Polícia

Delegacia vira cena de horror: detentas relatam choro, “banho de nojo” e ameaças em caso de estupro em Sorriso, MT

Investigador da Polícia Civil está preso. Vítima afirma ter sido abusada quatro vezes durante custódia. Testemunhas confirmam abalo emocional. Material genético do acusado deu positivo. Justiça mantém silêncio sobre medida disciplinar

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM PC-MT 04/02/2026
Delegacia vira cena de horror: detentas relatam choro, “banho de nojo” e ameaças em caso de estupro em Sorriso, MT
O caso, que permanece sob segredo de Justiça, ganha contornos ainda mais estarrecedores com as informações obtidas pelo Página12 | Arquivo Página 12

A Delegacia da Polícia Civil de Sorriso (MT) virou cenário de um dos episódios mais chocantes e perturbadores já registrados no sistema de segurança pública de Mato Grosso. No centro da acusação está o investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, preso preventivamente sob suspeita de estuprar uma jovem de 25 anos, custodiada dentro da própria unidade policial.

O caso, que permanece sob segredo de Justiça, ganha contornos ainda mais estarrecedores com as informações obtidas pelo Página12: detentas que testemunharam os momentos após os abusos relataram choro incontrolável, banho improvisado de repulsa e um estado de abalo emocional extremo por parte da vítima.

Uma das testemunhas contou que a mulher foi retirada da cela três vezes ao longo da noite, sempre sob o pretexto de “cumprir trâmites administrativos”. Em uma dessas saídas, a vítima teria retornado visivelmente abalada e em lágrimas, sem conseguir relatar o que havia ocorrido. Pouco depois, foi vista tentando se “lavar” dentro da cela, de forma improvisada, com gestos que revelavam “nojo, repulsa e profundo sofrimento”.

Um relatório interno assinado pelos delegados Laysa Crisóstomo de Paula Leal, Paulo César Brambilla Costa e Thiago de Souza Meira Silva embasa os pedidos de quebra de sigilo telefônico e apreensão do celular funcional do policial, que teria usado a função pública para coagir, ameaçar e violar a dignidade da vítima.

“Ele disse que mataria minha filha de 6 anos se eu não fizesse o que ele queria”, relatou a jovem, em depoimento registrado.

A denúncia foi feita cerca de 50 dias após os fatos. A vítima afirma ter sido estuprada quatro vezes entre os dias 8 e 9 de dezembro. A Polícia Civil encaminhou todos os servidores que estavam de plantão para coleta de material genético. O resultado do laudo pericial foi arrasador: o DNA do acusado foi compatível com o material biológico encontrado na vítima.

Apesar da gravidade da denúncia, a cúpula da Segurança Pública do Estado ainda não se manifestou oficialmente sobre a abertura de processo disciplinar interno ou possível exoneração. O investigador permanece preso após decisão mantida em audiência de custódia.

O caso choca não apenas pela brutalidade dos relatos, mas pelo cenário onde os crimes ocorreram: uma delegacia, sob a guarda do Estado, local que deveria garantir a integridade física e moral da custodiada.

“O comportamento da vítima é típico de quem sofreu violência sexual”, afirma o documento oficial que embasou o pedido de medidas cautelares.

Enquanto a Justiça apura os detalhes e ouve novas testemunhas, cresce a pressão para que o Governo de Mato Grosso adote providências rápidas e exemplares, a fim de coibir a impunidade e restaurar a credibilidade das instituições públicas.