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Ucrânia diz que Rússia iniciou nova ofensiva em Donbass; UE articula mais sanções

Siga as principais informações da guerra na Ucrânia

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 11/04/2022
Ucrânia diz que Rússia iniciou nova ofensiva em Donbass; UE articula mais sanções
Foto: CNN
A última ofensiva da Rússia na região leste do Donbass começou, disse um alto funcionário ucraniano nesta segunda-feira (11), alertando que a Rússia continua acumulando forças no local. “Temos que entender que não será a repetição de 24 de fevereiro, quando os primeiros ataques aéreos e explosões começaram e dissemos: ‘A guerra começou.’ A grande ofensiva de fato já começou.”
Denysenko observou explosões durante a noite na região de Dnipropetrovsk e disse que o bombardeio de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, também continuou. A ofensiva também foi observada e relatada pelo Ministério da Defesa do Reino Unido em um boletim nesta segunda-feira. Além disso, o uso prévio de munições de fósforo pelas forças russas na região de Donetsk também aumenta a possibilidade de seu futuro emprego em Mariupol, à medida que a luta pela cidade se intensifica, disse a inteligência militar britânica. Em meio ao avanço dos russos, nove corredores humanitários para evacuar pessoas das regiões do leste sitiadas da Ucrânia foram acordados para esta segunda entre Kiev e Moscou, incluindo cinco na região de Luhansk, disse a vice-primeira-ministra da Ucrânia, Iryna Vereshchuk. Segundo autoridades europeias, a ofensiva russa na região leste da Ucrânia faz parte de uma estratégia de tentar obter algum tipo de vitória na guerra até o dia 9 de maio. Na data, o país comemora o Dia da Vitória sobre a Alemanha na Segunda Guerra Mundial.

Novas sanções

Mais sanções da União Europeia contra a Rússia são uma opção, disse o principal diplomata do bloco nesta segunda, quando perguntado se a UE está pronta para considerar um embargo de petróleo russo. “As sanções estão sempre na mesa”, disse Josep Borrell a repórteres ao chegar para uma reunião com os ministros das Relações Exteriores da UE em Luxemburgo. “Os ministros vão discutir quais são os próximos passos”, disse ele. O ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Simon Coveney, disse que a Comissão Europeia está trabalhando em detalhes de um embargo de petróleo à Rússia como parte de um possível próximo pacote de sanções, mas que nada foi decidido ainda.

Aeroporto de Dnipro foi destruído, diz Ucrânia

Forças russas realizaram ataques com mísseis neste domingo (10) nas regiões de Dnipropetrovsk, Mykolaiv e Kharkiv, localizadas no leste e sul da Ucrânia, o que resultou na destruição do aeroporto de Dnipro, disse o chefe da administração regional do local, Valentyn Reznichenko. “É mais um ataque ao aeroporto de Dnipro”, disse ele. “Já não sobrou nada. O aeroporto e a infraestrutura próxima foram destruídos. Mas os mísseis continuam voando.” A nova investida foi realizada com mísseis de lançamento marítimo de alta precisão e atingiram “o quartel-general e a base do batalhão nacionalista de Dnipro, onde chegaram reforços de mercenários estrangeiros outro dia”, afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, o general Igor Konashenkov, em um comunicado. Além disso, também foram alvos a “área do assentamento de Stara Bohdanivka, região de Mykolaiv e no aeródromo militar de Chuhuiv [na região de Kharkiv]”, onde foram destruídos “lançadores dos sistemas de mísseis antiaéreos S-300 ucranianos”, complementa a nota.
Não foram divulgadas informações sobre vítimas.

Veja o que foi destaque nas últimas 24 h:

  • Primeiro-ministro da Áustria se encontrará com Putin em Moscou nesta segunda
  • Nova fase ofensiva em Donbass já começou, diz Reino Unido e Ucrânia
  • Rússia realiza novos ataques e atinge aeroporto de Dnipro
  • Boris Johnson se réune com Volodymyr Zelensky em Kiev
  • Rússia ataca depósitos de munição ucraniana
  • Ataque a estação de trem em Kramatorsk deixa ao menos 50 mortos; governo russo nega autoria;
  • Mais de 160 corpos foram achados em Bucha;
  • União Europeia vê indícios de crimes de guerra na Ucrânia;

Primeiro-ministro da Áustria se encontra com Putin em Moscou

O chanceler austríaco, Karl Nehammer, disse no domingo que se reunirá com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou nesta segunda-feira. “Vou me encontrar com Vladimir Putin em Moscou amanhã. Nós [Áustria] somos militarmente neutros, mas temos uma posição clara sobre a guerra de agressão russa contra a Ucrânia”, disse Nehammer em sua conta oficial no Twitter.
Karl Nehammer, chanceler da Áustria, em visita à Sérvia em março de 2022 / Milos Miskov/Anadolu Agency via Getty Images
Falando antes de uma reunião da UE em Luxemburgo, o ministro das Relações Exteriores da Áustria, Alexander Schallenberg, disse a repórteres que “faz diferença estar cara a cara e dizer a ele qual é a realidade: que este presidente de fato perdeu a guerra moralmente”. A Áustria não faz parte da Otan e não fornece armas à Ucrânia. No entanto, forneceu à Ucrânia ajuda humanitária, além de capacetes e coletes de proteção para uso civil, de acordo com um comunicado da chancelaria austríaca.

Kremlin: adesão de Finlândia e Suécia à Otan não trará estabilidade à Europa

O Kremlin disse que a possível adesão da Suécia e da Finlândia à aliança militar da Otan não traria estabilidade à Europa. “Dissemos repetidamente que a aliança continua sendo uma ferramenta voltada para o confronto e sua expansão não trará estabilidade ao continente europeu”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a repórteres em uma teleconferência quando perguntado sobre a possibilidade de Suécia e Finlândia ingressarem na Otan. Autoridades da Otan disseram à CNN que as discussões sobre a adesão da Suécia e da Finlândia ao bloco ficaram extremamente sérias desde a invasão russa à Ucrânia.
Bandeiras de países-membros da Otan na sede da aliança, em Bruxelas / Dursun Aydemir/Anadolu Agency via Getty Images

Zelensky discute mais sanções contra Rússia com Olaf Scholz, da Alemanha

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse no domingo que conversou por telefone com o chanceler alemão Olaf Scholz e os dois discutiram possíveis novas sanções à Rússia, bem como defesa e apoio financeiro à Ucrânia. “Tive uma conversa telefônica com Olaf Scholz. Enfatizamos que todos os perpetradores de crimes de guerra devem ser identificados e punidos”, disse Zelensky em sua conta oficial no Twitter. “Também discutimos sanções anti-russas, defesa e apoio financeiro para a Ucrânia”, escreveu.

Reino Unido diz que Rússia busca reforçar seu exército após aumento de perdas

A inteligência militar do Reino Unido, em boletim sobre a situação da guerra divulgado neste domingo (10), afirmou que as forças armadas russas tentam fortalecer o exército com pessoal dispensado do serviço militar desde 2012, em resposta ao “aumento de perdas” no conflito. Esse esforço também incluiria a tentativa de recrutar combatentes da região da Transnístria, na Moldávia, ainda segundo o relatório do Ministério da Defesa britânico publicado no Twitter. No sábado (9), a  inteligência militar britânica disse que a Rússia continua a atacar civis e que o foco de seu exército está nas regiões de DonbassMariupol e Mykolaiv. Além disso, a instituição fez a previsão de que os combates e ataques aéreos devem aumentar no sul e leste da Ucrânia, visando auxiliar a operação nas regiões citadas acima.
Movimentação de militares russos na fronteira com a Ucrânia / Maxar

EUA dizem que vão fornecer armas que Ucrânia precisa para guerra

Os Estados Unidos estão comprometidos em fornecer à Ucrânia “as armas que precisa” para se defender contra a Rússia, disse o assessor de segurança nacional do país, Jake Sullivan, neste domingo (10), enquanto a Ucrânia busca mais ajuda militar do Ocidente. Sullivan disse que o governo Biden enviará mais armas para a Ucrânia para impedir que a Rússia tome mais território e alveje civis, ataques que Washington classificou como crimes de guerra. Os Estados Unidos enviaram US$ 1,7 bilhão em assistência militar à Ucrânia desde que a Rússia lançou sua invasão em 24 de fevereiro, informou a Casa Branca na semana passada.
Além disso, a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse que a nomeação de uma nova liderança militar pela Rússia “mostra que haverá uma continuação do que já vimos na Ucrânia”. “E é isso que esperamos”, disse Psaki a Dana Perino, em entrevista à Fox News Sunday. Psaki chamou Dvornikov de responsável pelas “atrocidades que vimos na Síria” e disse que, para a Ucrânia, os EUA continuam com funcionários trabalhando para garantir que eles tenham o armamento e a assistência necessários para ter sucesso no campo de batalha.

Boris Johnson e Zelensky se encontram em Kiev

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, recebeu o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em Kiev no sábado (9). Pelo Twitter, a embaixada do Reino Unido na Ucrânia postou uma foto dos dois líderes sentados em uma sala de reuniões com a legenda “surprise” (surpresa, em português). “O primeiro-ministro viajou para a Ucrânia para se encontrar pessoalmente com o presidente Zelensky, em uma demonstração de solidariedade ao povo ucraniano. Eles discutirão o apoio de longo prazo do Reino Unido à Ucrânia e o primeiro-ministro estabelecerá um novo pacote de ajuda financeira e militar”, disse um porta-voz de Downing Street.
A Embaixada do Reino Unido na Ucrânia postou uma foto de Zelensky e Boris Johnson neste sábado (9)
A Embaixada do Reino Unido na Ucrânia postou uma foto de Zelensky e Boris Johnson neste sábado (9) / Reprodução/Embaixada do Reino Unido na Ucrânia
Na sexta-feira, foi anunciado que o Reino Unido enviaria à Ucrânia mais 100 milhões de libras — cerca de US$ 130 milhões — de apoio militar. Na ocasião, o primeiro-ministro britânico também condenou um ataque russo a uma estação de trem no leste da Ucrânia, lotada de mulheres, crianças e idosos fugindo do conflito, que, segundo as autoridades ucranianas, matou pelo menos 50 pessoas. A visita de Johnson acontece após a passagem da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, pelo país. A visita também gerou críticas da líder às mortes de civis em BuchaEm entrevista à Christiane Amanpour, da CNN, Von der Leyen classificou o episódio como “uma atrocidade, algo impensável e chocante” e “a face brutal da guerra de Putin“.

Ataque a depósito de munição

No sábado, as forças russas destruíram um depósito de munição na Base Aérea de Myrhorod, no centro-leste da Ucrânia, informou a agência de notícias Interfax citando o Ministério da Defesa da Rússia. Um caça MiG-29 da força aérea ucraniana e um helicóptero Mi-8 também foram destruídos no ataque à base na região de Poltava, disse o porta-voz do ministério Igor Konashenkov. Ele acrescentou que um grande depósito de munição também foi destruído perto da cidade de Novomoskovsk, na região centro-leste de Dnipro.

Um quarto das forças russas estão inoperantes, diz oficial europeu

Cerca de um quarto das forças russas utilizadas na invasão da Ucrânia estão “efetivamente inoperantes”, afirmou um funcionário europeu, após um alto número de perdas humanas, além de logística e sustentação deficientes. A Rússia tinha cerca de 120 Grupos Táticos de Batalhão (BTG) em torno da Ucrânia antes da invasão, informou a CNN na época. Seis semanas após a guerra, aproximadamente 29 deles estão agora fora de serviço, disse o oficial. Em uma publicação neste sábado (9), o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia afirmou que cerca de 19.100 combatentes russos teriam sido mortos desde o início da guerra, listando também uma série de perdas de equipamentos militares. A Rússia, porém, não confirma essas informações.

Líderes europeus voltam a classificar ações russas em Bucha como “crimes de guerra”

As ações da Rússia em Bucha voltaram a ser chamadas de “crimes de guerra” por líderes europeus neste sábado (9). Declarações neste sentido foram feitas por Olaf Scholz, primeiro-ministro alemão, e por Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia que estava em Kiev, capital ucraniana, nesta semana. Desde que as tropas russas retiraram de Bucha na semana passada, oficiais ucranianos dizem que centenas de civis foram encontrados mortos. O vice-prefeito de Bucha disse que mais de 360 civis foram mortos e entre 260 e 280 foram enterrados em uma vala comum por outros residentes.
Em entrevista à Christiane Amanpour, da CNN, Ursula von der Leyen classificou a morte de civis na cidade ucraniana de Bucha como “uma atrocidade, algo impensável e chocante, é a face brutal da guerra de Putin“.

Ataque à estação de trem de Kramatorsk

Na sexta-feira (8), pelo menos 50 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas em um ataque a uma estação ferroviária usada para evacuação de civis no leste da Ucrânia, segundo novas informações das autoridades locais. Militares ucranianos e forças separatistas de Donetsk trocam acusações sobre a autoria do ataque a civis. Enquanto autoridades locais afirmam que dois foguetes russos atingiram a estação na cidade de Kramatorsk, a autointitulada República Popular de Donetsk (DPR) afirma que os destroços encontrados no entorno da estação são do foguete Tochka-U, utilizado apenas por ucranianos. “Este sistema de mísseis soviético obsoleto não está em serviço com o DPR, LPR e a Federação Russa, sendo usado ativamente por militares ucranianos.
Malas de pessoas em meio a marcas de sangue após ataque a uma estação de trem em Kramatorsk, na Ucrânia / Ministério da Defesa da Ucrânia/via REUTERS
A Rússia negou os ataques. O Ministério da Defesa da Rússia fez eco aos separatistas e afirmou que o tipo de armamento é usado somente pelos militares ucranianos e semelhante ao que atingiu o centro da cidade de Donetsk em 14 de março, matando 17 pessoas, de acordo com a agência de notícias estatal RIA. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que não havia tropas ucranianas na estação ferroviária no leste da Ucrânia: “As forças russas atingiram a estação de trem em Kramatorsk, (disparando) em uma estação de trem comum, em pessoas comuns, não havia soldados lá.” “[Evacuações] estão acontecendo desde 26 de fevereiro, e os russos sabiam que milhares de pessoas estão lá todos os dias”, disse Tetiana Ihnatchenko, porta-voz da região administrativa de Donetsk. “Acredito que eles estavam contando com isso”.

Envolvidos no ataque serão responsabilizados, diz Zelensky

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que todos por trás do ataque russo à estação de trem de Kramatorsk serão responsabilizados. “Este é outro crime de guerra da Rússia, pelo qual todos os envolvidos serão responsabilizados”, disse ele em seu discurso noturno nesta sexta-feira (8), acrescentando que a propaganda estatal russa tentou culpar as forças armadas ucranianas pelo ataque. “Esperamos uma resposta firme e global a este crime de guerra”, disse ele. Ele também pediu “sanções profundas” contra a Rússia.
Homem inspeciona restos de míssil perto de estação de trem em Kramatorsk, na Ucrânia / Foto: Reuters/Stringer

Mais de 160 corpos foram achados em Bucha

A procuradora-geral ucraniana Iryna Venedyktovae revelou na sexta que 164 corpos foram encontrados no subúrbio de Bucha, em Kiev, onde foi descoberto um massacre de civis após a retirada das tropas russas. “Até ontem [7 de abril], 164 mortos foram encontrados em Bucha”, disse ela em declarações televisionadas. “Além de mais 21 que exumamos hoje da vala comum antes que a chuva forte começasse.” Venedyktova disse que 26 corpos foram retirados na quarta-feira (6) dos escombros de um prédio desmoronado em outro subúrbio de Kiev, Borodianka, e que mais dois corpos foram recuperados na sexta-feira. Ela alertou que mais corpos provavelmente serão encontrados em prédios destruídos na cidade.
Investigadores forenses começaram a exumar corpos em Bucha / 08/04/2022 REUTERS/Valentyn Ogirenko

Tropas russas devem se reagrupar em Kharkiv

Os militares russos estão se reagrupando no leste da Ucrânia e planejam avançar em direção à cidade de Kharkiv, disse o chefe da Inteligência de Defesa da Ucrânia a Christiane Amanpour, da CNN, nesta sexta. “Eles estão se reagrupando em direção à cidade [ucraniana] chamada Izium. Eles estão se movendo por Belgorod. Eles recebem tropas adicionais em Belgorod para compensar suas perdas na Ucrânia”, disse Kyrylo Budanov em entrevista à CNN, em Kiev. “Eles planejam avançar para Kharkiv em primeiro lugar. Eles vão tentar acabar com a cidade de Mariupol e só depois disso, eles podem tentar avançar em direção a Kiev“, disse ele.
Prédio destruído em Kharkiv após bombardeios russos
Prédio destruído em Kharkiv após bombardeios russos / Wolfgang Schwan/Anadolu Agency via Getty Image