Polícia

“Tentaram me calar”, diz delegada após mensagens de intimidação por apoiar prisão de investigador

Após se manifestar publicamente em apoio à prisão de um policial acusado de estuprar uma detenta dentro de delegacia, delegada relata ter recebido mensagens privadas de intimidação atribuídas a colegas da própria unidade em Sorriso,MT

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT/COM GAZETA DIGITAL 02/02/2026
“Tentaram me calar”, diz delegada após mensagens de intimidação por apoiar prisão de investigador
Segundo a delegada, as mensagens teriam sido enviadas por policiais lotados no mesmo município | Divulgação

A delegada da Polícia Civil Jannira Laranjeiras afirmou ter sido alvo de mensagens de intimidação depois de publicar, em suas redes sociais, um posicionamento parabenizando a atuação institucional na prisão preventiva do investigador Manoel Batista da Silva.

O policial é investigado por suspeita de ter estuprado uma detenta dentro da delegacia do município. O caso tramita sob sigilo.

Segundo a delegada, as mensagens teriam sido enviadas por policiais lotados no mesmo município e tinham como objetivo constrangê-la após sua manifestação pública em defesa da investigação técnica e da responsabilização criminal.

“Depois de compartilhar uma notícia sobre a prisão preventiva de um policial acusado de estuprar uma detenta dentro da delegacia, recebi mensagens privadas de intimidação… mensagens tentando transformar meu posicionamento como mulher e como profissional no enfrentamento à violência contra a mulher em ataques pessoais”, relatou.

A delegada destacou que as ofensas surgiram justamente após seu posicionamento público:

“Sou mulher, sou mãe, sou profissional da segurança pública e escolhi essa profissão para defender pessoas, não para proteger crimes. Quando uma mulher é violentada dentro de uma instituição de segurança, o Estado precisa responder com rigor.”

Em outro trecho da publicação, ela reforçou a importância de não se calar diante de tentativas de coação:

“Quando alguém tenta calar quem defende isso, nós temos que falar mais alto. Se preciso for, gritar.”

A manifestação gerou repercussão entre profissionais da segurança pública e ativistas de direitos das mulheres, que destacaram a importância da integridade da investigação e do apoio à responsabilização de servidores envolvidos em crimes.

O investigador Manoel Batista da Silva permanece preso preventivamente enquanto a Polícia Civil apura os fatos e investiga, inclusive, a possibilidade de outras vítimas.