Política

CPI da Covid ao vivo: Airton Cascavel presta depoimento

Airton Antônio Soligo é apontado como 'ministro de fato' durante gestão Eduardo Pazuello

PEDRO RIBEIRO/DA EDITORIA/COM CNN 05/08/2021
CPI da Covid ao vivo: Airton Cascavel presta depoimento
Foto: CNN
CPI da Pandemia chega à sua 40ª sessão e ouve nesta quinta-feira (5), a partir das 9 horas, o empresário e ex-assessor do Ministério da Saúde Airton Antônio Soligo, conhecido como Airton Cascavel. O requerimento pela oitiva de Cascavel foi apresentado pelo vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que justifica o pedido citando reportagens que revelam que o ex-assessor era apontado como "o ministro [da Saúde] de fato" durante a gestão de Eduardo Pazuello. Cascavel e o ex-ministro da Saúde são amigos, de acordo com a CPI. Ainda durante a gestão Pazuello, o empresário teria participado de reuniões no Ministério da Saúde, – mesmo sem um cargo formal na pasta. O então ministro nomeou o amigo como "assessor especial" do ministério após a informalidade ser descoberta – Cascavel ocupou o cargo entre junho de 2020 e março deste ano. O ex-assessor chegou a pedir salvo-conduto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para não comparecer ao depoimento de hoje. O ministro Gilmar Mendes concedeu o pedido apenas parcialmente. Cascavel tem a garantia do direito ao silêncio em questões que possam incriminá-lo – o STF já se manifestou desta forma em pedidos de outros depoentes. Ainda durante as perguntas do relator Renan Calheiros, Airton Cascavel informou que não negociou compra de vacinas. Segundo ele, apenas a secretaria-executiva do Ministério da Saúde poderia fazer essas tratativas. Airton teria ficado responsável apenas pela interlocução política em torno da pandemia, com secretários estaduais de Saúde. "Tudo estava centralizado na secretaria-executiva. E eu nunca fui a essa secretaria em nenhum momento", disse. O empresário e ex-político atuou como assessor especial da pasta. Ao ser perguntado sobre as tratativas com a Pfizer para a compra dos imunizantes, o ex-assessor especial informou que também não participou destas negociações. "Naquele momento eu não participava disso. Era em outra coisa que eu estava concentrado: a interlocução política". A CPI da Pandemia revelou que o governo Bolsonaro deixou de responder aos e-mails da Pfizer sobre a venda das vacinas. Conforme revelou a CNNo CEO mundial da Pfizer, Abert Bourla, chegou a pedir agilidade do governo.
  • Airton diz atuou para pacificar Butantan e governo

  • Durante as respostas ao relator da CPI da Pandemia, senador Renan Calheiros (MDB-AL), Airton afirmou que atuou para pacificar as relações entre o Instituto Butantan e o governo federal na compra da vacina Coronavac. Segundo ele, havia e ainda há politização das vacinas contra a Covid-19. O depoente detalhou reuniões entre governadores e Ministério da Saúde. Segundo Airton, ele chegou a viajar à São Paulo para tratar desta aproximação com o Butantan. "Nós precisávamos de vacinas e [fui] construir esse diálogo para que isso pudesse acontecer", disse. "Através do fórum dos governadores essa relação se pacificou, ficou pactuado. Dali surgiu um diálogo de todos os governadores com Pazuello e se marcou uma reunião pra anunciar isso no dia 20 de outubro", afirmou Airton. No dia seguinte, no entanto, o presidente Jair Bolsonaro desautoriza a compra da vacina e, em 22 de outubro, o vídeo de Pazuello e Bolsonaro com a fala "um manda e outro obedece" é divulgado.
    • Airton: Teich me convidou para integrar equipe da Saúde

    • Ao iniciar sua fala de apresentação na CPI da Pandemia, Airton Cascavel informou que foi convidado para integrar a equipe do Ministério da Saúde pelo então ministro Nelson Teich. Ele revelou ainda ter participado de uma reunião da pasta, ainda sem cargo formalizado, no momento de transição da gestão de Mandetta para Teich. Neste momento, o general Eduardo Pazuello era o secretário-executivo da Saúde, número 2 da pasta. Depois de uma conversa inicial com Pazuello e Teich, Airton vai à Manaus, onde mora parte de sua família. "Fico até 6 de maio [em Manaus] e, nesse intervalo, falei com Teich e Pazuello. E Teich me convida para fazer parte da gestão dele", disse. "A vida é feita de escolhads e ali fiz a minha. 'Vou pra lá', eu disse. Em 7 de maio chego em Brasília e sou acometido de doença crônica e tenho problema de pressão alta. Durante cinco dias fico em repouso e, em 12 de maio, me apresento para aceitar o convite de Teich, mas três dias depois o ministro cai, pede exoneração", disse. A nomeação de Airton Cascavel é efetivada em 24 de junho do ano passado. Segundo ele, o atraso se deu devido a entraves burocrático e atribuiu resistências ao seu nome na Casa Civil. "No dia 26 de maio, Pazuello, como interino, me convida para o cargo. Não tinha o meu afastamento de administrador da minha empresa, os cartórios estavam fechados naquele momento e eu e outros servidores fomos nomeados em junho. Houve rejeição ao meu nome na Casa Civil e, por isso," a minha nomeação só sai no dia 24 de junho."
      • Airton Cascavel já chegou ao Senado; saiba quem é o ex-assessor

      • O ex-assessor do Ministério da Saúde e amigo de Pazuello, Airton Cascavel chegou ao Senado Federal antes das 9 horas para depor. A sessão, que estava prevista para iniciar às 9h, registrou mais de um hora de atraso. Antes de sua chegada à Brasília para atuar na pasta da Saúde, Cascavel atuou como empresários, ocupou cargos públicos e também foi eleto deputado estadual e federal por Roraima. Embora tenha nascido no estado do Paraná, Cascavel se estabeleceu em Roraima no ano de 1985, com  a expansão das linhas de ônibus da empresa paranaense União Cascavel de Transporte e Turismo (Eucatur), onde trabalhou como assessor. Em 1988, iniciou a carreira política ao se tornar prefeito do município de Mucajaí, pequeno município de Roraima, quando tinha apenas 24 anos. Dois anos mais tarde, renunciou da prefeitura e se candidatou como deputado estadual. Presidiu a Assembleia Legislativa de Roraima e participou da Assembleia Constituinte Estadual. No ano de 1994 foi eleito vice-governador de Roraima. Entre 1999 e 2002, Cascavel foi deputado federal pelo PPB, atual Progressistas. Ao terminar o mandato como deputado federal, foi eleito novamente deputado estadual. Em 2007, Airton Cascavel Secretário de Desenvolvimento Agrário de Boa Vista. Ficou à frente da Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) por cem dias.