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ONU aprova retirada de Rússia do Conselho de Direitos Humanos

Siga as principais informações da guerra na Ucrânia

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 07/04/2022
ONU aprova retirada de Rússia do Conselho de Direitos Humanos
Foto: CNN
Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) obteve maioria, nesta quinta-feira (7) para suspender a Rússia do Conselho de Direitos Humanos do órgão, pedida em uma resolução apresentada ao órgão. A resolução adotada pela minuta de 193 membros da Assembleia-Geral expressa “grande preocupação com a crise humanitária e de direitos humanos em andamento na Ucrânia“, particularmente com relatos de abusos de direitos por parte da Rússia.
Foram 93 votos favoráveis, 24 contra e 58 abstenções. Era necessário uma maioria de dois terços dos membros votantes — as abstenções não contam — para suspender o país do conselho de 47 membros.
Resultado da votação na ONU que suspendeu a Rússia do Conselho de Direitos Humanos
Resultado da votação na ONU que suspendeu a Rússia do Conselho de Direitos Humanos / Reprodução/CNN Brasil (7.abr.2022)
Brasil foi um dos que decidiu se abster na votação. Ronaldo Costa Filho, embaixador do Brasil na ONU, disse que o país “está comprometido em encontrar formas de cessar as hostilidades imediatamente, promover um diálogo real em busca de uma solução sustentável e pacífica, garantindo respeito aos direitos humanos e ao direito humanitário”. A China, que vinha gerando questionamentos por não condenar explicitamente a invasão russa da Ucrânia, foi um dos 24 países que votaram contra a suspensão do país do Conselho. Na sessão, o vice-embaixador russo nas Nações Unidas, Gennady Kuzmin, pediu a todos os estados-membros que rejeitassem a decisão, chamando o projeto de “um precedente perigoso”. A Rússia reagiu dizendo que a votação dos Estados-membros para suspendê-la do Conselho de Direitos Humanos da ONU é ilegal e politicamente motivada, informou a agência de notícias RIA. A RIA também citou Gennady Kuzmin, vice-embaixador russo nas Nações Unidas, dizendo que a Rússia decidiu desistir de sua adesão em 7 de abril. As suspensões são raras. Em 2011, a Líbia foi suspensa devido à violência contra manifestantes por forças leais ao então líder Muammar Gaddafi. A Rússia estava no segundo ano de três do atual mandato no conselho sediado em Genebra, que não pode tomar decisões juridicamente vinculativas. Suas decisões, no entanto, enviam mensagens políticas importantes e podem autorizar investigações. No mês passado, o conselho abriu uma investigação sobre alegações de violações de direitos na Ucrânia, incluindo possíveis crimes de guerra, desde o ataque da Rússia. Desde o dia 24 de fevereiro, a Assembleia-Geral adotou duas resoluções denunciando a Rússia, com 141 e 140 votos a favor. Moscou, por outro lado, diz que está realizando uma “operação especial” para desmilitarizar a Ucrânia.

Porta-voz do Kremlin admite perdas “significativas” de tropas russas

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, admitiu brevemente nesta quinta-feira (7) que a Rússia sofreu perdas “significativas” de suas tropas na Ucrânia, chamando as perdas de “uma enorme tragédia” para o país em entrevista à Sky News. Questionado se a retirada das tropas russas de Kiev e de sua região poderia ser vista como “uma humilhação” para o Kremlin, Peskov disse que usar essas palavras seria “um entendimento errado da situação”.

Ataques na Ucrânia continuam

Rússia continua a atacar a Ucrânia, mas concentra seus esforços na região leste do país com o objetivo principal de avançar nas operações ofensivas a partir da região do Donbass, disse o Ministério da Defesa do Reino Unido nesta quinta-feira. O ministério da Defesa russo confirmou ter atingido alvos militares nas cidades ucranianas de Mykolayiv, Kharkiv, Zaporizhzhia e Chuhuiv durante a noite de quarta-feira, localizadas no leste e sul do país atacado. Segundo a Rússia, as instalações foram usadas pela Ucrânia para abastecer suas tropas perto das cidades de Mykolaiv e Kharkiv e em Donbass. As áreas controladas pelos separatistas em Donbass ficaram conhecidas como República Popular de Luhansk e Donetsk. As repúblicas autodeclaradas não são reconhecidas por nenhum governo, exceto a Rússia e seu aliado próximo, a Síria. O novo foco russo também foi comentado por um assessor presidencial de Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano. Ele disse que a cidade sitiada de Mariupol, no sul, está resistindo e acredita que os esforços russos para cercar as tropas ucranianas no leste “serão em vão”. “A situação está sob controle”, disse em rede nacional.

Guerra “pode durar anos”, diz secretário-geral da Otan

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, afirmou na quarta-feira (6) que não vê “nenhuma indicação” de que o presidente russo, Vladimir Putin, tenha alterado seu objetivo de tomar o controle de toda a Ucrânia. “Não vimos nenhuma indicação de que o presidente Putin mudou sua ambição de controlar toda a Ucrânia e também de reescrever a ordem internacional. Então, precisamos estar preparados para o longo prazo”, disse Stoltenberg. Em entrevista coletiva antes de uma reunião dos ministros das Relações Exteriores de aliados da Otan em Bruxelas, Stoltenberg também alertou que a guerra na Ucrânia pode durar por alguns anos. “Temos que ser realistas e perceber que isso pode durar muito tempo, muitos meses ou até anos.” Os ministros das Relações Exteriores dos países da Otan terão reuniões nesta quarta e quinta-feira para discutir o aumento do apoio à Ucrânia.

Destaques das últimas 24 horas

  • Otan diz que Putin ainda quer assumir controle da Ucrânia e que guerra pode demorar anos para acabar
  • Prefeito diz que 40% da infraestrutura de Mariupol destruída é “irreversível”
  • Novas sanções dos EUA contra a Rússia têm como alvo filhas de Vladimir Putin e bancos russos proeminentes
  • União Europeia mira petróleo e gás russos em novo pacote de sanções
  • Presidente dos EUA, Joe Biden volta a acusar Biden por crimes de guerra
  • Imagens mostram que forças russas fizeram escavações em área tóxica perto de Chernobyl
  • Alemanha deve enviar armas para exército ucraniano
  • Moradores fogem de Derhachi e deixam cidade vazia
  • Kremlin diz que negociações estão progredindo vagarosamente

Sanções contra a Rússia

A Ucrânia manterá a exigência ao Ocidente de um embargo total de petróleo e gás da Rússia após sua invasão do país, disse o ministro das Relações Exteriores ucraniano nesta quinta-feira (7). Ao lado do do Secretário-Geral da Otan, Jens Stoltenberg, Dmytro Kuleba também pediu o envio de mais aviões, sistemas de defesa aérea, mísseis e veículos militares dos aliados da Organização. “Vim aqui hoje para discutir três coisas mais importantes: armas, armas e armas. As necessidades urgentes da Ucrânia, a sustentabilidade dos suprimentos e soluções de longo prazo que ajudarão a Ucrânia a prevalecer”, escreveu Kuleba nas redes sociais após o encontro em Bruxelas. O principal diplomata da União Europeia, Josep Borrell, espera que a quinta rodada de sanções do bloco contra a Rússia seja aunciada até o fim desta semana. Segundo Borrell, o bloco ainda está analisando “a lista de pessoas e setores” que serão afetados, mas espera um acordo sobre as medidas finais em breve. A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a União Europeia vai impor mais sanções contra a Rússia além do último pacote já anunciado nesta semana, provavelmente incluindo medidas contra as importações de petróleo russo. Ela deve encontrar-se nesta quinta-feira com Volodymyr Zelensky. Além da UE, o Reino Unido congelou os ativos dos bancos russos Sberbank e Credit Bank of Moscow, e disse que encerrará todas as importações de carvão e petróleo russos até o final de 2022. Outros oito oligarcas também foram sancionados. O governo dos Estados Unidos também anunciou nesta quarta novas sanções contra a Rússia em decorrência da invasão da Ucrânia conduzida pelo país. Os principais alvos são duas filhas do presidente Vladimir Putin e bancos, além da esposa e da filha do ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que não pode tolerar qualquer indecisão dos países ocidentais sobre a imposição de novas sanções à Rússia, em um discurso ao parlamento da Irlanda na quarta-feira. Em ato em frente ao Parlamento alemão, manifestantes pedem paz na Ucrânia e exigem sanções contra a Rússia Em ato em frente ao Parlamento alemão, manifestantes pedem paz na Ucrânia e exigem sanções contra a Rússia / Annette Riedl/picture alliance via Getty Images

Escavações em área tóxica perto de Chernobyl

Imagens feitas por drones e divulgadas nesta quarta-feira (6) revelam a existência de poços e trincheiras em uma área altamente radioativa nas proximidades da Usina Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia. As escavações teriam sido feitas por tropas russas que abandonaram a região. As imagens foram captadas por militares ucranianos e divulgadas pela Energoatom, a operadora estatal das usinas nucleares do país. As escavações ficam em uma área conhecida como Floresta Vermelha. De acordo com a agência de notícia Reuters, a Floresta Vermelha recebeu esse nome quando dezenas de quilômetros quadrados de pinheiros ficaram vermelhos depois de absorver a radiação da explosão de 1986 em Chernobyl –o pior desastre nuclear do mundo.
Escavações foram feitas em área tóxica perto de Chernobyl, conhecida como Floresta Vermelha
Escavações foram feitas em área tóxica perto de Chernobyl, conhecida como Floresta Vermelha / Ukraine Army/Energoatom

Destruição em Mariupol

Em uma mesa redonda nesta quarta, o prefeito de Mariupol, Vadim Boychenko, pediu sanções mais fortes contra a Rússia e disse para que os crimes de guerra sejam registrados por instituições internacionais. Ele disse que mais de 90% da infraestrutura da cidade foi destruída pela Rússia e que pelo menos 40% disso “não é mais recuperável”. O conselho da cidade de Mariupol compartilhou uma transcrição dos comentários de Boychenko na mesa redonda, na qual o prefeito disse que o conselho da cidade criou uma comissão para “registrar os casos de destruição de propriedade comunal e privada” e que o conselho até agora registrou 300 dessas instâncias. Boychenko disse: “De acordo com estimativas preliminares, 5.000 pessoas morreram em Mariupol durante o mês do bloqueio, das quais cerca de 210 eram crianças”.

Imagens de satélite mostram danos em Mariupol: