Mundo
EUA e Rússia trocam prisioneiros após longa negociação
Trevor Reed, cidadão americano e ex-fuzileiro naval, estava detido desde 2019
27/04/2022
Preocupações com a saúde
A libertação de Trevor Reed foi resultado de “meses e meses de trabalho árduo e cuidadoso em todo o governo dos EUA”, destacou um alto funcionário do governo, observando que “as conversas sobre esse assunto em particular se aceleraram recentemente para nos levar a esse ponto”. Um fator determinante foi a preocupação com a saúde do americano por sua família, devido à provável exposição à tuberculose, bem como os efeitos prolongados da Covid-19. O funcionário, falando a repórteres nesta quarta-feira (27), disse que “em última análise, essas negociações levaram o presidente a ter que tomar uma decisão muito difícil de comutar a sentença de Konstantin Yaroshenko, um contrabandista russo condenado por conspirar para importar cocaína”. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia já havia levantado a possibilidade de que Yaroshenko pudesse ser devolvido “em troca de qualquer cidadão americano” detido na Rússia. Ele é um piloto russo que foi detido na Libéria por agentes disfarçados da Agência Antidrogas dos EUA em 28 de maio de 2010 e levado para os EUA, de acordo com a agência de notícias estatal russa TASS. Os agentes da corporação aparentemente obtiveram evidências de que Yaroshenko tinha intenção criminosa de transportar um grande lote de cocaína, ainda segundo a TASS. Ele estava cumprindo a sentença na Instituição Correcional Federal em Danbury, Connecticut. O integrante do governo dos Estados Unidos não forneceu detalhes sobre como ou por que Yaroshenko foi escolhido para a troca, mas observou que ele cumpriu a maior parte de sua sentença nos EUA e agora está sob custódia russa. “Este é um apelo difícil para um presidente. Biden fez isso para trazer para casa um americano cuja saúde era fonte de intensa preocupação e cumprir seu compromisso de resolver esses casos difíceis e reunir os americanos com seus entes queridos”, pontuou. O pai de Reed disse anteriormente à CNN que acreditava ser provável que ele estivesse sofrendo de tuberculose, estava tossindo sangue e também tinha uma costela quebrada. Também afirmou que o americano foi levado para um hospital da prisão, mas não recebeu tratamento e foi enviado de volta para a solitária. Quando o ex-fuzileiro iniciou uma segunda greve de fome em protesto contra o tratamento recebido pelas autoridades russas, os pais de Reed foram protestar do lado de fora da Casa Branca na esperança de garantir um encontro com o presidente. A reunião entre a família e Joe Biden aconteceu no mês passado e durou cerca de meia hora.2 outros americanos ainda detidos na Rússia
A divulgação da libertação desta quarta-feira também renovou atenção para o caso do americano Paul Whelan, também ex-fuzileiro naval que foi detido em um hotel de Moscou em dezembro de 2018 e preso por acusações de espionagem, o que ele nega de forma consistente e veemente. Ele foi condenado e sentenciado em junho de 2020 a 16 anos de prisão em um julgamento que autoridades norte-americanas denunciaram como injusto. Em junho de 2021, Whelan relatou à CNN as condições sombrias do campo de trabalho remoto onde trabalha, em uma fábrica de roupas com condições precárias, adicionando que obter assistência médica é “muito difícil”. Em sua declaração de boas-vindas à libertação de Reed, Biden disse que seu governo “não vai parar” até que Whelan esteja em casa. Enquanto isso, a estrela do basquete Brittney Griner continua detida na Rússia depois de ter sido presa, em fevereiro, por acusações de contrabando de drogas. Um tribunal de Moscou recentemente estendeu sua detenção até 19 de maio, segundo a agência de notícias estatal russa TASS. Embora sua equipe jurídica tenha conseguido encontrá-la várias vezes por semana durante a prisão, um funcionário dos EUA da embaixada americana em Moscou finalmente obteve acesso consular a Griner no final de março, acrescentando que a encontraram em “boa condição’. Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado, disse a Jim Sciutto, da CNN, nesta quarta-feira, que os casos continuam sendo as principais prioridades dos EUA. Karl de Vries, Kate Sullivan, Veronica Stracqualursi e Khadean Coombs, da CNN, contribuíram para esta reportagemMais lidas
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