Mundo
Manifestantes antiguerra são detidos e “convocados diretamente” para o exército russo
Vladimir Putin anunciou mobilização parcial de 300 mil cidadãos
22/09/2022
Mobilização parcial
As manifestações acontecem após um discurso de Putin na manhã de quarta-feira, no qual ele apresentou um plano que aumenta a tensão e suas pretensões com a guerra na Ucrânia. Além disso, ocorre em um momento em que uma contra-ofensiva repentina do exército ucraniano recapturou milhares de quilômetros quadrados de território e empurrou as linhas russas para trás. Especialistas dizem que as forças da Rússia estão significativamente esgotadas. A anunciada “mobilização parcial” é uma convocação de 300 mil reservistas, segundo o ministro da Defesa, Sergei Shoigu. Putin disse que aqueles com experiência militar estariam sujeitos ao recrutamento e enfatizou que o decreto – que já foi assinado – é necessário para “proteger nossa pátria, sua soberania e sua integridade territorial”. A determinação em si não se aplica apenas aos reservistas, pois permite a “convocação [de] cidadãos da Federação Russa para o serviço militar por mobilização nas Forças Armadas da Federação Russa”. Putin também citou a questão de armas nucleares durante seu pronunciamento, dizendo que usaria “todos os meios à nossa disposição” se considerasse a “integridade territorial” da Rússia ameaçada. Ele também endossou referendos sobre a adesão ao país que os líderes indicados pelos russos em quatro regiões ocupadas da Ucrânia anunciaram que realizariam nesta semana.
Reação do Ocidente
O anúncio de “mobilização parcial” de Putin foi condenado por líderes ocidentais, muitos dos quais se reuniam na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Em uma rara declaração conjunta, a primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacaram que ambas concordam que o anúncio do líder russo é um sinal de “fraqueza”. Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia concordaram em avançar com uma nova rodada de sanções contra a Rússia, disse o chefe de política externa do bloco, Josep Borrell, a repórteres na noite de quarta. A Ucrânia permaneceu desafiadora diante do anúncio de Putin, com o presidente Volodymyr Zelensky dizendo à Assembleia-Geral em um discurso gravado que a Rússia estava “com medo de negociações reais (de paz)” e apontando para o que ele caracterizou como “mentiras” russas. A Rússia “fala sobre as negociações, mas anuncia uma mobilização militar. A Rússia quer a guerra”, afirmou Zelensky. Enquanto isso, análises de pesquisadores do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) observaram que a medida não terá um impacto significativo no resultado imediato da guerra. A análise indicou que levaria semanas ou meses para preparar os reservistas para o combate, pois são “mal treinados para começar” e que as fases de implantação descritas pelo ministro da Defesa da Rússia provavelmente impedirão “qualquer influxo repentino de forças russas que poderiam mudar drasticamente a maré da guerra”. “A ordem de Putin de mobilizar parte da reserva ‘treinada’ da Rússia, ou seja, indivíduos que completaram seu serviço obrigatório de recrutamento, não gerará um poder de combate russo utilizável significativo por meses”, afirmam os especialistas. “Pode ser suficiente para sustentar os níveis atuais de mão de obra militar russa em 2023, compensando as baixas russas, embora isso ainda não esteja claro”, ressaltaram.Mais lidas
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