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POLÊMICA NO SUB-17: CONFUSÃO COM ÁRBITRO INTERROMPE JOGO, MAS NÃO PODE APAGAR O SONHO DOS GAROTOS DO PAULISTANO

Episódio envolvendo treinador e arbitragem no Estádio Dito Souza provoca encerramento antecipado da partida contra o Uirapuru; situação deve ser apurada com equilíbrio, sem comprometer a valorização dos jovens atletas e do futebol de base de Mato Grosso

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA 16/10/2026
POLÊMICA NO SUB-17: CONFUSÃO COM ÁRBITRO INTERROMPE JOGO, MAS NÃO PODE APAGAR O SONHO DOS GAROTOS DO PAULISTANO
O futebol mato-grossense precisa de clubes que disputem competições de base, abram espaço para jovens jogadores e contribuam para manter viva a formação de novos talentos | Jonathan Domingos

Uma partida decisiva do Campeonato Mato-grossense Sub-17, que deveria ter como protagonistas os jovens talentos do futebol estadual, terminou marcada por uma confusão entre o técnico do Paulistano, Geraldo do Carmo Junior, e o árbitro Alberth Antônio Arruda Belino da Costa, integrante do quadro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O episódio aconteceu nesta sexta-feira (16), no Estádio Dito Souza, em Várzea Grande, durante o confronto contra o Uirapuru, válido pelas quartas de final da competição.

A partida foi interrompida aos 42 minutos do primeiro tempo, quando o Uirapuru vencia por 3 a 1. A situação teve início após uma reclamação do treinador do Paulistano por uma suposta falta não assinalada pela arbitragem. As imagens mostram que o árbitro se aproximou do banco de reservas, levando a mão ao bolso, em um movimento que indicava a possibilidade de aplicação de cartão. Na sequência, depois de novas reclamações, o treinador empurrou o árbitro, que deixou cair o apito.

Geraldo recebeu cartão vermelho e, após alguns minutos de paralisação, a equipe de arbitragem decidiu encerrar antecipadamente o confronto. O episódio deverá ser analisado pelas instâncias competentes do futebol mato-grossense, com base na súmula e nos demais elementos disponíveis.

Entretanto, em meio à repercussão da confusão, uma questão merece atenção: o futebol de base não pode ser reduzido a um episódio de desentendimento à beira do gramado. O Paulistano chegou às quartas de final de uma competição estadual e seus jovens jogadores não devem ter suas trajetórias esportivas obscurecidas por uma ocorrência envolvendo integrantes da comissão técnica e da arbitragem.

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 Jonathan Domingos

A presença do Paulistano entre os oito clubes classificados para esta fase representa uma conquista esportiva que precisa ser reconhecida. Em uma competição que reúne equipes como Cuiabá, Mixto, Nova Mutum, Sinop e Sorriso, alcançar as quartas de final demonstra que o clube conquistou seu espaço dentro de campo.

É justamente esse aspecto que merece ser preservado. Por trás de cada jovem que veste a camisa do Paulistano existem expectativas, treinamentos, dedicação e o desejo de construir uma carreira no futebol. São adolescentes que encontram no esporte uma oportunidade de desenvolvimento pessoal, disciplina e realização de sonhos.

Naturalmente, qualquer atitude de desrespeito à arbitragem precisa ser analisada com responsabilidade. O empurrão registrado nas imagens não deve ser relativizado, assim como a apuração do episódio deve observar os procedimentos regulamentares, assegurando o direito de manifestação e defesa dos envolvidos.

O que não seria razoável, entretanto, é transformar um episódio envolvendo adultos em motivo para desmerecer os jovens jogadores ou toda a participação do Paulistano no Campeonato Mato-grossense Sub-17.

A competição tem justamente a missão de revelar talentos e fortalecer as categorias de base. Por isso, o episódio também representa uma oportunidade para reafirmar valores fundamentais do esporte, como respeito, equilíbrio emocional, responsabilidade e espírito competitivo.

Com o encerramento antecipado da partida, caberá aos órgãos competentes definir os desdobramentos esportivos e disciplinares do confronto. Até o momento, não há decisão definitiva informada sobre eventuais consequências para o clube.

Independentemente das providências que venham a ser adotadas, o Paulistano merece ser avaliado também pelo desempenho que o levou até uma fase eliminatória do Estadual, e não exclusivamente pela confusão registrada nesta sexta-feira.

O futebol mato-grossense precisa de clubes que disputem competições de base, abram espaço para jovens jogadores e contribuam para manter viva a formação de novos talentos.

A confusão merece apuração. O árbitro merece respeito. Mas os garotos do Paulistano também merecem reconhecimento, oportunidades e a possibilidade de continuar sonhando. Afinal, o futuro do futebol de Mato Grosso deve ser construído dentro de campo, com bola nos pés, responsabilidade e respeito.