Política
Prefeita de Várzea Grande entra na mira da Justiça por suspeita de esquema no DAE
Decisão do desembargador Orlando Perri autoriza investigação contra Flávia Moretti após indícios de “religações fantasmas”, possíveis fraudes e movimentações atípicas no sistema de água
A gestão da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, passou a ser alvo direto de investigação após decisão da Justiça de Mato Grosso que autorizou a abertura de inquérito para apurar suspeitas de irregularidades no Departamento de Água e Esgoto (DAE/VG).
A determinação partiu do desembargador Orlando Perri, que identificou a existência de elementos mínimos que justificam o aprofundamento das apurações no âmbito do Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO), ligado ao Ministério Público.
No centro da investigação está um conjunto de indícios considerados sensíveis: registros atípicos de cortes e religações de água em grande escala, divergências em dados de faturamento e falhas estruturais no sistema do DAE.
Segundo relatório técnico produzido durante auditoria, esses dados podem indicar a existência de chamadas “religações fantasmas” — mecanismo que, em tese, poderia ter sido utilizado para inflar produtividade de servidores e viabilizar pagamentos indevidos, com potencial impacto direto nos cofres públicos.
Outro ponto que elevou o nível de gravidade da apuração é a existência de arquivos digitais e gravações apreendidas, nos quais há menções de que a prefeita teria conhecimento prévio das irregularidades. A circunstância levanta suspeitas de eventual omissão relevante ou possível acobertamento — hipóteses que ainda dependem de comprovação técnica.
Apesar da contundência dos indícios, o próprio Ministério Público destaca que não há, neste momento, acusação formal contra a chefe do Executivo, sendo a investigação necessária justamente para esclarecer o alcance dos fatos e a eventual responsabilidade dos envolvidos.
A investigação também lança luz sobre movimentos internos considerados atípicos dentro do DAE, como a interrupção abrupta de apurações administrativas, mudanças na estrutura da autarquia e dificuldades no rastreamento de dados, o que pode ter comprometido a transparência dos registros.
Entre as medidas autorizadas estão perícias técnicas em arquivos digitais, análise de logs dos sistemas, degravação de áudios, oitivas de servidores e requisição de documentos administrativos e contratos.
Em nota oficial, a Prefeitura de Várzea Grande afirmou que acompanha o caso com tranquilidade e reforçou que a decisão judicial tem caráter exclusivamente investigativo, sem qualquer conclusão sobre eventual culpa da prefeita. A gestão também declarou confiança nas instituições e no devido processo legal.