Polícia

Justiça chega após anos de espera: Júri condena bióloga por atropelamento que matou estudante e cantor em Cuiabá

Caso mobilizou famílias das vítimas e ganhou grande repercussão na Capital desde o acidente ocorrido em dezembro de 2018

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 24/06/2026
Justiça chega após anos de espera: Júri condena bióloga por atropelamento que matou estudante e cantor em Cuiabá
Além da pena de prisão, a sentença determinou a suspensão do direito de dirigir veículo automotor até o cumprimento integral da condenação. A defesa informou que irá recorrer da decisão | TJMT

Após quase oito anos de tramitação judicial, o Tribunal do Júri de Cuiabá condenou nesta terça-feira (23) a bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro a seis anos de reclusão em regime inicial semiaberto pelo atropelamento que resultou na morte da estudante de Direito Myllena Lacerda Inocêncio, de 22 anos, e do cantor Ramon Alcides Viveiros, de 25 anos.

O julgamento, que durou cerca de 13 horas, encerra um dos casos de trânsito mais emblemáticos e debatidos da história recente da Capital. Os jurados reconheceram a prática de dois homicídios culposos na direção de veículo automotor sob efeito de álcool e uma lesão corporal culposa grave contra Hya Girotto Santos, sobrevivente do acidente.

Além da pena de prisão, a sentença determinou a suspensão do direito de dirigir veículo automotor até o cumprimento integral da condenação. A defesa informou que irá recorrer da decisão.

O acidente ocorreu na madrugada de 23 de dezembro de 2018, em frente a uma casa noturna de Cuiabá. Myllena morreu ainda no local. Ramon permaneceu internado por cinco dias, mas não resistiu aos ferimentos. Já Hya Girotto sofreu graves lesões, passou por diversas cirurgias e sobreviveu após um longo período de recuperação.

Desde então, familiares das vítimas travaram uma longa batalha judicial em busca do julgamento do caso. Em 2022, Rafaela chegou a ser absolvida na esfera criminal. Contudo, o Ministério Público de Mato Grosso recorreu da decisão e, em 2024, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso anulou a absolvição, determinando a realização do júri popular.

Momentos antes do início da sessão, familiares das vítimas relembraram os quase oito anos de espera por uma resposta da Justiça. Ao final do julgamento, a condenação foi recebida como um marco na busca por responsabilização e encerramento de um capítulo que marcou profundamente a sociedade cuiabana.