Ucrânia, UE e EUA criticam massacre perto de Kiev; Rússia nega morte de civis
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PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN03/04/2022
Dezenas de corpos de civis foram encontrados espalhados pelas ruas da cidade de Bucha, após a retirada das forças russas, informaram autoridades locais. Ainda neste domingo (3), líderes europeus condenaram as imagens e pediram investigação dos militares russos, classificando o ocorrido de “atos terríveis”. Os russos, no entanto, negaram as acusações de terem assassinado civis.
“À medida que as tropas russas são forçadas a recuar, estamos vendo evidências crescentes de atos terríveis das forças invasoras em cidades como Irpin e Bucha”, declarou a ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Liz Truss – veja outras repercussões.
Os corpos em Bucha, todos em trajes civis, foram encontrados em uma variedade de poses desajeitadas, alguns de bruços contra a calçada, outros para cima com a boca aberta. O prefeito da cidade, Anatoliy Fedoruk, disse que os civis mortos receberam tratamento desumano nas mãos das forças russas.
O assessor presidencial ucraniano Oleksiy Arestovych disse neste domingo (3) que era um “quadro pós-apocalíptico”. “Este é um apelo especial destinado a chamar a atenção do mundo para esses crimes de guerra, crimes contra a humanidade, cometidos por tropas russas”, disse Arestovych.
Nas redes sociais, o conselheiro presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak disse que os homens encontrados com as mãos amarradas “foram mortos a tiros por soldados russos”.
Podolyak acrescentou: “Essas pessoas não estavam nas forças armadas. Eles não tinham armas. Eles não representavam ameaça. Quantos outros casos desse tipo estão acontecendo agora nos territórios ocupados?”
A CNN não conseguiu confirmar de forma independente os detalhes sobre as mortes dos homens.
Moradores descobrem vala comum na cidade de Bucha
Uma vala comum foi revelada na cidade de Bucha, nos arredores da capital ucraniana de Kiev, apurou a equipe da CNN. Inicialmente, os corpos foram enterrados em túmulos, nos terrenos da Igreja de Santo André e Pyervozvannoho Todos os Santos, nos primeiros dias da guerra, disseram moradores à CNN.
A CNN viu pelo menos uma dúzia de corpos em sacos empilhados dentro da vala. Alguns já estavam parcialmente cobertos. Segundo moradores, mais corpos já estão enterrados no local. Eles disseram que pertencem principalmente a civis mortos nos combates em torno de Bucha.
Destaques das últimas 24 horas
Rússia diz que negociações de paz não estão prontas para reunião entre Putin e Zelensky
Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reage a imagens de Bucha: “Isso é genocídio”
Presidente ucraniano reage a imagens de Bucha: “Isso é genocídio”
“Isto é genocídio”, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, neste domingo (3), falando depois que surgiram imagens de corpos de civis espalhados pelas ruas de Bucha, a Noroeste da capital Kiev.
Quando perguntado durante uma aparição no programa “Face the Nation” da CBS News se a Rússia está realizando genocídio na Ucrânia, Zelensky respondeu: “De fato. Isso é genocídio”.
“A eliminação de toda a nação e do povo. Somos cidadãos da Ucrânia. Temos mais de 100 nacionalidades. Trata-se da destruição e extermínio de todas essas nacionalidades”, continuou.
A Ucrânia não quer ser “subjugada à política da Federação Russa”, disse Zelensky, acrescentando que esta “é a razão pela qual estamos sendo destruídos e exterminados”.
Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky / Foto: Ukrinform/Future Publishing via Getty Images
Rússia diz que negociações de paz não estão prontas para reunião de líderes
A Rússia disse neste domingo que as negociações de paz não avançaram o suficiente para uma reunião de líderes e que a posição de Moscou sobre o status da Crimeia e Donbas permaneceu inalterada.
“O esboço do acordo não está pronto para ser submetido a uma reunião no topo”, disse o negociador-chefe russo, Vladimir Medinsky, no Telegram. “Repito várias vezes: a posição da Rússia sobre a Crimeia e Donbas permanece inalterada.”
Autoridade da UE promete novas sanções contra Rússia após imagens de civis mortos
O presidente do Conselho Europeu da União Europeia, Charles Michel, prometeu novas sanções contra a Rússia no domingo (3), depois que imagens chocantes surgiram de 20 cadáveres de civis espalhados pelo chão na cidade de Bucha, a noroeste de Kiev, na Ucrânia.
As imagens foram publicadas pela AFP no sábado (2), depois que jornalistas acessaram a área após a retirada das forças russas.
“Chocado com imagens assustadoras de atrocidades cometidas pelo exército russo na região libertada de Kiev #MassacredeBucha”, escreveu Michel no Twitter.
Ucrânia acusa Rússia de matar uma prefeita e manter outros 11 em cativeiro
As forças da Rússia estão mantendo 11 prefeitos de áreas locais ucranianas em cativeiro, e mataram um prefeito detido, disse a vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshchuk, neste domingo (3).
Em uma mensagem postada nas redes sociais, Vereshchuk disse que 11 prefeitos locais de Kiev, Kherson, Mykolaiv e as regiões de Donetsk “estão em cativeiro russo”.
Ela acrescentou que a Ucrânia “informará o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a ONU e outras organizações sobre seu cativeiro”.
Soldados ucranianos entram na cidade de Bucha / Reuters
Supostos ataques russos a civis seriam crimes de guerra, diz Reino Unido
Alegações de ataques contra civis durante a invasão da Ucrânia pela Rússia devem ser investigadas como crimes de guerra, disse a secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Liz Truss, acrescentando que o Reino Unido apoiaria totalmente qualquer medida do Tribunal Penal Internacional (TPI).
“À medida que as tropas russas são forçadas a recuar, estamos vendo evidências crescentes de atos terríveis das forças invasoras em cidades como Irpin e Bucha”, disse Truss em comunicado, referindo-se a cidades próximas da capital ucraniana, Kiev.
“Seus ataques indiscriminados contra civis inocentes durante a invasão ilegal e injustificada da Ucrânia pela Rússia devem ser investigados como crimes de guerra”, defendeu.
Rússia muda foco para mostrar vitória até maio no Leste da Ucrânia, dizem autoridades dos EUA
A Rússia revisou sua estratégia de guerra na Ucrânia para se concentrar em tentar assumir o controle do Donbas e de outras regiões no Leste da Ucrânia com uma data-alvo para o início de maio, segundo várias autoridades americanas familiarizadas com as últimas avaliações de inteligência dos Estados Unidos.
Depois de mais de um mês de guerra, as forças terrestres russas não conseguiram manter o controle das áreas onde têm lutado. O presidente russo, Vladimir Putin, está sob pressão para demonstrar que pode apresentar uma vitória, e o Leste da Ucrânia é o lugar onde é mais provável que ele consiga fazer isso rapidamente, dizem as autoridades.
As interceptações de inteligência dos EUA sugerem que Putin está focado em 9 de maio, o “Dia da Vitória” da Rússia, de acordo com um dos oficiais.
O dia 9 de maio é um feriado importante no calendário russo, em que o país marca a rendição nazista na Segunda Guerra Mundial com um enorme desfile de tropas e armamentos pela Praça Vermelha em frente ao Kremlin. As autoridades dizem que Putin quer comemorar uma vitória – de algum tipo – em sua guerra naquele dia.
Soldados ucranianos em Kiev, capital da Ucrânia, no dia 30 de março; forças russas redirecionam esforços em nova fase da guerra / Metin Aktas/Anadolu Agency via Getty Images
Forças russas bombardeiam instalações de combustível em Odessa
O Ministério da Defesa da Rússia confirmou neste domingo (3) um ataque a uma refinaria de petróleo e instalações de armazenamento de combustível na cidade portuária ucraniana de Odessa, que foi amplamente poupada do impacto total dos ataques russos desde o início da invasão.
“Esta manhã, mísseis marítimos e aéreos de alta precisão destruíram uma refinaria de petróleo e três instalações de armazenamento de combustível e lubrificantes perto da cidade de Odessa, de onde o combustível era fornecido ao grupo de tropas ucranianas na direção de Mykolaiv”, disse em comunicado no Telegram .
O prefeito de Odesa, Hennadii Trukhanov, disse que o ataque não deixou vítimas. “Hoje os ocupantes atingiram locais críticos de infraestrutura de Odessa com mísseis”, disse Trukhanov em pronunciamento na TV. “Felizmente, não há vítimas. Apenas prédios estão danificados. A situação já está sob controle”.
Fumça é registrada em Odessa após ataque russo / Reprodução
Análise: Sem combustível e comida, Putin repete erros que condenaram Hitler na invasão à URSS
O presidente russo, Vladimir Putin, com frequência evoca a vitória épica da União Soviética sobre a Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial para justificar a invasão da Ucrânia pelo seu país.
No entanto, Putin está cometendo alguns dos mesmos erros que condenaram a Alemanha durante a invasão da URSS em 1941 – enquanto usa “truques e táticas parecidas com as de Hitler” para justificar sua brutalidade, dizem historiadores e estudiosos militares.
Esta é a ironia selvagem por trás da decisão de Putin de invadir a Ucrânia, que fica clara enquanto a guerra entra em seu segundo mês: o líder russo, que se apresenta como um estudante de história, está se debatendo porque não prestou atenção suficiente às lições da “Grande Guerra Patriótica” que ele reverencia.
“Estou tentando entender isso há um mês, porque, por mais terrível que Putin seja, você nunca poderia dizer que ele era ilógico”, diz Peter T. DeSimone, professor associado de história da Rússia e do Leste Europeu na Universidade de Utica, no estado de Nova York.
“Tudo isso é ilógico, e essa é a coisa assustadora”, diz ele. “Isso não é normal comparado ao que ele já fez no passado. Isso é algo que não faz sentido em muitos níveis, e não apenas em relação à Segunda Guerra Mundial”.
Historiadores militares dizem que Putin está seguindo a cartilha malfadada de Hitler em pelo menos três áreas / 30/03/2022Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin via REUTERS e BBC Worldwide Limited
Papa afirma que está pensando em viajar para Kiev após convite da Ucrânia
O papa Francisco disse neste sábado (2) que está considerando uma viagem à capital ucraniana, Kiev.
Questionado por um repórter no avião que o levava de Roma a Malta se ele estava considerando um convite feito por autoridades políticas e religiosas ucranianas, Francisco respondeu que “sim, está na mesa”. Ele não deu mais detalhes.
No dia 22 de março, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky revelou que conversou com o papa e que ele “disse palavras muito importantes: ‘Eu entendo que você quer a paz. Eu entendo que você tem que se defender, que os soldados defendem os civis, eles defendem sua pátria’”.
“O papel mediador da Santa Sé no fim do sofrimento humano seria apreciado”, acrescentou Zelensky. Em outro tweet, o embaixador da Ucrânia no Vaticano, Andriy Yurash, disse que a dupla teve conversas “muito promissoras”.
Papa Francisco / 06/12/2021 Alessandro Di Meo/Pool via REUTERS
Ao menos 1,3 mil civis morreram desde início da guerra na Ucrânia, afirma ONU
Um novo relatório divulgado neste sábado (2) pelo Alto Comissariado para Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que ao menos 1.325 civis morreram e 2.017 se feriram na Ucrânia desde o início da guerra com a Rússia, em 24 de fevereiro, até o momento.
Do total, 120 mortos foram crianças, assim como 168 dentre os feridos. A organização “considera que os números reais são consideravelmente mais elevados, uma vez que a recepção de informações em alguns locais onde ocorreram intensas hostilidades foi adiado e muitos relatórios ainda são pendentes de comprovação”.
Leilões, NFTs e criptomoedas: Ucrânia usa a criatividade para financiar sua defesa
O epicentro do último esforço para arrecadar dinheiro para a Ucrânia foi um escritório em cima de uma padaria no norte de Londres.
Isaac Kamlish, Nathan Cohen e Isaac Bentata — com idades entre 23 e 25 anos — se reuniram em torno de seus laptops no início desta semana e ajudaram a lançar a primeira venda de colecionáveis digitais únicos (NFTs) por um governo nacional.
Em 24 horas, Kiev, usando tecnologia desenvolvida pelo trio, vendeu mais de 1.200 tokens não fungíveis, ou NFTs, levantando cerca de US$ 600 mil para ajudar a financiar sua defesa contra a Rússia.
O leilão, que fez uso inovador da tecnologia blockchain como alavanca de financiamento em tempos de guerra, destaca como o governo da Ucrânia está usando ferramentas novas e tradicionais para gerar o dinheiro necessário para sobreviver à crise.
Algumas estratégias são mais tradicionais. Kiev arrecadou cerca de US$ 1 bilhão de títulos de guerra vendidos a pessoas e instituições na Ucrânia, já que os moradores mostram disposição de emprestar ao governo, mesmo que não haja garantia de que receberão todo o dinheiro de volta.
Bandeira da Ucrânia / Getty Images/EyeEm
Presidente do Parlamento Europeu visita Zelensky
A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, viajou para a Ucrânia e se encontrou com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que chamou a visita de “heroica”.
Metsola, que é a primeira líder de uma instituição europeia a visitar a Ucrânia desde o início da invasão russa, postou uma foto apertando a mão de Zelensky no Twitter.
A visita foi bem recebida pelo líder ucraniano que, em um discurso postado nas redes sociais na sexta-feira, chamou de “momento importante” para o país.
Volodymyr Zelensky e Roberta Metsola / Reprodução/Twitter
Rússia vai fortalecer fronteira ocidental
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse na sexta que o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou que os militares reforcem as fronteiras ocidentais do país para que ninguém jamais pense em lançar um ataque.
Peskov declarou à principal rede de televisão da vizinha Belarus que nações não identificadas estão fortalecendo seu potencial militar perto das fronteiras ocidentais da Rússia. O ministro da Defesa, Sergei Shoigu, estava trabalhando em um plano de segurança, disse.
“É claro que isso será feito de forma a nos tornar seguros e garantir que alcancemos o nível necessário de paridade para que não passe pela cabeça de ninguém… nos atacar”, disse ele.
Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov / 04/06/2021 REUTERS/Evgenia Novozhenina
Agências de inteligência tentam vencer Putin
As agências de inteligência ocidentais estão travando uma guerra psicológica sobre a Ucrânia diretamente com o presidente russo, Vladimir Putin, que é um especialista no gênero, agora está efetivamente provando do próprio veneno.
Os Estados Unidos e seus aliados estão pintando um quadro de militares russos atolados, desmoralizados e disfuncionais, sofrendo perdas desastrosas no campo de batalha e, simultaneamente, evocando uma visão de crescente tensão política dentro do Kremlin. Eles afirmam que o líder russo está isolado, mal assessorado e sem informações reais sobre o quão ruim a guerra está indo.
Os governos ocidentais estão impedindo Putin de definir a narrativa da guerra – assim como fizeram antes de ela começar, quando sua inteligência tornada pública alertou corretamente sobre a invasão que muitos especialistas em geopolítica achavam improvável.
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou / 02/03/2022 Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin via REUTERS
Bandeira ucraniana está hasteada sobre Chernobyl, diz operador nuclear
A bandeira ucraniana foi hasteada sobre a usina nuclear de Chernobyl após a retirada das forças russas, disse a empresa estatal que supervisiona as usinas nucleares neste sábado (2).
“Hoje, 2 de abril, às 11h, a bandeira ucraniana foi hasteada sobre a central nuclear de Chernobyl e o hino foi cantado”, disse Energoatom em comunicado no Telegram.
“Toda a equipe da usina nuclear de Chernobyl, que trabalhou heroicamente nas duras condições da ocupação desde 24 de fevereiro e forneceu segurança nuclear e radiológica na estação e nas instalações próximas, estava presente na cerimônia”, acrescentou o comunicado.
Nova estrutura de confinamento sobre o antigo “sarcófago” que cobre reator danificado da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia / 22/11/2018 REUTERS/Gleb Garanich
A Alemanha aprovou a entrega de 56 tanques de combate à Ucrânia, disse um porta-voz do Ministério da Defesa alemão à CNN na sexta.
Os tanques, que são do tipo Pbv 501, são provenientes do exército da Alemanha Oriental da época da Guerra Fria e foram vendidos para a Suécia, depois revendidos para a República Tcheca, que os entregará à Ucrânia, segundo o ministério.
De acordo com a Lei Alemã de Controle de Armas de Guerra, o Conselho Federal de Segurança deve aprovar a exportação de armas originárias da Alemanha a qualquer momento.
Tanques em Mariupol / 24/02/2022 REUTERS/Carlos Barria
Rússia não cortará envio de gás à Europa imediatamente
A Rússia diz que não começará a cortar o fornecimento de gás para “países hostis” imediatamente sob um novo decreto que exige o pagamento em rublos a partir de 1º de abril.
“Ontem, recebi muitas perguntas sobre se isso significa que, se não houver confirmação em rublos, isso significa que o fornecimento de gás será cortado a partir de 1º de abril? Não, isso não acontece e não segue o decreto”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nestaa sexta-feira.
Peskov disse que os pagamentos das entregas feitas hoje não devem ser pagos até o final de abril ou início de maio. “Mas, mais uma vez, repito que, para as nuances, é melhor entrar em contato com a Gazprom”, disse Peskov.
Estação de compressão de fluxos de gás do projeto Nord Stream 2, em Radeland, na Alemanha / Krisztian Bocsi/Bloomberg/Getty Images
Ucrânia diz que guerra já matou mais de 150 crianças
Pelo menos 153 crianças foram mortas na Ucrânia desde o início da invasão russa, no dia 24 de fevereiro. Além disso, mais de 245 crianças ficaram feridas, disse o gabinete da procuradora-geral do país em comunicado à imprensa na sexta-feira.
Bombardeios também danificaram 859 instituições educacionais, incluindo 83 que foram “completamente destruídas”, de acordo com o comunicado.
O gabinete da procuradora-geral ucraniana disse que ainda está trabalhando para estabelecer o número total de vítimas infantis em Mariupol, bem como em algumas áreas das regiões de Kiev, Chernihiv e Luhansk.
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Refugiados da Ucrânia chegam a abrigo temporário em Korczowa, na Polônia
Crédito: Sean Gallup/Getty Images
EUA avançam em implantação de porta-aviões no Mediterrâneo
O secretário de Defesa dos Estados Unidos Lloyd Austin, aprovou um plano para avançar com a implantação do porta-aviões USS Harry S. Truman no Mediterrâneo até o verão (agosto), enquanto a invasão russa na Ucrânia continua, afirmaram dois oficiais de defesa dos EUA.
As aeronaves da transportadora estão voando em apoio aos esforços dos EUA e da Otan para reforçar o flanco leste da aliança, após a invasão russa.
O porta-aviões partiu da costa leste dos EUA em dezembro e agora deve chegar na região possivelmente até agosto, disse um dos funcionários. Uma implantação típica de operadora é de seis meses. Três navios de guerra da Marinha que fazem parte do grupo de ataque geral de Truman também estão sendo direcionados.
Os jatos são bem presos no convés de voo do USS Harry S Truman durante as operações de voo / Vasco Cotovio/CNN
O que é o Donbass e por que é tão importante
Assim como em 2014, a região do Donbass volta a estar no centro do conflito militar e geopolítico entre Rússia e Ucrânia.
Naquela época, rebeldes apoiados pela Rússia tomaram prédios governamentais em vilas e cidades do leste da Ucrânia. Intensos combates deixaram partes de Luhansk e Donetsk, na região de Donbass, nas mãos de separatistas apoiados pela Rússia. A Rússia também anexou a Crimeia da Ucrânia em 2014, em um movimento que provocou condenação global.
As áreas controladas pelos separatistas em Donbass ficaram conhecidas como Luhansk e República Popular de Donetsk, mas o governo ucraniano em Kiev afirma que as duas regiões estão, na verdade, ocupadas pelos russos. As repúblicas autodeclaradas não são reconhecidas por nenhum governo, exceto a Rússia e seu aliado próximo, a Síria.
Putin há muito acusa a Ucrânia de violar os direitos de russos étnicos e falantes de russo na Ucrânia, e nas semanas anteriores à invasão ele alegou que um “genocídio” estava sendo cometido em Donbass.
Tropas de uniformes sem insígnias são vistas ao lado de um veículo blindado com o símbolo “Z” pintado de lado, na aldeia separatista de Bugas, na região de Donetsk, na Ucrânia / Aleksander Ermochenko/Reuters
Veja imagens da guerra na Ucrânia
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Invasão começou na quinta-feira, 24 de fevereiro, com bombardeios em diversas cidades da Ucrânia. Na imagem, uma explosão ocorre na capital Kiev
Crédito: Gabinete do Presidente da Ucrânia
Qual é o tamanho dos exércitos da Rússia e Ucrânia?
A realidade é que há uma grande diferença entre o exército ucraniano e o exército russo. “Este não é o mesmo exército russo que estava em ruínas logo após a Guerra Fria“, diz o analista Jeffrey Edmonds, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA.
“É um exército muito móvel, bastante moderno e bem treinado, com uma força aérea muito saudável, grandes forças terrestres, muito controle de artilharia, navios pequenos com muita capacidade para missões de ataque ao solo”. Veja comparação abaixo:
ORÇAMENTO MILITAR DE 2021
Ucrânia: U$ 4,1 bilhões
Rússia: US$ 45,3 bilhões
TROPAS ATIVAS
Ucrânia: 219 mil soldados
Rússia: 840 mil soldados
AERONAVES DE COMBATE
Ucrânia: 170
Rússia: 1.212
HELICÓPTEROS DE ATAQUE
Ucrânia: 170
Rússia: 997
TANQUES DE GUERRA
Ucrânia: 1.302
Rússia: 3.601
ARMAMENTO ANTIAÉREO
Ucrânia: 2.555
Rússia: 5.613
Resumo para entender o conflito
Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer do dia 24 de fevereiro, as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país.
O presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbass (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).
O que se viu nos dias a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.
No dia da invasão, Putin se justificou por uma declaração gravada exibida na TV. O russo afirmou haver um “genocídio” em curso no leste ucraniano, promovido por tropas “neonazistas” do país contra russos étnicos e separatistas da região.
O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira. O Ocidente, no entanto, aplicou sanções financeiras pesadas aos russos.Equipes de resgate trabalham no local do acidente da aeronave Antonov das Forças Armadas da Ucrânia na região de Kiev / 24/02/2022 Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS
A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.
A Rússia afirmou que só irá parar com os ataques se suas “condições” forem aceitas pela Ucrânia. Na lista, estão uma mudança da Constituição do país para resguardar neutralidade em relação à adesão em blocos, além do reconhecimento da Crimeia como território russo e das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk como territórios independentes.
A Ucrânia recebeu uma grande onda de apoio internacional de países tanto no âmbito militar — com diversas nações ocidentais enviando armamentos, drones, sistemas de defesa contra ciberataques e outros — quanto no repúdio de instituições globais e de grande parte do setor privado aos ataques.
Com a Rússia, um dos principais pontos discutidos é uma garantia de segurança por parte do país vizinho, já que esta não foi a primeira vez que a Ucrânia teve o território invadido e cobiçado. O presidente ucraniano chegou a propor até a criação de uma nova aliança internacional visando assegurar a paz em territórios invadidos.
O conflito mudou cenário geopolítico e é maior crise humanitária em anos na Europa. Confira os dez pontos definitivos para entender a guerra.