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As negociações de paz "difíceis" entre Rússia e Ucrânia terminaram sem avanços
As reuniões trilaterais, realizadas em Genebra, prolongaram-se até tarde na terça-feira, mas duraram apenas duas horas na quarta-feira
As negociações entre a Rússia, a Ucrânia e os EUA, com o objetivo de pôr fim à guerra de Moscou na Ucrânia, terminaram sem avanços significativos.
As reuniões trilaterais, realizadas em Genebra, prolongaram-se até tarde na terça-feira, mas duraram apenas duas horas na quarta-feira.
Embora o enviado dos EUA, Steve Witkoff, tenha expressado otimismo em relação às negociações, tanto o principal negociador russo quanto o ucraniano Volodymyr Zelensky indicaram que elas foram "difíceis".
Após a conclusão das negociações principais, o negociador do Kremlin, Vladimir Medinsky, retornou ao local e realizou uma reunião a portas fechadas com a delegação ucraniana por cerca de uma hora e meia. Nenhum detalhe dessa reunião foi divulgado.
Segundo uma fonte diplomática ucraniana, houve alguns progressos em "questões militares", incluindo a localização da linha de frente e o monitoramento do cessar-fogo.
Mas um acordo sobre a questão territorial – sem o qual não se pode vislumbrar um cessar-fogo – continua sendo algo incerto, com as posições de Moscou e Kiev ainda muito distantes.
A Rússia não cedeu em sua exigência de controle total da região leste de Donbas - composta pelas regiões de Donetsk e Luhansk - o que é inaceitável para a Ucrânia.
Embora tenha reconhecido que as negociações foram desafiadoras, o negociador do Kremlin, Vladimir Medinsky, acrescentou que elas foram "profissionais" e disse que outra reunião ocorrerá "em breve".
Zelensky também descreveu as negociações como "nada fáceis" devido à diferença nas posições de ambos os lados.
Rustem Umerov adotou um tom menos pessimista, afirmando que as discussões foram "substantivas e intensas" e que, embora tenha havido progresso, nenhum detalhe poderia ser divulgado "nesta fase".
"Este é um trabalho complexo que exige alinhamento entre todas as partes e tempo suficiente", disse Umerov.
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As delegações russa e ucraniana se reuniram pela última vez em janeiro, em Abu Dhabi, em negociações mediadas pelos EUA, que resultaram na primeira troca de prisioneiros em vários meses. Na quarta-feira, Zelensky indicou que outra troca poderá ocorrer em breve.
O presidente dos EUA, Donald Trump, que liderou os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra, tem demonstrado impaciência com o impasse entre os dois lados.
Na segunda-feira, ele disse que a Ucrânia "faria melhor em vir à mesa de negociações, e rápido" - uma opinião que Zelensky rejeitou posteriormente, afirmando que "não era justo" que seu país fosse o solicitado a fazer concessões.
Quatro anos após o início da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, ainda existe uma distância considerável entre as exigências de Moscou e o que Kiev poderia considerar uma "paz justa".
Kiev há muito rejeita a exigência da Rússia em relação ao leste de Donbas, o que significaria renunciar a território soberano ucraniano, incluindo várias cidades fortemente fortificadas e uma longa linha defensiva na região de Donetsk.
Muitos ucranianos acreditam que ceder esse território deixaria o país vulnerável a outra invasão russa. O próprio Zelensky traçou paralelos com o Acordo de Munique de 1938, quando as potências europeias permitiram que Hitler anexasse o território checo dos Sudetos.
Na terça-feira, Zelensky disse ao veículo de comunicação americano Axios que qualquer plano para entregar o Donbas seria rejeitado pelos ucranianos se fosse submetido a um referendo.
O presidente ucraniano também está trabalhando para garantir que os aliados ocidentais de Kiev forneçam garantias de segurança robustas para dissuadir a Rússia de novos ataques.
Outro ponto de discórdia nas negociações é o status da Usina Nuclear de Zaporizhzhia.
A central elétrica – a maior da Europa – está localizada na linha de frente e está sob controle russo desde março de 2022. A Ucrânia quer que Moscou a devolva e Zelensky já afirmou que Kiev poderia compartilhar o controle da central com os americanos – um acordo que Moscou dificilmente aceitaria.
Representantes da Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália estiveram presentes em Genebra e mantiveram conversas com os ucranianos à margem da reunião trilateral.
Os representantes europeus têm tido dificuldades para serem incluídos nas negociações lideradas pelos EUA, mas Zelensky afirmou que a participação europeia é "indispensável" para qualquer acordo final.
Na próxima terça-feira, completam-se quatro anos da invasão em larga escala da Ucrânia por Moscou.
A guerra, que resultou em dezenas de milhares de baixas militares e civis e deslocou milhões de pessoas em toda a Ucrânia, continua a moldar a vida dos ucranianos, com ataques aéreos mortais diários em todo o país.