Polícia
DO LUXO DOS GABINETES AO XADREZ: Presidente do TCE-MT vai para o BOPE, chefe de gabinete para presídio feminino e advogados e assessores para penitenciária de VG
Operação Tomada de Contas provoca terremoto na cúpula do Tribunal; Sérgio Ricardo e outros cinco investigados tiveram prisões mantidas pelo STJ e deixaram a sede da Polícia Federal sob escolta, com destino ao sistema prisional
O poder, o prestígio e os gabinetes luxuosos deram lugar às viaturas policiais e à custódia. O presidente afastado do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, terminou esta quinta-feira (29) sob prisão preventiva, com destino ao Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), em Cuiabá. Sua chefe de gabinete foi encaminhada ao presídio feminino da capital, enquanto advogados e assessores jurídicos ligados à Corte seguiram para a Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
A cena simboliza um dos capítulos mais constrangedores da história recente do TCE-MT. A instituição encarregada de fiscalizar a aplicação de bilhões de reais em recursos públicos viu seu próprio presidente ser preso pela Polícia Federal, acusado de integrar um suposto esquema milionário envolvendo pagamentos irregulares, favorecimento de empresas e movimentações financeiras suspeitas.
A ofensiva ocorreu durante a Operação Tomada de Contas, autorizada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Após audiência de custódia, foram mantidas as prisões preventivas dos seis investigados, que deixaram a sede da Polícia Federal em um comboio de veículos sob escolta.
Do gabinete da Presidência ao Bope, Sérgio Ricardo terá de enfrentar as investigações longe do comando da Corte. Sua principal auxiliar, Roseli Loss, apontada pela PF como integrante do núcleo operacional do suposto esquema, foi encaminhada à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Já o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, o assistente jurídico Gustavo Fernandes da Silva e o assessor jurídico Felipe José Glinke foram destinados à Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, onde deverão permanecer em instalações de Estado-Maior.
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A investigação expôs números que colocaram o Tribunal de Contas no centro de uma crise institucional. A Polícia Federal identificou 150 saques em dinheiro vivo que totalizaram aproximadamente R$ 15,6 milhões, além de movimentações financeiras milionárias atribuídas a integrantes da estrutura administrativa da Corte.
Segundo a apuração, contratos teriam sido suspensos sob a justificativa de contenção de despesas, enquanto determinados fornecedores continuavam recebendo pagamentos. A suspeita é de que parte desses recursos fosse devolvida a integrantes do grupo investigado.
Mais de 180 policiais federais participaram da operação, que cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

A crise também atingiu o funcionamento administrativo do TCE-MT, que suspendeu o expediente e os prazos processuais desta quinta-feira, além da sessão plenária marcada para terça-feira (3). O órgão afirmou que cumprirá as determinações judiciais e buscará preservar a continuidade de suas atividades.
As investigações apuram possíveis crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os envolvidos ainda não foram condenados, e as suspeitas dependem de comprovação no processo judicial.
O retrato desta quinta-feira é contundente: quem ocupava o mais alto gabinete do Tribunal de Contas agora está sob custódia no Bope; a chefe de gabinete foi para o presídio feminino e integrantes do núcleo jurídico seguiram para uma penitenciária em Várzea Grande. Uma crise sem precedentes recentes que deixa uma pergunta inevitável: quem fiscaliza aqueles que deveriam fiscalizar o dinheiro público?