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Ministério Público da Bolívia ordenou a prisão do ex-presidente Evo Morales.

O ex-presidente é acusado de terrorismo e insurreição contra o Estado por sua suposta participação nos bloqueios e protestos de maio e junho do ano passado

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM EL PAÍS 29/07/2026
Ministério Público da Bolívia ordenou a prisão do ex-presidente Evo Morales.
Evo Morales durante um evento público em Chimoré, Bolívia, em 19 de fevereiro | Jorge Abrego (EFE)

A Procuradoria-Geral da Bolívia emitiu um segundo mandado de prisão contra o ex-presidente Evo Morales (2006-2019) por supostamente instigar os protestos sociais de maio e junho que exigiam a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Morales é acusado desta vez de seis crimes, incluindo terrorismo e insurreição armada contra o Estado, crimes supostamente cometidos durante os protestos que duraram 53 dias e deixaram 22 mortos. A polícia já tinha um mandado de prisão contra o ex-presidente em aberto desde outubro de 2024 por não comparecer ao julgamento por suposto abuso de menor.

Morales descreveu a ação judicial como perseguição política e afirmou que se trata de uma “maneira de desviar a atenção” da crise econômica que assola o país. “Nossa posição sempre foi clara: estamos ao lado daqueles que sofrem com as medidas de austeridade, a escassez de combustível, o aumento do custo de vida, a insegurança e o avanço do narcotráfico… Eles não nos intimidarão”, escreveu em sua conta no Twitter, de seu reduto político em Chapare, na região tropical de Cochabamba. Lá, ele permanece refugiado , protegido por cultivadores de coca armados com lanças improvisadas e escudos feitos de latas de lixo.

Do seu esconderijo, ele ordenou aos seus seguidores, nos últimos meses, que se juntassem às mobilizações já em curso do povo indígena aimará de La Paz e dos sindicatos. As organizações sociais exigiam maior participação nas decisões políticas do governo e, como resultado, sitiaram a capital administrativa por quase dois meses.

Devido aos prejuízos econômicos causados ​​e à intransitabilidade da via, o Comitê Cívico da cidade de Santa Cruz de la Sierra, a mais produtiva e conservadora do país, entrou com uma ação judicial contra Morales, à qual posteriormente se juntou o Ministério do Governo.

A ofensiva legal do Comitê Cívico se estende a outros líderes de movimentos sociais que supostamente lideraram os distúrbios. A lista de acusados ​​inclui o líder aimará Vicente Salazar, que está em prisão preventiva desde 6 de julho, juntamente com pelo menos outros três rebeldes, e Mario Argollo, o principal dirigente da Central Operária Boliviana (COB). A prisão de Argollo é uma questão delicada para o governo, já que ele foi o principal negociador do acordo de paz com o presidente Paz, que assinou um pacto que estipulava o respeito à imunidade sindical e a renúncia a quaisquer processos judiciais contra membros da COB.