia. Na lista, estão uma mudança da Constituição do país para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.
A Ucrânia recebeu uma grande onda de apoio internacional de países tanto no âmbito militar — com diversas nações ocidentais enviando armamentos, drones, sistemas de defesa contra ciberataques e outros — quanto no repúdio de instituições globais e de grande parte do setor privado aos ataques.
Com a Rússia, um dos principais pontos discutidos é uma garantia de segurança por parte do país vizinho, já que esta não foi a primeira vez que a Ucrânia teve o território invadido e cobiçado. O presidente ucraniano chegou a propor até a criação de uma nova aliança internacional visando assegurar a paz em territórios invadidos.
O conflito mudou cenário geopolítico e é maior crise humanitária em anos na Europa. Confira os dez pontos definitivos para entender a guerra.