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ONU aprova retirada de Rússia do Conselho de Direitos Humanos
Siga as principais informações da guerra na Ucrânia
07/04/2022

Porta-voz do Kremlin admite perdas “significativas” de tropas russas
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, admitiu brevemente nesta quinta-feira (7) que a Rússia sofreu perdas “significativas” de suas tropas na Ucrânia, chamando as perdas de “uma enorme tragédia” para o país em entrevista à Sky News. Questionado se a retirada das tropas russas de Kiev e de sua região poderia ser vista como “uma humilhação” para o Kremlin, Peskov disse que usar essas palavras seria “um entendimento errado da situação”.Ataques na Ucrânia continuam
A Rússia continua a atacar a Ucrânia, mas concentra seus esforços na região leste do país com o objetivo principal de avançar nas operações ofensivas a partir da região do Donbass, disse o Ministério da Defesa do Reino Unido nesta quinta-feira. O ministério da Defesa russo confirmou ter atingido alvos militares nas cidades ucranianas de Mykolayiv, Kharkiv, Zaporizhzhia e Chuhuiv durante a noite de quarta-feira, localizadas no leste e sul do país atacado. Segundo a Rússia, as instalações foram usadas pela Ucrânia para abastecer suas tropas perto das cidades de Mykolaiv e Kharkiv e em Donbass. As áreas controladas pelos separatistas em Donbass ficaram conhecidas como República Popular de Luhansk e Donetsk. As repúblicas autodeclaradas não são reconhecidas por nenhum governo, exceto a Rússia e seu aliado próximo, a Síria. O novo foco russo também foi comentado por um assessor presidencial de Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano. Ele disse que a cidade sitiada de Mariupol, no sul, está resistindo e acredita que os esforços russos para cercar as tropas ucranianas no leste “serão em vão”. “A situação está sob controle”, disse em rede nacional.Guerra “pode durar anos”, diz secretário-geral da Otan
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, afirmou na quarta-feira (6) que não vê “nenhuma indicação” de que o presidente russo, Vladimir Putin, tenha alterado seu objetivo de tomar o controle de toda a Ucrânia. “Não vimos nenhuma indicação de que o presidente Putin mudou sua ambição de controlar toda a Ucrânia e também de reescrever a ordem internacional. Então, precisamos estar preparados para o longo prazo”, disse Stoltenberg. Em entrevista coletiva antes de uma reunião dos ministros das Relações Exteriores de aliados da Otan em Bruxelas, Stoltenberg também alertou que a guerra na Ucrânia pode durar por alguns anos. “Temos que ser realistas e perceber que isso pode durar muito tempo, muitos meses ou até anos.” Os ministros das Relações Exteriores dos países da Otan terão reuniões nesta quarta e quinta-feira para discutir o aumento do apoio à Ucrânia.Destaques das últimas 24 horas
- Otan diz que Putin ainda quer assumir controle da Ucrânia e que guerra pode demorar anos para acabar
- Prefeito diz que 40% da infraestrutura de Mariupol destruída é “irreversível”
- Novas sanções dos EUA contra a Rússia têm como alvo filhas de Vladimir Putin e bancos russos proeminentes
- União Europeia mira petróleo e gás russos em novo pacote de sanções
- Presidente dos EUA, Joe Biden volta a acusar Biden por crimes de guerra
- Imagens mostram que forças russas fizeram escavações em área tóxica perto de Chernobyl
- Alemanha deve enviar armas para exército ucraniano
- Moradores fogem de Derhachi e deixam cidade vazia
- Kremlin diz que negociações estão progredindo vagarosamente
Sanções contra a Rússia
A Ucrânia manterá a exigência ao Ocidente de um embargo total de petróleo e gás da Rússia após sua invasão do país, disse o ministro das Relações Exteriores ucraniano nesta quinta-feira (7). Ao lado do do Secretário-Geral da Otan, Jens Stoltenberg, Dmytro Kuleba também pediu o envio de mais aviões, sistemas de defesa aérea, mísseis e veículos militares dos aliados da Organização. “Vim aqui hoje para discutir três coisas mais importantes: armas, armas e armas. As necessidades urgentes da Ucrânia, a sustentabilidade dos suprimentos e soluções de longo prazo que ajudarão a Ucrânia a prevalecer”, escreveu Kuleba nas redes sociais após o encontro em Bruxelas. O principal diplomata da União Europeia, Josep Borrell, espera que a quinta rodada de sanções do bloco contra a Rússia seja aunciada até o fim desta semana. Segundo Borrell, o bloco ainda está analisando “a lista de pessoas e setores” que serão afetados, mas espera um acordo sobre as medidas finais em breve. A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a União Europeia vai impor mais sanções contra a Rússia além do último pacote já anunciado nesta semana, provavelmente incluindo medidas contra as importações de petróleo russo. Ela deve encontrar-se nesta quinta-feira com Volodymyr Zelensky. Além da UE, o Reino Unido congelou os ativos dos bancos russos Sberbank e Credit Bank of Moscow, e disse que encerrará todas as importações de carvão e petróleo russos até o final de 2022. Outros oito oligarcas também foram sancionados. O governo dos Estados Unidos também anunciou nesta quarta novas sanções contra a Rússia em decorrência da invasão da Ucrânia conduzida pelo país. Os principais alvos são duas filhas do presidente Vladimir Putin e bancos, além da esposa e da filha do ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que não pode tolerar qualquer indecisão dos países ocidentais sobre a imposição de novas sanções à Rússia, em um discurso ao parlamento da Irlanda na quarta-feira.
Em ato em frente ao Parlamento alemão, manifestantes pedem paz na Ucrânia e exigem sanções contra a Rússia / Annette Riedl/picture alliance via Getty Images
Escavações em área tóxica perto de Chernobyl
Imagens feitas por drones e divulgadas nesta quarta-feira (6) revelam a existência de poços e trincheiras em uma área altamente radioativa nas proximidades da Usina Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia. As escavações teriam sido feitas por tropas russas que abandonaram a região. As imagens foram captadas por militares ucranianos e divulgadas pela Energoatom, a operadora estatal das usinas nucleares do país. As escavações ficam em uma área conhecida como Floresta Vermelha. De acordo com a agência de notícia Reuters, a Floresta Vermelha recebeu esse nome quando dezenas de quilômetros quadrados de pinheiros ficaram vermelhos depois de absorver a radiação da explosão de 1986 em Chernobyl –o pior desastre nuclear do mundo.
Destruição em Mariupol
Em uma mesa redonda nesta quarta, o prefeito de Mariupol, Vadim Boychenko, pediu sanções mais fortes contra a Rússia e disse para que os crimes de guerra sejam registrados por instituições internacionais. Ele disse que mais de 90% da infraestrutura da cidade foi destruída pela Rússia e que pelo menos 40% disso “não é mais recuperável”. O conselho da cidade de Mariupol compartilhou uma transcrição dos comentários de Boychenko na mesa redonda, na qual o prefeito disse que o conselho da cidade criou uma comissão para “registrar os casos de destruição de propriedade comunal e privada” e que o conselho até agora registrou 300 dessas instâncias. Boychenko disse: “De acordo com estimativas preliminares, 5.000 pessoas morreram em Mariupol durante o mês do bloqueio, das quais cerca de 210 eram crianças”.Imagens de satélite mostram danos em Mariupol:
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1 de 3Danos e detritos espalhados são vistos no Hospital Regional de Terapia Intensiva de Mariupol Crédito: Reprodução/Maxar TechnologiesBiden volta a acusar Rússia por crimes de guerra
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou nesta quarta-feira que “grandes crimes de guerra” estão sendo descobertos na Ucrânia enquanto as forças russas se retiram dos arredores de Kiev, citando cenas de execuções brutais e a sangue frio como justificativa para aumentar as sanções dos EUA a Moscou. “As nações responsáveis precisam se unir para responsabilizar esses perpetradores”, disse Biden a uma multidão sindical em Washington, depois que a Casa Branca anunciou novas sanções às maiores instituições financeiras da Rússia e a indivíduos ligados ao Kremlin, incluindo as duas filhas adultas do presidente russo, Vladimir Putin. “Continuaremos aumentando o custo econômico e aumentando a dor para Putin e aumentando ainda mais o isolamento econômico da Rússia”, disse Biden, condenando o ataque intencional de civis pela Rússia e anunciando uma resposta ocidental unida, mesmo reconhecendo que a batalha ainda está em andamento.
O presidente dos EUA, Joe Biden, fala sobre a guerra na Ucrânia / Reprodução/CNN Brasil (16.mar.2022) Alemanha deve enviar armas à Ucrânia
A Alemanha só pode fornecer à Ucrânia armas que o exército do país saiba usar, disse o chanceler alemão Olaf Scholz nesta quarta-feira. “Estes são estoques [de armas] muito antigos que foram usados pelo NVA (exército da antiga Alemanha Oriental comunista), que têm a vantagem de que podem ser usados particularmente bem na Ucrânia, porque eles têm experiência com esse equipamento”, disse Scholz a parlamentares no Bundestag, casa do parlamento alemão. “Temos que fornecer equipamentos que possam ser usados.” Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Alemanha disse que forneceria mísseis Strela e outras armas para a Ucrânia, demonstrando uma mudança histórica de sua política de não enviar armas para zonas de conflito.
Soldados ucranianos em Kiev, capital da Ucrânia, no dia 30 de março; forças russas redirecionam esforços em nova fase da guerra / Metin Aktas/Anadolu Agency via Getty Images Moradores fogem e deixam cidade vazia
Carregando sacolas plásticas com seus poucos pertences, moradores da cidade ucraniana de Derhachi, no leste do país e próxima à fronteira com a Rússia, embarcaram em veículos nesta quarta para deixar o local enquanto crescem os temores de um novo ataque russo. Desde que recuaram da capital Kiev na semana passada, as forças russas concentram a ofensiva em locais no sul e no leste da Ucrânia. Muitos na cidade de Derhachi, que fica a apenas 30 km ao norte de Kharkiv e da fronteira com a Rússia, decidiram deixar o local enquanto conseguem. Prédios já foram muito danificados pela artilharia russa.
Bandeira da Ucrânia em prédio destruído por bombardeio em Derhachi, na Ucrânia / 06/04/2022 REUTERS/Thomas Peter Ocupação russa em Borodiamka
Borodianka era o lar de 13 mil pessoas antes da guerra, mas a maioria fugiu após a invasão da Rússia. O que restava da cidade, depois de intensos bombardeios e ataques aéreos devastadores, foi então ocupado pelas forças russas, que chegaram em 28 de fevereiro. A ocupação russa de um mês deixou uma marca devastadora na cidade. Não só foi quase totalmente destruída por ataques de longo alcance – com edifícios reduzidos a meras pilhas de escombros – mas as forças russas usaram algumas das casas como seu próprio quartel. A letra “V”, abreviação de Vostok (que significa ‘leste’ em russo) – e um símbolo usado pelo distrito militar oriental da Rússia em conjunto com a letra “Z”, um emblema da chamada “operação militar especial” de Moscou – foi pintado em edifícios, veículos e postos de controle.
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