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EUA anunciam novas sanções às filhas de Vladimir Putin e a bancos russos

Um alto funcionário do governo de Joe Biden, dos Estados Unidos, anunciou novas sanções contra a Rússia, em decorrência da invasão da Ucrânia conduzida pelo país

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 06/04/2022
Um alto funcionário do governo de Joe Biden, dos Estados Unidos, anunciou novas sanções contra a Rússia, em decorrência da invasão da Ucrânia conduzida pelo país. Nelas, os principais alvos são duas filhas do presidente russo Vladimir Putin e bancos, além da esposa e da filha do ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov. “Hoje estamos aumentando dramaticamente o choque financeiro impondo sanções de bloqueio total à maior instituição financeira da Rússia, o Sberbank, e seu maior banco privado, o Alfa Bank”, disse o representante norte-americano.
Os EUA têm como alvo as duas filhas adultas de Putin porque acreditam que o presidente russo pode estar escondendo alguns de seus bens em seus nomes, de acordo com o alto funcionário do governo. Sem detalhar quais bens de Putin podem estar escondidos com Mariya Putina e Katerina Tikhonova, o funcionário disse que a prática é comum entre a elite russa. Além dos Estados Unidos, a União Europeia e o Reino Unido também anunciaram novas sanções e novas pretensões de bloqueios contra a Rússia nesta quarta-feira. A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a União Europeia vai impor mais sanções contra a Rússia além do último pacote já anunciado nesta semana, provavelmente incluindo medidas contra as importações de petróleo russo. “Essas sanções não serão nossas últimas sanções”, disse ela ao Parlamento Europeu em uma apresentação do mais recente pacote de sanções que inclui a proibição de compra de carvão russo. “Agora temos que analisar o petróleo e as receitas que a Rússia obtém dos combustíveis fósseis”, afirmou von der Leyen. Nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, agradeceu as novas sanções da UE planejadas contra a Rússia, mas disse que um embargo ao gás e petróleo russos é necessário “para deter” o presidente Vladimir Putin. O Reino Unido congelou os ativos dos bancos russos Sberbank e Credit Bank of Moscow, e disse que encerrará todas as importações de carvão e petróleo russos até o final de 2022. Outros oito oligarcas também foram sancionados. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que não pode tolerar qualquer indecisão dos países ocidentais sobre a imposição de novas sanções à Rússia, em um discurso ao parlamento da Irlanda na quarta-feira. “Quando estamos ouvindo nova retórica sobre sanções… não posso tolerar nenhuma indecisão depois de tudo o que as tropas russas fizeram”, disse ele em uma rara sessão conjunta de ambas as casas do parlamento por videoconferência, pedindo à Irlanda que convença os parceiros europeus a introduzirem sanções mais rígidas.

Ataques na região leste

As forças russas têm direcionado seus esforços para a região leste da Ucrânia nos últimos dias, dispersando-se das proximidades de Kiev. De acordo com o Instituto para o Estudo da Guerra, isso pode ser interpretado como indícios de uma possível nova fase da guerra. A mesma instituição afirma que há sinais de que Slovyansk pode ser a próxima cidade a tornar-se alvo das ofensivas da Rússia na Ucrânia. As investidas ao leste podem facilitar o acesso e o controle dos russos nas regiões de Donetsk e Luhansk, onde há presença de grupos separatistas russos.

EUA tomam controle de “botnet” russa

Oficiais dos Estados Unidos tomaram controle de uma vasta “botnet” gerida pelo governo russo – ou seja, um exército de computadores infectados que pode ser usado para ciberataques, dizendo que os russos usaram “infraestruturas similares” para atingir alvos ucranianos. A botnet era controlada por uma unidade do Departamento Central de Inteligência da Rússia (GRU), conhecida por ciberataques disruptivos, como os ocorridos em 2015 e 2016, que interromperam o fornecimento de energia elétrica em partes da Ucrânia, disse o diretor do FBI, Christopher Wray.

Ocupação russa em Borodiamka

Borodianka era o lar de 13.000 pessoas antes da guerra, mas a maioria fugiu após a invasão da Rússia. O que restava da cidade, depois de intensos bombardeios e ataques aéreos devastadores, foi então ocupado pelas forças russas, que chegaram em 28 de fevereiro. A ocupação russa de um mês deixou uma marca devastadora na cidade. Não só foi quase totalmente destruída por ataques de longo alcance – com edifícios reduzidos a meras pilhas de escombros – mas as forças russas usaram algumas das casas como seu próprio quartel. A letra “V”, abreviação de Vostok (que significa ‘leste’ em russo) – e um símbolo usado pelo distrito militar oriental da Rússia em conjunto com a letra “Z”, um emblema da chamada “operação militar especial” de Moscou – foi pintado em edifícios, veículos e postos de controle.

Destaques das últimas 24 horas

  • Novas sanções dos EUA contra a Rússia têm como alvo filhas de Vladimir Putin e bancos russos proeminentes
  • União Europeia mira petróleo e gás russos em novo pacote de sanções
  • Reino Unido aplica novas sanções a bancos e oligarcas russos
  • Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reage às novas sanções europeias pedindo maior pressão sobre a Rússia
  • Otan está reunindo provas para incriminar Putin por crimes de guerra, dizem EUA
  • Russos mataram civis por “prazer” e ações não diferem de “outros terroristas”, diz Zelensky à ONU
  • Zelensky cobra ONU e pede retirada de poder de veto russo no Conselho de Segurança

      O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu urgência e firmeza contra a invasão russa ao seu país ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (5). “Se vocês não souberem como tomar essa decisão podem fazer o seguinte, retirar a Rússia (do Conselho) para que não eles não possam bloquear decisões sobre sua própria agressão e guerra.” Discursando em formato virtual, Zelensky citou a morte de civis, chegando a acusar as forças de Vladimir Putin de torturar às vítimas. “Membros foram cortados, gargantas foram cortadas, mulheres foram estupradas e mortas na frente de crianças. Isso não é diferente do que terroristas fizeram em outros territórios, mas está sendo feito por soldados de um membro do Conselho de Segurança da ONU.”

    Audiência no Senado brasileiro

    Na terça, o embaixador da Rússia no Brasil, Alexey Kazimirovitch Labetskiy, participou de uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado para comentar sobre a guerra na Ucrânia. O representante russo seguiu a diretriz do Kremlin e não usou o termo “guerra” para se referir ao conflito, o qual chamou de “operação especial na Ucrânia”. De acordo com o embaixador, o principal motivo que levou a invasão do território ucraniano pelo exército da Rússia foi a intenção de desnazificar e desmilitarizar o país vizinho.

    Até 300 corpos podem estar em vala comum

    A chefe do órgão fiscalizador de direitos humanos da Ucrânia, Lyudmyla Denisova, disse nesta terça-feira que entre 150 e 300 corpos podem estar em uma vala comum ao lado de uma igreja na cidade de Bucha, onde a Ucrânia acusa as tropas russas de matar civis. A Rússia nega ter como alvo civis na Ucrânia e disse que as mortes em Bucha, na região de Kiev, foram uma “falsificação monstruosa” encenada pelo Ocidente para desacreditá-la. “Atualmente, os corpos dos mortos estão sendo recolhidos pelos agentes da lei para realização dos exames necessários”, disse Denisova em publicação uma rede social. Ela não disse como as autoridades haviam chegado à estimativa do número de vítimas na vala comum.
    Corpos em vala comum encontrada em Bucha, na Ucrânia / 04/04/2022 REUTERS/Vladyslav Musiienko

    Rússia diz que não houve assassinatos de civis

    Em nova resposta às acusações, o Ministério da Defesa da Rússia disse, na terça-feira, que os serviços especiais ucranianos organizaram supostos assassinatos de civis em cidades ucranianas na tentativa de espalhar propaganda pela mídia ocidental. “Soldados do 72º Centro Principal de Operações Psicológicas da Ucrânia realizaram outra filmagem encenada de civis supostamente mortos pelas ações violentas das forças armadas russas” em 4 de abril em uma vila a 23 quilômetros a noroeste de Kiev, disse o ministério. “Eventos semelhantes já foram organizados por serviços especiais ucranianos em Sumy, Konotop e outras cidades.” O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, também se manifestou nesta terça e disse que as alegações eram uma “falsificação monstruosa” com o objetivo de difamar o exército russo. “É simplesmente um show bem dirigido, mas trágico”, disse Peskov durante uma coletiva de imprensa. “É uma falsificação com o objetivo de difamar o exército russo, e não vai funcionar”.
    Imagens divulgadas da cidade de Bucha revelam cenário catastrófico da guerra na Ucrânia / Reprodução

    Ucrânia tem 1.480 civis mortos, diz ONU

    Pelo menos 1.480 civis foram mortos e pelo menos 2.195 ficaram feridos na Ucrânia desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro, disse Rosemary DiCarlo, subsecretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para assuntos políticos e de construção da paz. Citando números atualizados do Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH, sigla em inglês), DiCarlo disse que o ACNUDH acredita que os números reais de vítimas civis são “consideravelmente maiores”. Ela observou que o número de civis ucranianos no conflito “mais que dobrou” desde a última vez que ela informou o Conselho de Segurança em 17 de março.

    Crimes de guerra: Otan está reunindo provas contra Putin

    A representante permanente dos Estados Unidos na Otan, Julianne Smith, disse nesta terça que a aliança está reunindo evidências para responsabilizar o presidente russo Vladimir Putin e sua equipe por “crimes de guerra” na Ucrânia. “O que temos que fazer é coletar as informações de que precisamos para responsabilizar Putin e sua equipe em Moscou, e você pode fazer isso por vários caminhos, é claro que é o caminho do Tribunal Penal internacional. Há uma opção das Nações Unidas. Existem várias maneiras de fazer isso”, disse ela, em entrevista coletiva em Bruxelas.
  • Veja imagens da destruição em Mariupol: